Comunidades indígenas realizam mobilização na BR 386 contra a precarização da Funai

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Por Julia Saggioratto, para Desacato.info.

Indígenas de diversas comunidades do norte do Rio Grande do Sul ocuparam o acesso próximo a ponte do Rio Uruguai, que faz divisa com Santa Catarina, reivindicando a demarcação de suas terras, além da contrariedade à precarização da Funai e às Reformas propostas pelo governo de Michel Temer

Cerca de 500 indígenas ocuparam na manhã desta segunda-feira, 24, a BR 386, fazendo o trancamento do acesso próximo a ponte do Rio Uruguai, divisa com Santa Catarina. A mobilização, que faz parte dos atos realizados em razão do Abril Indígena, iniciou às 8h da manhã e se estendeu até as 17h. Os indígenas da etnia Kaingang, do norte do Rio Grande do Sul, das Terras Indígenas Iraí, Rio dos Índios, Rio da Várzea e Acampamento Patronato, repudiam o sucateamento da Funai, com a tentativa de deputados ruralistas de indicarem pessoas para compor as equipes da Funai, deputados, esses, que possuem histórico de agressões e manifestações racistas aos povos indígenas. As mobilizações, que acontecem também na Terra Indígena Serrinha, em Ronda Alta/RS, e na Terra Indígena Campo do Meio, em Gentil/RS, têm como pautas, ainda, a luta pela terra e o repúdio às Reformas propostas pelo governo de Michel Temer.

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Indígenas ocupam a BR 386 reivindicando a demarcação de suas terras (Foto: Ivan Cima/CIMI Sul)

Segundo informações de Ivan César Cima, da equipe de Frederico Westphalen do Cimi Sul, dois documentos foram elaborados pelos indígenas e foram encaminhados à Brasília com a delegação indígena que foi para o Acampamento Terra Livre, os quais irão protocolar os documentos. Um dos documentos é a Ata da reunião realizada para discutir a substituição do atual coordenador da Funai, Roberto Perin, por outra pessoa indicada por deputados ligados à bancada ruralista, como o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), autor da CPI da Funai. O outro documento manifesta a preocupação dos povos indígenas com a frequente discriminação e a criminalização que os povos indígenas vêm sofrendo, a contrariedade à PEC 215, além de reivindicações como a demarcação das terras indígenas, maior atenção à saúde das comunidades indígenas, a garantia de seus direitos e sua sobrevivência física e cultural.

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Indígenas também se mobilizam contra a Reforma da Previdência (Foto: Ivan Cima/CIMI Sul)

Uma das lideranças que está a frente do movimento que se manifesta em todo o norte do Rio Grande do Sul é o Cacique Luís Salvador, da Terra Indígena Rio dos Índios, do município de Vicente Dutra. Luís comenta que a luta dos povos indígenas acontece desde a invasão dos europeus à Pindorama, hoje, Brasil. “Está sendo destruída a Constituição Brasileira, seja direito indígena ou daqueles que querem viver pela vida. Está sendo engolido pelo governo brasileiro, pelo capitalismo. (…) A destruição da própria Funai, essa Funai está sendo indicada pelo Alceu Moreira, um político que não sabe da situação do povo indígena, por isso que a mobilização é contra a pessoa do Alceu Moreira, e as demais pessoas que são contra os povos indígenas”, destaca o Cacique. Ele destaca que nos últimos anos os direitos indígenas, como a demarcação e homologação das Terras Indígenas, vêm sendo bloqueados.

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Indígenas se manifestam contra indicação para equipe da Funai por deputados ruralistas (Foto: Ivan Cima/CIMI Sul)

Luís também menciona a contrariedade dos povos indígenas à Reforma da Previdência, que afetará, não apenas a população indígena, mas a todos, e que está sendo proposta por um governo que não foi eleito pelo povo. Segundo o Cacique a mobilização indígena vai continuar: “é um direito, eles têm que atender as demandas da população indígena”, finaliza.

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