Com as bênçãos dos EUA e da União Europeia, nazifascismo avança na Ucrânia e serve de alerta ao mundo

Em fevereiro de 2014 um golpe de Estado, ao estilo “primavera árabe”, derrubou o legítimo governo ucraniano e levou ao poder o multimilionário Petro Poroshenko e, com ele, forças abertamente nazifascistas.

Integrante do grupo nazifascista C14 em ataque a um acampamento de ciganos em Kiev no dia que marca o nascimento de Hitler, 20 de abril (Foto: Reprodução)

Por Wevergton Brito Lima.

O golpe contou com o entusiástico apoio político, midiático e financeiro da União Europeia e dos EUA, cujas engrenagens de propaganda blindam o governo pró-fascista de Poroshenko de qualquer crítica, devido ao alinhamento incondicional do presidente golpista ucraniano à Otan e ao “Ocidente”, muito útil no combate à Rússia de Putin.

Como a história já demonstrou, sempre que forças de inspiração fascista chegam ao poder o primeiro alvo é o Partido Comunista, organização mais aguerrida no combate a esta ideologia malsã. Não foi diferente na Ucrânia, onde o governo de Poroshenko proibiu o Partido Comunista da Ucrânia de disputar eleições e tenta desde então banir esta organização operária da vida política, colocando-a na ilegalidade, criminalizando sua atividade.

Nesta quinta-feira (3) o Partido Comunista da Ucrânia enviou uma mensagem ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) onde relata quatro fatos recentes que mostram o avanço da escalada da repressão com métodos típicos de regimes fascistas:

– Em março o governo proibiu e começou a retirar das livrarias e bibliotecas o livro “Suicídio anunciado. Por que a Ucrânia precisa da Otan?”. O livro é uma coletânea que tem, entre seu autores, o líder do PCU,  Petro Symonenko.

– Em abril o Serviço de Segurança da Ucrânia invadiu de forma ilegal as instalações do Comitê Regional Zhytomyr do Partido Comunista e apreendeu documentos “terroristas”: cartões comemorativos do 1º de Maio – Dia Internacional dos Trabalhadores e do 9 de maio, dia que marca a rendição das tropas nazistas em Berlim, em 1945.

– Também em abril neonazistas da organização Svoboda, também chamada de C14 (em homenagem a 14ª Waffen SS Grenadier Division), espancaram o chefe da União Ucraniana de Irmãos Ortodoxos, o cardiologista Valentin Lukiyanik. A polícia, chamada ao local, chegou depois de uma hora, mas quando os policiais chegaram nada fizeram apesar de todos aqueles que espancaram Lukyanik terem permanecidos tranquilamente na cena do crime.

Neonazistas da organização Svoboda, também chamada de C14 (Foto: Reprodução)

– No 1º de maio um grupo de militantes comunistas distribuía o “Jornal dos Trabalhadores”, órgão absolutamente legal, quando foram presos pela polícia. Motivo: o jornal denunciava a situação do operário sob o domínio da burguesia oligárquica e do regime da ditadura pró-fascista e trazia um retrato do líder comunista Petro Symonenko bem como sua mensagem aos trabalhadores da Ucrânia.

Com a suástica estilizada, o C14 desfila pelas ruas de Kiev (Foto: Reprodução)

A volta dos Pogroms

Sobre o grupo neonazista C14 acrescente-se que tem como inspirador Stepan Bandera.

Elevado por Poroshenko à categoria de herói nacional da Ucrânia, Bandera foi um ativo colaboracionista nazi, autor da frase: “Os judeus são os defensores mais leais do regime bolchevique e a vanguarda do imperialismo moscovita na Ucrânia.”

Stepan Bandera, ao centro, vestindo o uniforme do exército nazista (Foto: Reprodução)

No último dia 20 de abril, não por coincidência data que marca o nascimento de Adolf Hitler, o C14 fez um pogrom em um acampamento de ciganos na colina de Lysa Hora (Bald Mountain) em Kiev. Armados com sprays de pimenta, barras de ferro e facas, os integrantes do C14 saquearam e destruíram o acampamento. Informações dão conta de que dezenas de pessoas foram hospitalizadas. O chefe de polícia de Kiev, Andrey Krishchenko, declarou singelamente que o acampamento já estava abandonado e que “alguns cidadãos simplesmente assumiram a tarefa de queimar o lixo no campo dos ciganos”. No entanto, um vídeo publicado no youtube desmente o policial ao mostrar mulheres e crianças fugindo da investida do C14.

Segundo o site italiano contropiano.org, o C14 reivindicou publicamente o pogrom e anunciou em sua página no Facebook que continuará agredindo, além dos ciganos, ‘gays, feministas e militantes de esquerda’. O acrônimo neonazista, que se refere ao movimento colaboracionista de Stepan Bandera, já no dia 8 de março, dia internacional da mulher, havia atacado um evento feminista na capital ucraniana e ameaçando de morte Elena Shevcenko, líder do movimento LGBT local.

É evidente que as milícias nazifascistas atuam incentivadas e acobertadas pelo aparelho estatal ucraniano, mas a União Europeia e os Estados Unidos, entretanto, afirmam que o governo golpista ucraniano é uma barreira “contra o ressurgimento de nacionalismos e ideologias xenófobas”!

Na já mencionada mensagem dos comunistas ucranianos ao PCdoB, eles lembram: “O Partido Comunista da Ucrânia mais uma vez chama a atenção dos partidos comunistas e operários para a necessidade de resistir conjuntamente à ofensiva do regime oligárquico-nazi da Ucrânia pelos direitos e liberdades do povo trabalhador”.

Os comunistas do Brasil, sempre solidários ao povo e aos comunistas ucranianos (comunistas ucranianos que inclusive estiveram presentes ao 14º Congresso do PCdoB, em novembro de 2017) acreditam que esta convocação dos camaradas do PCU deva ecoar mais amplamente, tanto por um elementar dever a que nos obriga o internacionalismo proletário, quanto como advertência em relação a preocupantes sinais que mostram claramente que o nazifascismo não é um fenômeno estranho à realidade brasileira ou latino-americana.

* Jornalista, membro da Comissão de Política e Relações Internacionais do PCdoB

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