Chile: Rechaçam doações da mineradora Barrick Gold

Por Natasha Pitts*.

Na sexta-feira, dia 6, as irmãs do Bom Samaritano tomaram a decisão de não aceitar uma doação da empresa Barrick Gold, que seria destinada à construção de uma Casa de Acolhida em Vallenar, capital da província de Huasco, localizada na região do Atacama (Chile). A decisão foi tomada com a ajuda da Igreja Diocesana de Copiapó e se deu porque Barrick Gold é uma das principais geradoras de conflitos socioambientais na região.

Nesta terça-feira (17), 55 organizações, redes, comitês, coletivos e agrupações chilenas assinaram uma declaração pública saudando a Congregação das Irmãs do Bom Samaritano pela decisão de não aceitar doações de uma empresa que vem prejudicando centenas de pessoas, acentuando a divisão comunitária e a cultura de morte com o projeto de desenvolvimento mineiro Pascua Lama.

“Acreditamos que é necessária muita valentia e qualidade moral para rechaçar os 800 milhões prometidos, portanto consideramos que a atitude das irmãs é exemplar e esperamos que sua reflexão e modo de agir alente atitudes similares em moradores e moradoras que se deixaram seduzir pelo dinheiro de curto prazo, sem pensar na casa comum e na necessidade de cuidá-la para nós e para as gerações que vêm”, manifestaram agradecendo também a mediação dos bispos que apoiaram as irmãs a tomar a decisão.

Por não contar mais com este dinheiro a construção da Casa de Acolhida não será possível. Por isso, é feito um apelo ao Estado chileno para que assuma esta responsabilidade pelo direito à vida dos idosos. As organizações demandantes sabem que a população chilena tem inúmeras demandas sociais, mas acreditam também que o Estado possui as condições para cumpri-las, caso contrário não perdoaria a dívida de 59 bilhões de pesos do Serviço de Impostos da “Jhonsons”.

Além de demandar ação por parte do Estado, os assinantes da declaração pública também deixam clara sua disposição para trabalhar pela construção da Casa. “(…) entendemos que a obra das irmãs na região é sumamente importante e de uma generosidade que se agradece, é por isso que queremos comprometer nossas mãos e vontades para realizar atividades e procedimentos que permitam, sem ajuda das mineradoras, concretizar o sonho de uma casa de acolhida em nossas ruas…”.

Barrick Gold e projeto Pascua Lama

A empresa canadense Barrick Gold Corporation está no centro dos conflitos socioambientais chilenos por conta do projeto Pascua Lama, iniciativa de desenvolvimento mineiro que consiste na exploração a céu aberto de ouro, prata e cobre. O projeto se localiza na cabeceira dos rios Estrecho e Toro, em região que faz fronteira com a Argentina. No Chile, o projeto é executado pela Companhia Mineira Nevada, filial indireta da empresa canadense.

A pesar de beneficiar a população local com grande quantidade de empregos, o projeto mineiro traz muito mais prejuízos, sobretudo ambientais, que vantagens. Prova disso está nos processos de extração e purificação do ouro, nos quais se usa materiais tóxicos como o cianureto, ilegal no Canadá. Há o risco de que o produto entre em contato com as fontes de abastecimento de água e a contamine deixando a população sem água potável. Além deste risco, as atividades mineradoras da empresa ameaçam a existência das geleiras da região.

Certos de que a Barrick Gold Corporation continuará avançando, a declaração pública manifesta: “Estamos seguros e seguras que a empresa seguirá em sua ofensiva de corrupção e de compra de consciência e vontades para debilitar a resistência a seus projetos na região, mas nos manteremos alertas, com a convicção profunda de que se cremos e queremos outros mundos possíveis, temos que assumir o protagonismo correspondente para construí-los”.

* Jornalista de Adital.

Foto: http://www.elciudadano.cl/

Fonte: http://www.adital.com.br

 

 

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