DNIT diz que não tem recursos e 49 mil hab. de Rurópolis vão continuar com atoleiros e sem asfalto

A reunião entre Sintraf Transamazônica, parlamentares e direção do DNIT não avançou e terminou sem solução para os problemas de pavimentação que se arrastam há 40 anos

O trecho da rodovia BR -163 próximo ao município de Rurópolis, sudeste do estado do Pará, vai continuar sem asfalto. Isso porque na tarde desta terça-feira 07.11 durante a reunião entre liderança do Sintraf Transamazônica, parlamentares e direção geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), a resposta dada às reivindicações é de que não há recursos para obras no trecho.

Em agosto deste ano, agricultores e agricultoras familiares ocuparam a rodovia em protesto a morosidade e descaso político quanto ao problema do asfalto. Os trabalhadores denunciaram que além de prejudicar o escoamento da produção, a comunidade tem que conviver com a dificuldade do tráfego, os acidentes que aumentam a cada dia e a poeira que afeta a saúde principalmente dos jovens e idosos.  Apenas em Rurópolis são cerca de 49 mil habitantes.

“Se não sairmos daqui com um termo de compromisso e com um posicionamento para resolver pelo menos o trecho que passa em frente a Rurópolis, vamos voltar a interditar a rodovia. Não dá mais para viver nesta situação”, disse Antônio Oliveira da coordenação do Sintraf Transamazônica.

O diretor geral do DNIT, Valter Casimiro Silveira, disse que não há dotação orçamentária este ano para pavimentar, agora, o trecho que passa em frente a Rurópolis. No entanto, irá convocar uma reunião com as empreiteiras que estavam realizando as obras na rodovia, para detalhar o porquê da paralisação do serviço e alternativas que possam solucionar o problema.

Na mesa, o deputado federal Zé Geraldo disse que o problema da falta de pavimentação na região se arrasta há pelo menos 40 anos. “Todos os Governos que passaram não conseguiram resolver essa questão. As obras foram retomadas durante o governo Lula, mas é preciso mais empenho e vontade política em levar asfalto para a rodovia que é responsável pela grande parte do escoamento da soja do país”, explicou o deputado.

Os atoleiros se concentram nos trechos entre as cidades de Novo Progresso e Trairão; e entre Rurópolis e Itaituba, onde a BR-163 se junta com BR-230, a Transamazônica, formando uma única rodovia.

“Essa não é nossa primeira intervenção com o DNIT, é uma luta antiga. Não é apenas o asfalto, não há sinalizações nas áreas urbanas e o número de atropelamentos aumentou. Precisamos socorrer pelo menos estas cidades já que a rodovia por completa nunca sai”, pontuou o deputado federal Francisco Chapadinha.

No Pará, 85% da Transamazônica não são asfaltados. O pouco que há de pavimentação foi inaugurado em 1972, durante o governo militar e até hoje as inúmeras promessas de asfalto na rodovia que corta sete estados, com mais de quatro mil quilômetros de extensão nunca foram concluídas.

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