Desigualdade de gênero na América Latina e no Caribe desacelera crescimento regional, diz ONU

Mulheres ganham em média 19% a menos que os homens no continente; mundialmente, 47% das mulheres estão empregadas, frente a 72% dos homens.

A ONU afirmou nesta segunda-feira (14/12) que a desigualdade de gênero no mercado de trabalho latino-americano desacelera o crescimento da região. A Organização das Nações Unidas divulgou hoje seu relatório anual sobre desenvolvimento humano, que aponta os índices de desenvolvimento humano (IDH) dos países, e se dirigiram à América Latina especialmente quanto à disparidade econômica e social entre homens e mulheres.

“O relatório confirma que as mulheres na América Latina e no Caribe se deparam com o desafio triplo de trabalhar fora de casa, cuidar dos filhos e, cada vez mais, dos mais idosos, o que aumenta o nível de trabalho não remunerado”, afirmou Jessica Faieta, diretora regional do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) na América Latina.

Segundo Faieta, é necessário que a região discuta a questão de que as mulheres são responsáveis pelos cuidados familiares, o que considera “um importante passo para que ninguém fique para trás”.

O relatório indica que, na América Latina e no Caribe, as mulheres ganham, em média, 19% a menos que os homens para desempenhar o mesmo trabalho. Segundo a ONU, mais da metade das empresas na região não possuem nenhuma mulher em posição de liderança. Menos de 20% das posições de liderança de empresas na América Latina são ocupadas por mulheres. No relatório, a ONU cita dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que aponta que mulheres em posição de destaque no mundo executivo ganham a metade do que os colegas homens, em média.

Do total de pessoas no mundo que exercem trabalhos domésticos, atividade desempenhada majoritariamente por mulheres e em que “as condições de trabalho frequentemente necessitam de melhorias”, 37% estão na América Latina. A ONU aponta que 27% dos assentos parlamentares da região são ocupados por mulheres, o que está acima da média global (22%). No entanto, países como Brasil, Paraguai e Suriname registram menos de 10% nesse quesito, o que é uma “grave disparidade”, segundo a ONU.

Desigualdade de gênero no mundo

O PNUD dedicou um capítulo do relatório à desigualdade global entre homens e mulheres. Em 2015, apenas 47% das mulheres em idade ativa (a partir de 15 anos) estavam empregadas, frente a 72% dos homens. Na esfera política, 22% dos assentos do Parlamento, 18% dos cargos ministeriais e 26% das posições das cortes máximas dos países são ocupados por mulheres.

As mulheres são maioria em trabalhos não remunerados: 41% do trabalho realizado no mundo não é remunerado, e nesta categoria as mulheres têm uma participação três vezes maior do que os homens (31% contra a 10%). Com relação ao trabalho remunerado, 59% do total, o cenário se inverte: 21% desta parcela é desempenhado por mulheres e 38% por homens. Do total de horas trabalhadas no mundo, remuneradas e não remuneradas, as mulheres contribuem com 52% e os homens 48%.

Fonte: Opera Mundi

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

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