Demissões em massa na SOS Cárdio atingem quase 50 trabalhadoras/es

Primeiro foram as profissionais de higienização e lavanderia, agora, 24 trabalhadoras da copa e da cozinha da SOS Cárdio foram demitidas pela empresa de uma só vez.

Repete-se o mesmo tratamento irresponsável e até desumano de uma das empresas referências em saúde em Santa Catarina. Os boatos de demissão em massa e de contratação de mão de obra terceirizada para o setor inteiro vinham incomodando as trabalhadoras há alguns meses. O assunto chegou a ser tema de uma reunião do setor em que a chefia negou a intenção da empresa em demitir as trabalhadoras.

Exatamente o mesmo cruel procedimento adotado com as 24 trabalhadoras da higienização e lavanderia. Por quê negar às profissionais a informação de que possivelmente seriam demitidas? Por quê não permitir que pudessem se preparar, organizar suas contas, buscar novos empregos, fazer seu planejamento financeiro junto às famílias?

Não, a SOS Cárdio prefere demitir de surpresa, depois de reiteradamente negar às trabalhadoras a intenção de demiti-las. As funcionárias da higienização, demitidas primeiro, tiveram o constrangimento de serem mandadas para a rua em uma reunião única, num pacotaço de avisos prévios indenizados. Trabalhadoras que estavam de folga tiveram de ir à unidade só para serem demitidas.

Quando souberam dessa cena constrangedora a que foram submetidas as colegas, um sinal de alerta acendeu para as trabalhadoras da copa e da cozinha. E a SOS Cárdio demitiu todas, do jeito que prometeu não fazer. Desta vez, em duas reuniões, marcadas para as 18h de sexta-feira e sábado (29/6 e 30/6). As funcionárias entregaram o setor limpinho para uma empresa terceirizada pronta para assumir o serviço. Confirmado, a SOS Cárdio não está nem aí para seus trabalhadores e trabalhadoras.

Há uma semana, escrevíamos uma notícia sobre a demissão em massa de 24 trabalhadoras da SOS Cárdio. Agora, mais 24. Como fica a moral de quem ainda manteve o seu emprego? Que tipo de tratamento devem esperar dessa empresa as trabalhadoras e trabalhadores?

Certamente não devem esperar um tratamento respeitoso de uma das maiores empresas de saúde privada do estado, uma das melhores do ramo, que diz precisar cortar das trabalhadoras que recebem os salários mais baixos, mas sedia seminários de medicina de alto padrão nas suas dependências.

Antes da reforma trabalhista e da lei das terceirizações, esse tipo de demissão, em massa, poderia ser contestada. Qualquer ação desse tipo deveria ser, antes, negociada entre trabalhadoras e empresa, com participação do Sindicato e do Ministério Público do Trabalho. Na pior das hipóteses, a transição das trabalhadoras para ficar sem o emprego seria minimamente planejada, com conhecimento prévio.

O diretor geral do SOS Cárdio escreveu em meados de 2017 no Diário Catarinense que as reformas do governo golpista de Michel Temer (PMDB) levariam a um aumento da oferta de empregos e um consequente aumento de salários. Pois são essas mesmas reformas que permitem essa demissão em massa da sua empresa. No lugar das 24 demitidas, substitutas com menos direitos e salários menores.

Outra afirmação do diretor, no mesmo artigo, é de que “o trabalhador (aquele que trabalha) está muito mais próximo da empresa que ele trabalha de que seu sindicato”. Não é o que vemos agora. É somente com seu Sindicato que as trabalhadoras e trabalhadores podem contar incondicionalmente. Com o mínimo respeito do SOS Cárdio não puderam contar.

Desconfie desse tipo de declaração contra a atividade sindical. Patrões não querem que nos organizemos, que sejamos forte enquanto classe, categoria, justamente porque assim é mais fácil para eles. Podem fazer o que quiserem, quando quiserem, e ninguém fala ou faz nada para impedir…

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