Ditadura brasileira patrulha Carnaval para censurar críticas

Sucedem-se os relatos sobre governos estaduais do Norte e Nordeste alinhados à clepto-ditadura pilotada por Michel Temer e pelo PSDB em peso e que, neste Carnaval, colocaram as polícias para reprimirem manifestações contrárias ao regime.

As redes sociais e a Blogosfera estão sendo inundadas de manifestações de arbítrio contra foliões que criticaram o governo federal e, acima de tudo, o presidente golpista da República Federativa do Brasil.

Antes de prosseguir, vale dizer que os ataques aos foliões nada mais são que parte de processo de intimidação de setores da sociedade que opinam que houve golpe de Estado no Brasil e, assim, criticam a Operação Lava Jato por considerá-la instrumento do golpe disfarçado de investigação republicana, haja vista que persegue pessoas sob critérios político-ideológicos.

Há alguns dias, venho entrevistando familiares de um grupo de jovens que sofreu uma das maiores violências policiais de que se tem notícia. Cerca de duas dezenas de garotos e garotas (alguns menores de idade) foram presos em um protesto em São Paulo contra o impeachment de Dilma Rousseff, em 4 de setembro do ano passado.

Os jovens foram presos no espaço paulistano conhecido como Centro Cultural e levados pela polícia a uma delegacia especializada no crime organizado. Um juiz os soltou quase 24 horas depois criticando duramente a conduta da polícia.

Apesar disso, esses jovens estão sendo processados pesadamente por “formação de quadrilha” e “corrupção de menores” porque estavam todos juntos no Centro Cultural, preparando-se para ir em grupo a uma manifestação.

O que estão fazendo com esses jovens é tão grave que procuradores federais estão questionando as autoridades paulistas pelo abuso contra pessoas que nunca tiveram problemas com a lei e estão sendo tratadas como criminosas.

As perseguições políticas se espraiam pelo país, atingindo jornalistas, funcionários de empresas em geral vistos como “petistas”, juízes, procuradores, policiais e todos os que não se alinhem ao regime. Contudo, as investidas contra foliões carnavalescos atinge as raias do impensável em termos de censura, de abuso, de arbítrio.

Em Salvador, a banda System está ameaçada de ser banida do carnaval de 2018 porque o vocalista Russo Passapusso puxou um ‘fora Temer’ do alto do carro de som de um bloco carnavalesco, no que foi acompanhado por milhares de foliões;

Assista ao vídeo

Russo, o vocalista, diz ter recebido notificações por conta das manifestações da banda. O texto diz que os músicos serão alvo de um “Código de Ética” e que “não é permitida manifestação política” nas ruas de Salvador.

“Foi contra, mas poderia ser a favor. Quer fazer manifestação? Saia na Mudança do Garcia”, disse o presidente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), Pedro Costa, que, agora, quer retaliar a banda.

Se continuar assim, quem dançou e pulou ao som de “fora, Temer” também estará ameaçado pela polícia política do regime.

Isso é o que induz a crer outra cena estarrecedora que se produziu nestes dias no Carnaval do Nordeste, onde, por força do maior “esquerdismo” da região, a repressão a divergências contra o regime golpista de Michel Temer e do PSDB está correndo solta.

Há inúmeros casos de blitz policiais para aprender cartazes, faixas e até fantasias que critiquem ou ironizem os golpistas. O vídeo abaixo é só um entre vários que estão circulando nas redes. Adversários do governador de Pernambuco, aliado de Temer, tiveram apreendidas fantasias que ironizavam os governos estadual e municipal.

Os atos de arbítrio estão aumentando. Por razões fúteis, pessoas estão sendo perseguidas. artistas, intelectuais, jornalistas, magistrados, procuradores, policiais, trabalhadores em geral. Apesar disso, persiste uma massa de manobra que acredita que perseguição política é aceitável se for contra aquele de quem se diverge.

Os que apoiam o uso do Estado por grupos político-ideológicos contra grupos político-ideológicos se esquecem de que o arbítrio nunca se basta. Vários entusiastas do golpe de 1964 acabaram sendo perseguidos pelos golpistas.

A cada ato de arbítrio com o qual você condescender estará apoiando abusos reservados para cada brasileiro no momento em que discordar dos ditadores de plantão.

Não existe ditadura boa. Ditaduras ameaçam a todos. Mesmo àqueles que se acham “amigos” dos ditadores. Isso porque ditador não tem amigos, tem serviçais, tem paus-mandados, tem claque para aplaudir. Ditaduras não toleram gente que pensa por si.

Muito cuidado ao apoiar atos de arbítrio ou fingir que este ou aquele ato arbitrário não é com você. Toda arbitrariedade é contra todos. Se você não for o ditador, saiba que é enorme a chance de, em dado momento, ele te olhar e decidir que não gosta de você.

Fonte: BlogdaCidadania. 

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