Demissão de Alvim, imitador de nazista, não encerra planos reacionários de Bolsonaro para a Cultura

Ao sinistramente copiar a fala do chefe da propaganda do regime nazista, Joseph Goebbels, Roberto Alvim personificou em si a guerra ideológica que a política cultural do governo Bolsonaro propõe. Sua demissão está longe de significar o fim da censura, dos cortes de verbas e demais ataques a cultura.

Imagem: Reprodução

A sinistra atuação do secretário de Cultura Roberto Alvim emulando a fala, o cenário, o próprio personagem de Joseph Goebbels provocou enorme rechaço primeiro nas redes sociais, depois de autoridades, como Rodrigo Maia, e até mesmo da embaixada de Israel que cobrou explicações.

A repercussão foi tamanha que Bolsonaro se viu obrigado a demitir o secretário que horas antes celebrava como um representante da “cultura de verdade”. A nota, que o presidente soltou informando da demissão de Alvim, se restringe a tachar de “infeliz” seu pronunciamento e repudiar “ideologias totalitárias e genocidas”. O tom sucinto e contido da nota revela quase um contragosto de Bolsonaro em demitir Alvim.

Mais do que isso, Bolsonaro não criticou o que há de mais próximo ao nazismo no pronunciamento de Alvim, que não é a música, a aparência, o tom, mas o conteúdo da fala. A defesa de uma contrarrevolução na arte, de uma estética nacional-conservadora-religiosa, foi a base da declaração de Alvim, assim como o motivo de celebração por Bolsonaro durante a live no dia de ontem:

“Ao meu lado, aqui, o Roberto Alvim, o nosso secretário de Cultura. Agora temos, sim, um secretário de Cultura de verdade. Que atende o interesse da maioria da população brasileira, população conservadora e cristã”, afirmou o presidente.

Alvim foi alçado ao cargo de Secretario da Cultura justamente por ter se destacado na defesa desses valores conservadores em oposição a uma arte minimamente questionadora. O dramaturgo, ainda antes de assumir a Funarte seu primeiro cargo no governo, fez um post em seu Facebook convocando “artistas de teatro conservadores” para criar uma “máquina de guerra cultural”. Na Funarte sua rápida ficou marcada pela censura, como a peça Res Pública 2023, segundo ele o veto foi “puramente artístico”. Depois Alvim ganhou ainda mais notoriedade no episódio em que ofendeu Fernanda Montenegro, acusando-a de “mentirosa”, por uma foto e uma entrevista em que ela criticava Bolsonaro.

Foi com esse currículo que Alvim se mostrou para Bolsonaro eficiente para comandar a Secretaria, ou em sua visão a “maquina de guerra cultural”. E independente de quem esteja a frente essa será a missão da secretaria promover censura a arte. Na versão do antecessor de Alvim, ele pediu demissão exatamente por se negar a vetar um edital da Ancine que promoveria filmes com a temática LGBT.

A censura do filme de Marighella e da exibição gratuita do filme A Vida Invisível, a perseguição ao Porta dos Fundos, são outros dos exemplos de como a censura e um instrumento de castração por parte do governo ao pensamento crítico e ao poder de subversão que a arte pode inspirar.

Não podemos desconectar esse avanço da extrema-direita no âmbito da arte, da cultura e da ideologia de uma preparação de terreno para facilitar a continuação da implementação de seus planos de ataques econômicos aos trabalhadores e setores mais precarizados da população, como a reforma administrativa que Paulo Guedes quer encaminhar o mais rapidamente possível.

Atacar a arte e a cultura é a maneira que esse governo busca de tentar calar os setores mais críticos e mais progressistas da população. Os setores que têm toda a potência de escancarar a nível de massas as falácias das reformas liberais destes que querem arrancar nosso futuro.

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