Documentário: Saiba quem são e como atuam os irmãos Koch, patrocinadores do golpe no Brasil

Por Carlos Krebs e Henrique Mann.

Se você ainda não sabe o que são “think tanks”, Atlas Network, Fórum da Liberdade, Instituto Millenium, Alejandro Chafuen e Irmãos Koch, com certeza ainda não entendeu bem o que está ocorrendo no Brasil e no mundo, nem sabe que as forças de ataque da extrema direita são muito maiores e mais organizadas do que você pensa, infinitamente mais do que MBL, Bolsonaro ou Aécio.

Mas sempre que um boçal te atacar com mantras de que “o comunismo matou mais gente que o capitalismo”, “vai pra Cuba” ou simplesmente desatar a colar memes e escrever palavrões na internet, isto tem relação direta com todos os inicialmente citados. Eles promovem, por exemplo, concursos com boas premiações em dinheiro para que seus membros produzam memes ou vídeos para o YouTube que “viralizem”, atacando seus adversários. Este pessoal faz até cursos com o americano James O’Kfee, especialista neste tipo de coisa.

Vou tentar resumir: a Atlas Reserch Economic Fundation ou Atlas Network é uma instituição norte-americana financiada majoritariamente pelos magnatas do petróleo David e Charles Koch, com apoio de centenas de megaempresas mundiais que vão da Philip Morris à Mastercard, chegando à Gerdau, à Fiergs e à Fiesp no Brasil.

Atingem o planeta todo atualmente. São defensores das ideias de Hayek, Von Mises e da ultra reacionária maluca Ayn Rand, que escreveu em 1957 o livro “A revolta de Atlas”, em que defendeu a ideia de que o mundo pertence e é sustentado pelos ricos e que sem eles o planeta cairia no caos. Daí o nome da Fundação Atlas. Esta “entidade” surgiu nos anos 1980 do consórcio entre o inglês Antony Fischer (fundador da IEA) e o estadunidense Leonard Read (da FEE), donos de fundações cujo propósito era vender propaganda ideológica de direita para grandes empresas.

Assim nasceu a Atlas, juntando os dois ativistas e financiados pelos Koch, com a adesão de várias outras empresas. Em 1991, com a morte de Fischer, a Atlas foi assumida pelo argentino-estadunidense Alejandro Chafuen, cria mais que reacionária da Atlas, gestado, treinado e educado pelo golpe militar argentino. Este é o indivíduo que está pessoalmente por trás do MBL, por exemplo. E do Millenium, e do EPL, e do Ilisp… aqui no Brasil… mas também da Fundação Eléutera, em Honduras ou da Fundação Pensar, da Argentina. São os “think tanks” (em uma tradução livre poderia ser “círculo de reflexão”, “usina de ideias” ou “formadores de opinião”).

No Brasil são mais de 30 entidades mantidas e financiadas pela Atlas Network e sua turma. Eles bancam desde “robôs de compartilhamento automático e spam” até os mais boçais serviçais de perfis fakes no varejo da internet, sob a batuta de “intelectuais ideólogos”.

Vejamos o que dizem alguns destes “ideólogos”: o gaúcho Fernando Shüller, que andou por vários partidos, inclusive à esquerda, é, agora, “colunista associado” do Millenium e diz que o “sucesso do MBL deve-se ao fato de não ter identificação com partidos” (?!) e que “a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda”. Bem, nada de espantar, já que o chefe do Millenium, Rodrigo Constantino, enxerga conspiração de esquerda até na inserção de algo da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo e é o criador do termo “esquerda caviar”. Olavo de Carvalho e suas pataquadas “intelectuais” é um dos “elos fortes da corrente” e, além de suas ideias esdrúxulas, ensina que linguagem vulgar, palavrões, agressões do mais baixo calão, servem como estratégia de argumentação e fazem sucesso entre adolescentes e adultos fascistas, criando uma gerações de boçais que substituíram o debate pelo insulto. Também a Maçonaria trabalha na sua costumeira e secular técnica “sob as sombras”, infelizmente.

Outra peça inusitada nesta engrenagem é Helio Beltrão, sim, ele mesmo, largou tudo para administrar um destes “think tanks”: o “Instituto Mises” (tão citado pelos Bolsonaros). Por isto não é de admirar que Schüller declare que por ele “privatizaria toda a previdência e a educação no Brasil” e que “o único caminho para atingir esta meta é ter muitos think tanks no Brasil financiados por empresas”.

Você entendeu agora?

Para concluir a história da Atlas e sua relação com o Brasil e os agressivos boçais da internet, acrescento que até a explosão mundial da web nos anos 1990, estes “think tanks” não tinham tanta força. Mas foi através dela (internet) que ganharam esta magnitude. Seus veículos principais são o Youtube, o Facebook, Whatsapp, Instagram… eles têm os blogs (Antagonista e Cia) como base, mais que a imprensa tradicional, pois descobriram que pouca gente lê; e que é mais fácil atacar por memes e pequenos vídeos; e que a esquerda não sabe nada destas coisas e nem dá valor a isto, pelo menos não de forma organizada (creio que por pura soberba e desinformação).

E aí você entende exatamente qual o papel de cada um nesta história toda, inclusive o seu próprio. É só você procurar que encontra. O time da ultra direita já está “esquematizado” e ganhando de goleada, nas palavras do próprio Helio Beltrão: ““É como um time de futebol: a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”… “aqueles que formam a opinião pública.”

E aí? Já achou o seu lugar neste “jogo” ???

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