Dia 15. Por Guigo Ribeiro.

Imagem de Chickenonline por Pixabay.

Por Guigo Ribeiro, para Desacato.info.

Para além da sabedoria legitimada através dos livros, artigos e muros acadêmicos, a experiência de quem já atravessou décadas respirando o tempo fez dos ouvidos presentes mais atentos às palavras calmas ditas um instante após mais uma entre tantas incapacidades do atual governo. A longa cabeleira branca penteada cuidadosamente. O vestido simples. A violência da calma de quem sabe os rumos. Um leve sorriso:

– O que serão as ruas no dia 15 senão um atestado de fracasso? O que é a decisão para próprio confete senão um saco de incompetência? Não sempre, mas por vezes é necessário rir de alguns absurdos por mais difícil que seja. É necessário olhar estes absurdos e entender que eles têm que acontecer. Mais uma vez digo: não sempre. Claro. Não estamos à deriva na história. Mas a convocação de uma festa pobre para si é a explosão do fracasso. Deixemos que o fracasso seja explicitado.

Os presentes silenciaram para dar mais espaço às palavras da senhora:

– Existem duas perspectivas possíveis: os presentes que acreditam na figura do “mito” sem se atentarem para sua construção como “messias” de caos e aqueles que compactuam com suas práticas. O cidadão primeiro foi tragado pelo “Brasil quebrado pela corrupção de um partido vírus” e precisa de uma resposta para que não perca de vez as razões para seguir. E o cidadão segundo e seu espelhamento com o “líder”, este partidário ao sangue como resolução. Ambos estarão presentes no dia 15. Mas são presenças diferentes. Um pelo motivo maior e outro por um processo afetivo, uma personificação do pai que não teve. Até quando eles lá estarão?

E seguiu:

– Quando o “mito” convocou um “humorista” para representá-lo, tomamos um soco pelo constrangimento de um país exposto ao mau gosto da piada fora de hora. Agora, vejamos, há um outro lado. O desespero para que se esqueça das pautas necessárias. Só que isso é cada vez mais nítido. Quantas mais cartas na manga terá o marketeiro do mito? Tudo isso para dizer: deixe o dia 15 acontecer. Deixa. É fundamental a concretização desse evento para que se evidencie o fracasso natural do governo. O desespero posto deve ser celebrado. A ausência de recursos para fazer a prometida decência deve ser gritada, mostrada. Pois se mostrada, é percebida.

Por fim, decretou:

– Não tenho bola de cristal. Tão pouco jogo búzios, entretanto afirmo convicta: esse será um dos piores presidentes da história! E sua memória produzirá escárnio, constrangimento e revolta

Alguém comentou:

– É… mas parece que cancelaram.

Tranquila, finalizou:

– Mas sua intenção foi conhecida por todos. Isso não tem vacina que resolva.

Guigo Ribeiro é ator, músico e escritor, autor do livro “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou”, disponível em Edfross.

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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