Crise de energia ameaça funcionamento de 14 hospitais públicos na Faixa de Gaza

Vida de centenas de pacientes nessas instalações depende de aparelhos elétricos; OMS alerta que reservas atuais de combustível para geradores que alimentam serviços críticos devem durar poucos dias.

Ocha – Hospital Al Rantisi, em Gaza. Possíveis vítimas dessa situação incluem recém-nascidos e crianças que dependem de incubadoras.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está preocupada com o funcionamento de 14 hospitais públicos da Faixa de Gaza que estão “cada vez mais ameaçados pela falta de eletricidade e pela rápida queda de reservas de combustíveis coordenadas pela ONU”.

Em nota emitida esta segunda-feira, em Genebra, a agência alerta sobre o possível impacto da crescente crise de combustíveis na vida e na saúde de centenas de pacientes.

Bairro Shuja’iyeh em Gaza – OMS alerta sobre o possível impacto da crescente crise de combustíveis na vida e na saúde de centenas de pacientes. Foto: ONU News/Reem Abaza

Tratamento

A agência pede uma solução imediata para lidar com a questão, porque muitos desses pacientes “não podem interromper o tratamento que depende do fornecimento ininterrupto de energia”.

A eletricidade é necessária para que funcionem os geradores de emergência durante os cortes de eletricidade prolongados na rede principal.

Vários hospitais afetados já implementaram medidas de racionamento e suspenderam serviços como esterilização, diagnóstico por imagem, limpeza, lavagem de roupa e oferta de refeições durante as horas sem eletricidade.

Além disso foram reduzidas cirurgias que já tinham sofrido restrições. Médicos e enfermeiros da região alertam para a iminência do fechamento de enfermarias e hospitais, revela a agência. Com essa situação “serão diretamente afetadas centenas de pacientes cuja vida depende da disponibilidade de serviços de diálise”.

Cisjordânia

As possíveis vítimas dessa situação incluem recém-nascidos e crianças que dependem de incubadoras, ventiladores em unidades de terapia intensiva além de dispositivos elétricos para as intervenções cirúrgicas.

Para o chefe do escritório da OMS para a Cisjordânia, Gerald Rockenschaub, o combustível esgota-se rapidamente num sistema de saúde que já enfrenta a falta crônica de produtos farmacêuticos, suprimentos médicos e eletricidade.

Caso não haja solução rápida para lidar com o nível crítico de oferta de combustível de emergência nos hospitais, muitos dos pacientes mais vulneráveis serão colocados em risco.

Bebê no Hospital Al-Shifa na Faixa de Gaza, onde a taxa de mortalidade infantil subiu pela primeira vez há 50 anos. Foto: Unicef/Loulou d’Aki

Serviços

Após uma visita de especialistas de saúde para avaliar diretamente a situação em instalações afetadas de Gaza, o pedido feito a todas as partes é que “despolitizem a saúde e assegurem a sustentação dos serviços essenciais de forma conjunta”.

Calcula-se que as atuais reservas de combustível para os serviços hospitalares críticos durem apenas alguns dias, dependendo do número de horas de cortes de eletricidade.

Outro apelo feito pela OMS às autoridades em Gaza e a todas as partes interessadas é que “cumpram suas responsabilidades e garantam o direito à saúde e o acesso sustentado aos serviços essenciais de saúde a todos os pacientes”.

Menino de 12 anos junto a casas destruídas na cidade de Rafa, no sul da Faixa de Gaza. Foto: Unicef/UNI132737/El Baba

 

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