CUT emite nota sobre a conjuntura política

Em defesa da democracia, a Central Única dos Trabalhadores, CUT, emitiu nota nesta semana. Acompanhe abaixo, na íntegra:

Circ.: EE 11015099839/SG/2016                                                                                  São Paulo, 27 de abril de 2016.

RESOLUÇÕES

        A Direção Executiva da CUT, em reunião ampliada no dia 26 de abril em São Paulo, reitera seu repúdio ao golpe político em curso no país, perpetrado pelas forças conservadoras, e conclama suas bases a continuarem lutando, ao lado das forças democrático-populares, em defesa da democracia e dos direitos.

        No dia 17 de abril, a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma, processo que terá seu desfecho no Senado em poucas semanas ou que poderá se estender pelos próximos seis meses.  O que aconteceu nos últimos dias e o que está para acontecer no futuro próximo revelam o que está em jogo na sociedade brasileira: a tentativa de remover do poder a Presidenta eleita legitimamente por mais de 54 milhões de brasileiros, sob a falsa acusação de crime de responsabilidade. Essa tentativa de usurpar o poder, sem que pese contra a Presidenta nenhuma culpa, é golpe. A CUT o denuncia e o continuará combatendo com todas as suas forças.

A maneira como o impeachment está sendo conduzido, sob pretexto de legalidade e do estrito respeito às normas constitucionais é uma fraude, que a CUT continuará rejeitando e denunciando como atentado à democracia.  Os motivos reais que levaram a maioria dos deputados federais a votar a favor do impeachment, e seu comportamento obsceno na sessão que deixou a nação perplexa e escandalizou a imprensa internacional, aviltam as instituições democráticas por constituírem uma absoluta inversão de valores: uma presidenta inocente é condenada por uma camarilha de bandidos, sob os quais pesam sérios indícios de crime. Isto a CUT repudia da forma mais veemente e continuará denunciando e combatendo com todas as suas forças ao lado dos setores da sociedade comprometidos com a democracia.

As forças políticas que vêm construindo a farsa golpista, encasteladas no Ministério Público, no Poder Judiciário e no Parlamento, os empresários que atuam nos bastidores a favor do golpe com o objetivo de submeter o país aos interesses do imperialismo e das empresas multinacionais, com a entrega do Pré-Sal às petrolíferas estrangeiras e a retirada de direitos da classe trabalhadora, os setores da classe média que defendem o golpe nas ruas, são municiadas sistematicamente pela  mídia oligopolizada numa  sórdida campanha de manipulação de  fatos e notícias.  Contra essas forças se erguem amplos setores da sociedade, unidos contra o golpe e em defesa da democracia: trabalhadores/as do campo e da cidade, estudantes, artistas, intelectuais, profissionais liberais, articulados pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. São milhões de brasileiros que continuarão saindo às ruas, ocupando praças e avenidas, organizando atos culturais e políticos, promovendo manifestações de massa, utilizando as redes sociais e pressionando os Senadores a se posicionarem contra o impeachment. A CUT tem desempenhado e continuará a ter um papel fundamental na organização da resistência ao golpe.

Temos muitas batalhas pela frente. A primeira delas é propor ao governo Dilma um plano emergencial de combate à crise, com medidas que atendam aos interesses dos setores democrático-populares.  Ao mesmo tempo, lutaremos para barrar o impeachment/golpe no Senado e para afastar Cunha da Câmara dos Deputados, exigindo seu julgamento e punição exemplar. Fora Cunha!  Essas batalhas serão decididas com a pressão da classe trabalhadora e dos movimentos sociais nas ruas.  Os próximos dias serão decisivos, conferindo às manifestações do Primeiro de Maio um caráter especial: ode uma Assembléia Popular da Classe Trabalhadora em defesa da democracia e dos direitos. Em primeiro plano deve estar a nossa luta contra o golpe.Novas manifestações de massa deverão ser realizadas, entre 9 e 11 de maio, pressionando o Senado a se posicionar contra a continuidade do processo de impeachment.

Se o Senado aprovar o impeachment, continuaremos a luta, desta vez para denunciar a ilegitimidade do eventual governo Temer, combatendo sem tréguas as medidas que retirem direitos da classe trabalhadora ou prejudiquem seus interesses.

Para orientar nossas bases, aprovamos o seguinte calendário de lutas:

  • Plenárias Estaduais com as entidades cutistas para aprofundar a reflexão da conjuntura e  discutir a importância de ampliar a participação sindical nas manifestações contra o golpe.

  • Plenárias Sindicais para aprofundar a reflexão da conjuntura e  discutir a importância de ampliar a participação sindical nas manifestações contra o golpe.

  • Continuidade da mobilização popular em defesa da democracia e dos direitos e de preparação do Primeiro de Maio.

  • Pressão sobre os senadores para votarem contra o impeachment (orientação mais detalhada em anexo).

  • 28/4: Dia de Paralisações e Ato Contra os Cortes na Educação – Professores e Estudantes. A partir das 8 horas MASP, São Paulo.

  • 29/4: Paralisação Estadual no Paraná: 1 ano do massacre dos professores, estudantes e servidores estaduais. Dia de luta e resistência para que a história não se repita. – Concentração Praça Santos Andrade – Curitiba-PR, a partir das 8h30. – Caminhada até a Praça Rui Barbosa para ato contra o golpe.

  • Primeiro de Maio: atos nas capitais e cidades do interior. Principal ato em São Paulo, com a presença do ex-presidente Lula. Foco: luta contra o golpe, defesa da democracia e dos direitos.

  • Dia 5 de maio: Dia Nacional de Luta contra a Globo e o golpismo midiático – Monopólio é golpe!

  • Dia 6 de maio: mobilizações em Brasília no dia da votação do relatório na Comissão do Senado.

  • Dia 9 de maio: Instalação da Frente Parlamentar em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

  • Construir uma paralisação nacional no 10 de maio que interrompa a produção, o transporte, o setor público e o comércio e sinalize para a burguesia e aos senadores que haverá muita luta, se passar o golpe. Desde logo, devemos ir debatendo e construindo essa paralisação, que deverá ser antes da votação da continuidade do impeachment no Senado, prevista para 11 de maio.

  • I Marcha Nacional das Mulheres Indígenas em Brasília, entre os dias 10 e 13 de maio.

NÃO VAI TER GOLPE, TEM LUTA!

Direção Executiva da CUT

Orientações importantes para as Estaduais e Ramos

1)                  Realizar plenárias sindicais e assembléias de base denunciando o golpe e mobilizando os/as trabalhadores para ocuparem as ruas contra o golpe.

  • De imediato e, em caráter de urgência na luta contra o golpe, as Estaduais devem convocar Plenárias com suas entidades filiadas.

o        Nessas Plenárias Sindicais, as Estaduais e Ramos no Estado devem orientar os Sindicatos a fazerem Assembléias nos locais de trabalho e nos sindicatos.

  • Também em caráter de urgência, é preciso convocar os/as trabalhadores/as para Assembléias nos locais de trabalho – envolvendo as CIPAs e os comitês de fábrica – e nos Sindicatos de Base com objetivo de passar informações e fazer discussões sobre o que está acontecendo e os prejuízos para a classe trabalhadora, caso o impeachment/golpe se consuma.

  • Trazer para essa luta, além dos sindicatos CUTistas, aqueles não filiados a nenhuma Central Sindical. Buscar ainda o apoio de sindicatos filiados a outras centrais, para a luta em defesa da democracia e contra o golpe.

  • Utilizar carros de som e distribuição de panfletos nas bases sindicais e nos bairros, se contrapondo à informação seletiva e tendenciosa veiculada diariamente pela grande mídia, uma das principais articuladoras do golpe hoje, como foi em 1964.

  • Usar os jornais, boletins do sindicato e o site dos sindicatos para denunciar o golpe (Não vai ter golpe. Impeachment é golpe. Em defesa da democracia.).

 

Pressionar – nos estados e municípios – todos os Senadores e todas as Senadoras, em especial os/as que compõem a comissão especial do impeachment (mapeamento em anexo 2).

  • Pressionar os/as Senadores/as:

o        em seus estados de origem e nas cidades onde obtiveram grande número de votos, especialmente os/as que encerram seus mandatos em 2018 (54 ao todo) para pressionar nas bases eleitorais deles;

o        através de prefeitos e governadores aliados;

o        analisar também a composição das coligações eleitorais (verificar que senadores foram beneficiados com os apoios do PT).

  • É fundamental a pressão presencial, em frente às residências dos/as senadores/as e nos aeroportos, cobrando sua posição contra o golpe/impeachment.

  • Enviar e-mails e fax aos/às Senadores/as; pressionar também via redes sociais.

2)                  Reforçar os comitês populares contra o golpe e criar comitês onde for possível.

  • Transformar os sindicatos em espaços de defesa da democracia e contra o golpe, incorporando trabalhadores da base, movimentos sociais e demais atores que queiram lutar contra o golpe e em defesa da democracia.

  • É importante envolver o maior número possível de entidades e pessoas nessa luta.

À luta.

Não vai ter golpe.

Impeachment é golpe.

Em defesa da democracia.

Fonte: CUT

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