Denúncia: A batalha por um terreno da Oi no Rio e a promessa desfeita

Publicado em: 12/04/2014 às 12:58
Denúncia: A batalha por um terreno da Oi no Rio e a promessa desfeita

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Vídeo da cobertura feita pelo “Jornal A Nova Democracia” da violenta ação de despejo sofrida ontem pelos moradores da favela da Telerj que agora estão na rua.

PMs e moradores da ‘Favela da Telerj’ entram em confronto

Clima é tenso no local que foi invadido por cerca de 5 mil pessoas no final de março

do diário carioca O DIA

Rio – A Polícia Militar começou no início da manhã desta sexta-feira a reintegração de posse da “Favela da Telerj”, terreno que pertence a Oi, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio. O terreno de 50 mil m² foi invadido por cerca de 5 mil pessoas no final do mês passado. No entanto, a desocupação que começou de forma pacífica, começou a ficar tensa, com confronto entre PMs e moradores, que chegaram a colocar fogo no imóvel.

Cerca de 1.600 homens da PM participam da operação. Os invasores que ainda resistem à desocupação puseram fogo dentro do terreno e há muita fumaça negra saindo do prédio. Os policiais estão atirando bombas de efeito moral e tiros com balas de borracha para afastar os manifestantes que insistem em não deixar a área. Uma equipe do Corpo de Bombeiros do Quartel do Méier está nas proximidades, mas ainda não chegou a entrar no prédio, por medida de segurança.

A todo momento, os manifestantes atiram pedras e coquetéis molotov contra os militares. Para tentar controlar a situação, a PM cercou todo o entorno da Rua 2 de Maio, e todos estão a uma distância de mais de mil metros do ponto de desocupação.

No terreno, há famílias formadas por marido e mulher e até oito filhos. Há muitas crianças e idosos em cadeiras de rodas que tiveram de ser retirados às pressas devido à grande quantidade de fumaça que sai da parte alta do prédio. Uma mulher grávida, prestes a dar à luz, e uma senhora foram levadas para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Rua Souza Barros.

Bancos são saqueados

Na Rua Lino Teixeira, no Jacaré, agências do Itaú e Caixa foram saqueadas e quebradas por manifestantes. Com chegada do Batalhão de Choque, eles saíram do local com computadores, materiais eletrônicos dos bancos para favelas próximas. Há barricadas de fogo na rua e confronto a todo instante.

Dois caminhões também foram incendiados, mas na Avenida Dom Hélder Câmara, perto da Cidade da Polícia. Por conta disso, a via está interditada nos dois sentidos, antes do acesso para o Viaduto de Benfica.

A PM conta também com dois helicópteros para dar apoio à ação da tropa. As ruas 2 de Maio, Souza Barros e Baronesa do Engenho Novo estão interditadas ao tráfego. O local conhecido como Buraco do Padre, também no Engenho Novo, foi fechado ao tráfego. Os motoristas devem evitar a região. Há reflexos no trânsito, até bem distante do local, porque os motoristas são obrigados a desviar para chegar ao centro da cidade. A Rua Ana Néri, no Jacaré, e a Avenida Marechal Rondon, uma das principais ligações em direção ao centro, estão com o tráfego completamente congestionado.

Como o local é cercado pelas favelas do Rato Molhado e do Jacaré, onde há unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o policiamento foi reforçado na região. Um policial militar foi ferido na cabeça por uma pedrada.

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11/04/2014 10:16:19 – Atualizada às 11/04/2014 14:29:17

‘Favela da Telerj’: Protestos se espalham por bairros da Zona Norte

Jacaré e Engenho Novo vivem clima de tensão por conta da ação da PM para a reintegração de posse de prédio invadido

ATHOS MOURA E GABRIEL SABÓIA, em O DIA

Rio – A situação esteve muito tensa na região do Engenho Novo e Jacaré, na Zona Norte do Rio, onde aconteceu na manhã desta sexta-feira a reintegração de posse, determinada pela Justiça, do prédio da Oi, ocupado por cerca de 5 mil pessoas e que ficou conhecido como “Favela da Telerj”. A todo momento policiais militares e manifestantes entravam em confronto em diversos pontos. De acordo com o porta voz da PM, tenente coronel Claudio Costa, a desocupação foi concluída em três horas.

Na Avenida Dom Hélder Câmara, dois caminhões foram incendiados. Quando o fogo cessou, um dos veículos foi saqueado. O clima esteve tenso também na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tiveram de dispersar os manifestantes, no acesso pela rua Álvares de Azevedo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

Repórter é detido pela polícia

O repórter Bruno Amorim, do “O Globo” foi detido por PMs enquanto filmava a ocupação, sob a acusação de incitar a violência e atirar pedras contra os policiais. O jornalista, que filmava a ação dos PMs, teve seu celular quebrado. Além disso, carros da TV Globo, SBT e Record foram apedrejados pelos manifestantes.

Manifestantes atearam fogo num carro da Polícia Militar e também num ônibus e feriram cinco policiais com pedradas. Neste momento, tentam incendiar um micro-ônibus da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) que está estacionado na Rua Álvaro Seixas, no Largo do Jacaré. Homens da tropa de Choque da PM estão usando balas de borracha para tentar afastar os manifestantes.

Bancos são saqueados

Na Rua Lino Teixeira, no Jacaré, agências do Itaú e Caixa foram saqueadas e quebradas por manifestantes. Com chegada do Batalhão de Choque, eles saíram do local com computadores, materiais eletrônicos dos bancos para favelas próximas.

Um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), na Rua Álvares de Azevedo foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus.

Em nota, o governo do estado, informa que, cumpre ordem judicial expedida pela juíza da 6ª Vara Cível da Comarca Regional do Méier, Maria Aparecida Silveira de Abreu, que deferiu liminar para reintegração de posse do imóvel localizado na Rua 2 de Maio, no Engenho Novo. A Polícia Militar realiza a operação de apoio aos 40 oficiais de Justiça que cumprem o mandato.

Bombeiros atendem sete pessoas

A reintegração de posse da “Favela da Telerj” fez pelo menos sete vítimas, entre elas três menores de idade – de 9 anos, 13 anos e um bebê de seis meses. A maioria foi atendida por inalar fumaça no incêndio que atingiu parte do local.

Cerca de 80 militares de 16 quarteis (Humaitá, Méier, Ramos, Vila Isabel, Benfica, São Cristóvão, Irajá, Nova Iguaçu, Caju, Grupamento de Operação com Produtos Perigosos, Grupamento de Busca e Salvamento, Campinho, Alto da Boa Vista, Grajaú, Quartel Central e Catete) estão no local desde às 4h desta sexta-feira.

Além dos atendimento às vítimas, os militares também realizaram combate a focos de incêndio em quatro ônibus, um carro e dois caminhões nos arredores da localidade, além das chamas que atingiram o interior da edificação.

Os três adultos atendidos foram encaminhados para a UPA do Engenho Novo e dos menores apenas o adolescente de 13 anos levado para o Hospital Municipal Salgado Filho. Ocupantes do terreno denunciaram a morte de três crianças carbonizadas após o incêndio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, até o momento, não foram localizados corpos no local.

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12/04/2014 00:30:00

Compra desfeita

Ocupação dos prédios da Oi e a remoção dos invasores seriam evitadas caso a prefeitura tivesse comprado o terreno para a construção de casas populares

FERNANDO MOLICA, em O DIA

Rio – A ocupação dos prédios da Oi e a remoção dos invasores seriam evitadas caso a prefeitura tivesse cumprido o termo de compromisso que previa a compra do terreno para a construção de casas populares. Nesta semana, Eduardo Paes disse que a transação não foi concluída por falta de acordo em torno do preço do terreno, de 50 mil metros quadrados. Mas o valor, pouco menos de R$ 20 milhões, constava do documento.

O acordo foi assinado, em 6 de julho de 2012, diante da presidenta Dilma Rousseff, na inauguração do Bairro Carioca. Em seu discurso, ela comemorou o fato: “E agora, eu fico ainda mais feliz de saber que foi assinado um acordo com a Oi. (…) Hoje, a prefeitura, através do Eduardo Paes, obteve um terreno com a Oi que vai permitir que nós construamos mais 2.240 residências.” A presidenta ainda afirmou que essa era “a melhor notícia” que tinha recebido durante a viagem.

Cabral elogiou

Na cerimônia, o então governador, Sérgio Cabral, também citou a transação. “Hoje, a prefeitura firmou a compra de uma área da Oi”, disse.

Zona Norte

Uma das vantagens do terreno é sua localização: a prefeitura tem dificuldades de encontrar locais na Zona Norte que possam ser utilizados no Minha Casa, Minha Vida. A maioria das áreas disponíveis fica na Zona Oeste.

Bairro Carioca 2

A Secretaria de Habitação fez estudos para a construção do que viria a ser o Bairro Carioca 2. Os prédios que existem no terreno seriam destinados a atividades comunitárias.

Desapropriação

Um especialista ouvido pelo Informe afirmou que, se não concordasse com o preço pedido pela Oi, a prefeitura poderia desapropriar o terreno e discutir, na Justiça, o valor que deveria ser pago.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/a-batalha-por-um-terreno-da-oi-no-rio.html

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