Cidades são ainda mais excludentes para as mulheres

Por: Cristiane Molina de Araujo.

Por Lino Peres com fotos de Cristiane Molina de Araujo.

Confira o segundo Ciclo de Debates com temas ligados aos eixos com os quais trabalhamos no mandato. No dia 30 de junho, o debate foi com a socióloga Carla Ayres, militante dos direitos humanos, das mulheres e das pessoas LGBT e pré-candidata a deputada estadual pelo PT. Em julho, Carla assumiu a cadeira do Partido no Legislativo Municipal. O tema deste debate foi Direitos Humanos, Direito à Cidade, Mulheres e Exclusão.

Falamos sobre a exclusão pela qual passam segmentos amplos da população empobrecida, particularmente negra, mulheres e pessoas LGBT, que têm sofrido violência sistemática e elevado número de mortes. A cidade capitalista como um todo e, principalmente, as periféricas, como as do Brasil, são profundamente desiguais e segregadoras, expulsando enormes contingentes da população trabalhadora para as periferias. A Grande Florianópolis, por exemplo, concentra o maior número de programas do Minha Casa, Minha Vida pelo elevado preço da terra urbanizada na Ilha de Santa Catarina, sendo que a capital catarinense é uma das cidades mais segregadas do país.

A mulher, além da violência doméstica, sofre a discriminação e repressão nas ruas, principalmente nos horários noturnos, impedindo sua mobilidade na cidade. Esta situação vem desde a época colonial, em que as mulheres brancas podiam circular somente nos finais de semana e à luz do dia, e as mulheres negras escravas, muitas vezes nem isso, pois estavam presas nos porões da senzala ou no trabalho doméstico nos fundos da Casa Grande.

O corpo da mulher e, pior ainda, das pessoas LGBT, está preso a determinados lugares, não podendo exercer plenamente o seu direito à cidade, como faz o homem branco heterossexual para o qual foram construídas as cidades, particularmente europeias e dos países imperialistas.

Mas a cidade também tem potencial de transformação por ser um espaço que concentra multidões, marcadas pela diversidade econômica, social, étnica, etária, sexual etc, principalmente quando se agrupam em lutas por direitos, como têm sido as três recentes Ocupações Urbanas na Grande Florianópolis, os Atos do 8M, as intervenções artísticas urbanas, como a Batalha, as lutas contra o golpe no país, as greves setoriais ou gerais. A cidade pode ser vista como lugar da expressividade dos corpos, dos rostos, da dança, da festa, da arte coletiva, para além do Carnaval. É com estas realidades que nossas candidaturas estão comprometidas. O vídeo do debate está no link.

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