Início LGBTQIA+ Cibelly do Pará: a mulher trans que foi espancada, violentada e esquecida

Cibelly do Pará: a mulher trans que foi espancada, violentada e esquecida

Por iG Delas – Paola Churchill.

O Carnaval era a época preferida do ano para a trans Cibelly do Pará. Ela adorava se reunir com os amigos para curtir bloquinhos de rua. Este ano, Cibelly passou o feriado em Belo Horizonte (MG), onde morava, e foi agredida por um grupo de sete homens. Ela teve afundamento de crânio depois de ter sido espancada e hoje é paraplégica.

mulher
Divulgação/Instagram/Transvest

Cibelly antes e depois de ser espancada

Cibelly também perdeu movimentos do lado direito do corpo e não consegue falar, apenas balbuciar um pouco. Por isso, quem dá detalhes do que aconteceu no dia 22 de fevereiro e depois é Duda Salabert, da ONG Transvest, que ajuda no tratamento da mulher.

A agressão

De acordo com Duda, grupo de homens se aproximou de Cibelly no bloco de carnaval e começou a chamar a mulher trans de “traveco”,“demônio” e falou para ela “virar homem”. Cibelly foi tirar satisfações, acabou espancada e ainda foi abusada sexualmente pelos homens.

Após a violência, o grupo deixou a mulher largada em uma rua deserta. Segundo Duda, ela só foi receber algum tipo de atendimento quando uma amiga que tinha se perdido dela no bloquinho a encontrou desmaiada e acionou o Samu.

Resultados da agressão

Cibelly chegou ao Hospital João XXIII em estado grave – até os médicos achavam que ela não iria sobreviver, lembra Duda. Ela passou por cirurgias e uma traqueostomia.

As lesões sofridas pelo espancamento a deixaram paraplégica, com afundamento do crânio e sem os movimentos do lado direito do corpo, além da questão da fala.

Duda, ativista e dona da ONG Transvest, que oferece gratuitamente atendimento psicológico, alimentação, apoio jurídico e aulas de defesa pessoal para pessoas trans na capital mineira, acolheu Cibelly. O pai da mulher, Douglas Santos, mora no Pará e também veio para Minas Gerais assim que soube do que havia acontecido com a filha.

Números da violência contra pessoas trans

Casos como o de Cibelly não são raros na comunidade trans. Segundo o relatório do Mapa da Violência Transexual, 80% dos assassinatos contra trans acontecem com muita violência. “São crimes odiosos. Estamos longe de combater a transfobia. Os números mostram que a cada ano vem aumentando”, diz Duda.

Segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que publicou o “Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras”, nos dois primeiros meses de 2020, o Brasil apresentou um aumento de 90% no número de casos de assassinatos em relação ao mesmo período de 2019. O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo.

Crime sem solução

Cibelly deixou o hospital no último dia 8, em uma cadeira de rodas e amparada por sua família, após quatro meses do espancamento. Segundo Duda, nenhum dos agressores foi preso. “Houve negligência completa do Estado. Negligenciaram a vida de Cibelly”, afirma a ativista.

Em comunicado oficial do dia 9 deste mês, a Polícia Civil de Minas Gerais diz que continua investigando o caso, contudo “nenhuma câmera captou o momento das agressões ou mesmo os agressores. Várias diligências foram realizadas para identificar e solicitar imagens de câmeras de segurança existentes ao redor do local dos fatos. Infelizmente nenhuma câmera captou o momento das agressões ou mesmo os agressores.”

A Polícia Civil também afirma que “diversas pessoas foram chamadas a prestar informações, mas ainda não há testemunhas do fato e que ‘muitos preferem não se envolver e não prestar nenhum tipo de cooperação com a PCMG'”.

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Racismo Xenofobia LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas

Uma nova vida

Cibelly voltou na terça-feira (16) para sua cidade no Pará para continuar todo o tratamento ao lado da família, com sessões semanais com uma fonoaudióloga e uma fisioterapeuta. Os custos das passagens foram pagos pela Transvest.

 

Ver essa foto no Instagram

 

AS SEQUELAS DA TRANSFOBIA Vítima de transfobia, Cibelly Pamela, conhecida como Cibelly do Pará, foi brutalmente espancada por 7 homens em fevereiro deste ano, durante o Carnaval, no centro de Belo Horizonte/MG. A paraense de apenas 29 anos carrega agora sequelas profundas. Após quatro meses internada, tendo ficado entre a vida e a morte, Cibelly ontem 16 voltou para sua residência, em Belém do Pará, onde à partir de agora ficará sob os cuidados da família. As passagens aéreas tanto de Cibely quanto do pai, Douglas do Santos, foram custeadas pela @OngtransVest A TRANSFOBIA Os agressores a insultaram chamando-a de “traveco”, “demônio”, falavam “vira homem”. Ninguém a ajudou, ela tentou se defender às agressões gratuitas sozinha. A violência dos transfóbicos foi tamanha que Cibelly ficou sem uma parte do crânio, paraplégica e sem voz. Quebram-lhe vários dentes. Ela passou por cirurgia para afundamento de crânio e traqueostomia. QUEREMOS JUSTIÇA! Que haja uma investigação séria pelo o que aconteceu à Cibelly! Esses criminosos precisam pagar pelo o que fizeram a ela! Violência contra transexuais – Levantamento da organização não governamental Transgender Europe aponta que o Brasil, em números absolutos, é o país que mais registra assassinatos de transexuais no mundo. Foi por pouco que Cibelly nao entrou para essa triste estatística. Que se faça justiça por ela e que nenhuma outra pessoa venha a morrer ou carregar sequelas como essas! Afirma Robherio Limma, que em nome do movimento lute como ele criou um abaixo assinado e que voce aí pode assinar virtualmente (http://chng.it/ZPj9C22xG8) pressionando para que a justiça por meio dos poderes e das autoridades seja feita e os criminosos sejam punidos! Assine essa petição, não se cale diante dessa barbaridade, diz ele.?

Uma publicação compartilhada por MOVIMENTO LUTE COMO ELE (@movimentolutecomoele) em

A história de Cibelly já emocionou várias pessoas que se propuseram a ajudá-la. Uma  vaquinha online foi feita pela Tranvest para arrecadar dinheiro para os tratamento da mulher.

A ONG também segue dando apoio para que os culpados sejam punidos. Uma ação é oferecer uma recompensa para quem der pistas sobre o paradeiro dos agressores.  “Nós nunca deixaremos de ajudar a Cibelly”, diz Duda.

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.