Contratar funcionários da Apple ou Google? Pra rua!

O Departamento de Justiça norte-americano quer levar sete empresas tecnológicas a julgamento (Foto: Justin Sullivan/Reuters)

Numa troca de e-mails registada em 2007, o fundador da Apple Steve Jobs pediu ao então director executivo da Google Eric Schmidt que deixasse de tentar contratar um dos seus funcionários. A Google aceitou o pedido da Apple. Pediu desculpas e prometeu despedir o responsável pela abordagem ao empregado de Steve Jobs “na próxima hora”.
Esta troca de e-mails entre Steve Jobs e Eric Schmidt faz parte de um processo judicial interposto por cinco engenheiros contra sete das maiores empresas tecnológicas norte-americanas – Adobe, Apple, Google, Intel, Intuit, LucasFilm e Pixar –, acusadas de combinarem ente si uma espécie de política de não-agressão no mercado de trabalho, com o objectivo de manterem os salários dos seus melhores funcionários mais baixos.

As várias trocas de e-mails entre os responsáveis daquelas empresas levaram o Departamento de Justiça norte-americano a acusá-las de prática anticoncorrencial. De acordo com o documento da acusação, existem “fortes indícios de que todas as empresas [que enfrentam este processo judicial] tinham conhecimento dos acordos expressos existentes entre algumas delas, ajustavam as suas práticas em função desses acordos e todas elas contribuíam para alcançar o mesmo objectivo”.

O Departamento de Justiça considera ainda que as provas recolhidas mostram que os acusados “puniam quaisquer violações” do acordo. Para sustentar esta acusação, os responsáveis pelo processo – que está a ser avaliado num tribunal da Califórnia – citam uma troca de e-mails entre os então responsáveis da Apple e da Google, no dia 7 de Março de 2007.

Steve Jobs para Eric Schmidt: “Ficaria muito agradado se o vosso departamento de pessoal deixasse de fazer isto”.

Eric Schmidt reencaminha o e-mail de Steve Jobs para funcionários da Google não identificados: “Estou em crer que temos uma política de não recrutamento com a Apple e este é um pedido directo. Podem parar com isto e informarem-me porque é que isto está a acontecer? Preciso de responder à Apple rapidamente, por isso digam-me o que se passa o mais depressa possível”.

Na sequência desta troca de e-mails, o então vice-presidente do Departamento de Recursos Humanos da Google, Arnnon Geshuri, informa o seu patrão de que o funcionário “que contactou este trabalhador da Apple não o devia ter feito e será despedido na próxima hora”. “Por favor, peça desculpas em meu nome a Steve Jobs. Foi um incidente isolado e teremos o maior cuidado para que isto não volte a acontecer”, acrescentou Geshuri.

Três dias mais tarde, a vice-presidente da Google para as Operações Comerciais, Shona Brown, respondeu ao seu colega dos Recursos Humanos: “Foi uma decisão apropriada, obrigada. Por favor, faça desse despedimento um exemplo público para o seu departamento”.

A acusação faz também referência a uma nota escrita pelo presidente e director executivo da Intel, Paul Otellin, também datada de 2007: “Deixem-me ser claro. Não há nada assinado. Existe um acordo de cavalheiros de ‘não recrutamento’ entre mim e o Eric [Schmidt, patrão da Google]. Não gostaria que isto fosse tornado público”.

As empresas tecnológicas em causa pediram ao tribunal distrital de San Jose, na Califórnia, que não aceite levar este caso a julgamento, alegando que nunca fizeram parte de uma “conspiração abrangente”, tendo apenas feito acordos bilaterais para proteger a colaboração entre elas. Apesar deste argumento, a juíza Lucy Koh deliberou que o processo irá mesmo para a frente, embora possa vir a ser dividido em vários processos distintos.

Fonte: publico.pt

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