Crônica do Dia Internacional da Mulher no México. Por Ana Rosa Moreno

Por Ana Rosa Moreno, Cidade do México, para Desacato.info.

8 e 9 de março de 2020 são duas datas históricas na luta feminista no México. Sinto-me muito honrada de ser parte deste movimento, justo e necessário, num país que tem sido, há décadas, machista e patriarcal. País onde as mulheres, diferentemente dos homens, têm que ir para as ruas, lutar desde suas barricadas, com suas formas e tempos, pelos direitos tão básicos como: votar, estudar, ter salários justos e para exigir às autoridades, justiça perante os crimes que se cometem contra nós.

No dia 8 de março fomos todas de roxo, de verde, de preto e de todas as cores às ruas. Com cartaz e lenço, com muita raiva, mas, também com muito amor e sororidade, saímos em todos os estados e, incluso, em lugares onde nunca se tinha alçado a voz. Na Cidade de México, éramos mais 100 mil mulheres, caminhamos juntas desde o monumento da Revolução até o Zócalo da capital, mas, não éramos só mulheres, também foram pais, filhos e irmãos que sofreram a perda de mulheres da sua família.

Pintaram as fontes com cor vermelha para representar o sangue derramado por aquelas que perderam a vida a mãos da violência machista. No México, oito mulheres foram assassinadas a cada dia no ano passado, mas, só uma terceira parte foi catalogada como feminicídio. No que vai de 2020, o número de mulheres assassinadas por dia elevou-se a uma dezena.

Na praça pintaram um grande mural com os nomes das vítimas de feminicídio, nomes que no dia seguinte o governo da cidade mandou apagar.

Como dado extra, no transcorrer de três anos (2016 a 2019), o número de feminicídios passou de 426 a 1006, e em janeiro a cifra foi de 73 feminicídios, segundo o Sistema Nacional de Segurança Pública. Esse mesmo mês se registraram 19183 ligações telefônicas de emergência por fatos violentos contra mulheres, mas, só se abriram 8163 investigações.

Éramos tantas que, assim que vários contingentes ficaram parados no lugar inicial da marcha, eu senti que me sufocava apesar de estar em um lugar aberto. Comecei a caminhar, também levava um cartaz, algumas fotógrafas bateram fotos de mim, em cada cartaz, em cada grito, podia escutar as vozes das que já não estão e das que sofreram violência por parte dos seus companheiros. As que sofreram acosso e abuso nas escolas, no emprego e nas ruas, as discriminadas e às que fizeram sentir-se menos por serem mulheres. Fui sozinha e caminhei acompanhada, fiz amigas de luta e gritei com elas.

Houve destroços e pintadas, mas, primeiro as mulheres e depois as paredes. A polícia cercou os hotéis e os comércios que, segundo eles, são mais importantes de cuidar. As mulheres de capuz e as que não tinham, tiraram as cercas e interviram encima de monumentos e prédios. Alguns autores desses monumentos aplaudiram as pintadas e pediram que não as apaguem porque são testemunha do que acontece no país. Também houve um grupo de choque que lançou bombas molotov contra as manifestantes que agrediram pessoas e policiais, e que chamaram a atenção, mas, uma feminista jamais feriria uma pessoa.

En algunas escuelas y universidades se instalaron tendederos de denuncia para visibilizar la violencia machista que sufren las estudiantes de parte de sus profesores y compañeros.

La respuesta del lord de la Cuarta Transformación fue decir que la marcha viene de los conservadores para atacar a su gobierno y que no piensa cambiar su agenda por las peticiones de la marcha feminista.

No dia seguinte, a capital e todo o país estavam vazios, as mulheres não saímos dos nossos lares para fazer as atividades da vida diária. Não usamos as redes sociais. Desaparecemos para protestar contra os feminicídios e para demonstrar o grande papel da mulher mexicana em todos os âmbitos.

22 milhões de mulheres somaram-se ao movimento #UmDiaSemNós. A iniciativa surgiu em Veracruz, pelo coletivo As Bruxas do Mar, que busca evidenciar a importância da mulher para a economia do país.

A greve nacional de mulheres gerou um grande impacto econômico em um montante de 30 bilhões de pesos, 15% a mais do que se tinha previsto, informou o presidente da Confederação de Câmaras Nacionais de Comércio (Concanaco), José Manuel López Campos.

Também se convocou para não consumir nenhum produto, ou fazer uso de nenhum serviço, o que gero que muitos setores comerciais fecharam sem o ingresso monetário das mulheres.

Em 9 de março, demonstramos que sem a participação das mulheres, a economia colapsa e que as ruas não são as mesmas.

9 de março, para mim, foi de muita reflexão, um dia antes, combinei com minhas amigas desligar o wifi e os dados do celular, só receber ou fazer ligações de emergência, além de não sairmos das casas. A ausência dói, dói não saber da tua mãe, dói não saber das irmãs e também dos irmãos, é horrível não receber nenhuma mensagem de tuas amigas e amigos. Embora essa ausência foi de um dia, sabemos que na realidade há famílias que não voltam a saber das suas mulheres, ou estão esperando apenas o pior, ou quem sabe há um pouco de esperança. Retornei às redes e vi tanto ódio à marcha, às mulheres que se organizam e lutam, e às nossas petições.

Mas, ao fim, a violência vai terminar o dia em que entendam que se deve deixar de reproduzir todo tipo de violência. Aprendi que a liberação dos povos também deve incluir a liberação das mulheres e que, se o machismo e o patriarcado não caem, nós vamos derrubar ele.

Tradução: Raul Fitipaldi, para Desacato.info

El 8M salimos a las calles y el 9M todas paramos en México. Mi crónica.

Por: Ana Rosa Moreno.

El 8 y 9 de marzo del 2020 son dos fechas históricas en la lucha feminista en México y me siento muy honrada de ser parte de este movimiento justo y necesario en un país que ha sido desde hace décadas machista y patriarcal y donde las mujeres a diferencia de los hombres tienen que salir a las calles, luchar desde sus barricadas en sus tiempos y formas por derechos tan básicos como votar, ir a la escuela, salarios justos y para exigir a las autoridades justicia ante los crímenes que se cometen contra nosotras.

El 8 de marzo salimos todas de morado, de verde, de rosa, de negro y de todos los colores  a las calles con cartel y pañuelo, con mucha rabia pero también con mucho amor y sororidad, salimos en todos los estados e incluso de lugares donde nunca se había alzado la voz. En la ciudad de México éramos más 100 mil mujeres, caminamos juntas del monumento de la Revolución hacia el zócalo capitalino, pero no solo éramos mujeres también iban padres, hijos y hermanos que han sufrido la pérdida de las mujeres de su familia.

Pintaron las fuentes con color rojo para representar la sangre derramada por aquellas que han perdido la vida a mano de la violencia machista. En México, ocho mujeres fueron asesinadas cada día durante todo el año pasado, pero solo un tercio se catalogó como feminicidio. En lo que va de 2020, el número de mujeres asesinadas cada día se elevó a una decena.

En el zócalo pintaron un macro mural de los nombres de las víctimas por feminicidio, nombres que al día siguiente el gobierno de la CDMX  mando a borrar.

Como dato extra, nn el transcurso de tres años (2016 a 2019) el número de feminicidios pasó de 426 a 1,006, y en enero la cifra fue de 73 feminicidios, según el Sistema Nacional de Seguridad Pública. Ese mismo mes se registraron 19,183 llamadas de emergencia por hechos violentos contra las mujeres, pero solo se abrieron 8,163 carpetas de investigación.

Éramos tantas que apenas varios contingentes quedaron parados en el  lugar inicial de la marcha, yo sentí que me sofocaba a pesar de estar en un lugar abierto, empecé a caminar, también llevaba un cartel, algunas fotógrafas me tomaron fotos y yo tome algunas fotos, en cada cartel en cada grito podía escuchar las voces de las que ya no están y de las que han sufrido violencia por parte de sus pareja, quienes han sufrido acoso y abuso en sus escuelas, trabajos y en las calles, quienes han sido discriminadas y hecho sentir menos por ser mujer. A pesar de ir sola, camine acompañada, hice amigas de lucha y grite con ellas.

Hubo destrozos y pintas pero primero las mujeres y luego las paredes, la policía acordonó los hoteles y los negocios que según ellos son mas importante cuidar, las mujeres encapuchadas y las no encapuchadas tiraron las vallas e intervinieron los monumentos y edificios, algunos autores de esos monumentos aplaudieron las pintas y pidieron que no las borren porque son el testimonio de lo que ocurre en el país. También hubo un grupo de choque que lanzó bombas molotov contra las manifestantes, que agredieron personas y policías y que se llevaron la atención de la marcha pero una feminista jamás lastimaría  a una persona.

En algunas escuelas y universidades se instalaron tendederos de denuncia para visibilizar la violencia machista que sufren las estudiantes de parte de sus profesores y compañeros.

La respuesta del lord de la Cuarta Transformación fue decir que la marcha viene de los conservadores para atacar a su gobierno y que no piensa cambiar su agenda por las peticiones de la marcha feminista.

Al otro día, la capital y todo el país estaba vacío, las mujeres no salimos de nuestros hogares hacer las actividades de la vida diaria, no usamos las redes sociales, desaparecimos. Para protestar contra los feminicidios y para demostrar el gran papel de la mujer mexicana en todos los ámbitos.

22 millones de mujeres se sumaron al movimiento #UnDíaSinNosotras. La iniciativa que surgió en Veracruz por el colectivo feminista Las Brujas del Mar, quienes buscan evidenciar la importancia de la mujer para la economía del país.

La huelga nacional de mujeres generó un gran impacto económico por un monto 30 mil millones de pesos, 15 por ciento más de lo que se tenía previsto, informó el presidente de la Confederación de Cámaras Nacionales de Comercio (Concanaco), José Manuel López Campos.

También se convocó a no consumir ningún producto o hacer uso de ningún servicio, lo que género que muchos sectores comerciales cerraron sin el gasto monetario exclusivo de las mujeres.

El 9 de marzo demostramos que sin la participación de las mujeres la economía se colapsa y que las calles no son las mismas.

El 9 de marzo para mí fue de mucha reflexion, un día antes acorde con mis amias, apagar el wifi  y los datos, sólo recibir o hacer llamadas de emergencia, además de no salir de las casas. La ausencia duele, duele no saber de tu mamá, duele no saber de las hermanas y también de los hermanos, es horrible no recibir ni un mensaje de tus amigas y amigos. Aunque esta ausencia fue de un día, sabemos que en la realidad hay familias que no vuelven a saber de sus mujeres o están esperando solo lo peor o hay un poco de esperanza. Regrese a las redes y vi tanto odio a la marcha, a las mujeres que se organizan y luchan y a nuestras peticiones.

Pero al final, la violencia va a terminar el día que entiendan que se debe dejar de reproducir todo tipo de violencia, aprendí que la liberación de los pueblos también debe incluir la liberación de las mujeres y que sí el machismo y el patriarcado no caen, nosotras lo vamos a tirar.

Ana Rosa Moreno é licenciada em Relações Internacionais e mora em Puebla, México.

 

 

 

 

#AOutraReflexão

#SomandoVozes

#FiqueEmCasa

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