É crucial para a democracia que o ataque a Bolsonaro não seja tratado como Bolsonaro o faria

Foto: Reprodução

Por Kiko Nogueira.

É crucial para a democracia que o ataque a Jair Bolsonaro não seja tratado como Jair Bolsonaro o trataria.

O oportunismo abjeto da direita deu as caras rapidamente. A ideia da turma é reverter a comoção em votos, o que pode funcionar, de fato.

Em nota à imprensa, o general Mourão, vice na chapa de JB, culpou um “militante do Partido dos Trabalhadores”.

Adélio Bispo de Oliveira foi, na verdade, filiado ao PSOL, do qual já se desligou. Trata-se de um caso psiquiátrico.

Ele mesmo afirmou que agiu a “mando de Deus” em seu boletim de ocorrência.

“O dado que se tem é que ele fazia parte da campanha da Dilma em Juiz de Fora”, falou Mourão, sem citar qualquer evidência.

Depois, a uma revista, foi mais taxativo. “Eu não acho, eu tenho certeza: o autor do atentado é do PT”, afirmou. 

“Se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós”. O que diabos isso significa?

A martirização de Bolsonaro vai caminhando rapidamente.

A Globo cobriu diligentemente o episódio, com direito a lamentos de jornalistas sobre o “clima de ódio” da campanha, como se não tivessem nada a ver com isso.

Os assassinos de Marielle Franco estão soltos.

No dia seguinte à sua execução, canalhas estavam espalhando mentiras no WhatsApp sobre casamento com traficante e outras ignomínias.

Em março, quando a caravana de Lula no Sul foi atingida por ovadas, pedradas e, finalmente, baleada, a reação na mídia foi de desdém, majoritariamente, com uma ou outra condenação envergonhada por parte de um ou outro colunista.

Nunca se encontrarão os autores.

Bolsonaro deu sua colaboração à sua maneira.

“Está na cara que alguém deles deu os tiros. A perícia deverá ficar pronta entre hoje e amanhã e vai apontar a verdade”, declarou num comício em Ponta Grossa.

“Lula quis transformar o Brasil num galinheiro e agora está por aí colhendo ovos por onde passa” .

É fácil usar esse raciocínio com ele. Se alguém vive do discurso de ódio e da retórica da violência é Bolsonaro.

Mas é uma simplificação que, no momento, não eleva o nível do debate. Isso interessa a eles. 

Que ele se restabeleça, o caso seja elucidado, os ânimos apaziguados, para que Jair Bolsonaro e o que ele representa sejam derrotados nas urnas.

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