Comunicadores populares argentinos trocam estádios por favela

“Assim como os militares usaram um Mundial para silenciar os que lutavam por um mundo melhor, nós vamos usá-lo para o contrário”, diz La Garganta Poderosa.


gargantaQuatorze integrantes da revista de cultura popular La Garganta Poderosa (a garganta poderosa) estão no Brasil para cobrir o Mundial de Futebol. O interesse dos comunicadores não está somente nas quatro linhas, aliás, nem está nos estádios ou no futebol em si. Os jovens deixaram as comunidades na Argentina para acompanhar o evento fora do campo, em cima dos morros cariocas.

Desde que chegou no domingo (08/06), a equipe está hospedada na favela pacificada de Santa Marta, no Rio de Janeiro. “Nos instalamos em uma favela no Rio, onde nos sentimos muito confortáveis”, contaram no Facebook, onde divulgam parte dos conteúdos produzidos. “Não é que exista ‘outro Mundial’ aos olhos da imprensa comunitária: é o mesmo, incluindo os que ficam fora dele”, defendem.

O nome da publicação faz referência à motocicleta (“La Poderosa”) que Che Guevara e seu amigo Alberto Granado utilizaram para percorrer o continente. A revista, criada em 2011, procura tratar em suas pautas de temas e culturas marginalizadas.

No Brasil, os jovens trabalharão como correspondentes para rádios e canais da América Latina. “Queremos aproveitar esta grande plataforma midiática para divulgar nossa causa, que é a causa também das favelas do Brasil e dos assentamentos de outros países”, destacaram.

Futebol social

A única partida de futebol que será acompanhada pelo grupo será a de Irã e Argentina, em Belo Horizonte. “Apesar de o futebol ser o principal na comunidade, nos interessa contar a experiência para além do esporte, aprofundar na cor e na festa das favelas do Brasil”, explicou “Dada”, um dos integrantes do grupo.

Para os integrantes de La Poderosa, “o futebol não é nem da FIFA, nem das grandes marcas”. Eles defendem que, “assim como os militares usaram um Mundial para esconder os crimes de lesa humanidade e silenciar os que lutavam por um mundo melhor, nós vamos usá-lo para o contrário”.

Com uma linguagem poética, o coletivo descreve o que vê e o que espera desta experiência: “hoje amanhecemos sonhando que não dormimos, que a Copa tem silenciador, que podemos tocar um Cristo Redentor, que o turismo se aparta, que todos são negros em Santa Marta, que nos dói as costas do Mundial, que o sorteio segue sendo desigual, que gritamos de todos os modos, que certo futebol não é para todos, que a pobreza sempre condena”.

A viagem é financiada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), responsável por fornecer a logística para garantir as transmissões e a hospedagem dos comunicadores populares, que estão em casas de família no Morro de Santa Marta.

Fonte: Diário Liberdade.org

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