Chica Barrosa: a Rainha Negra do Repente

Conheça uma importante mulher negra para a história da Cultura Popular

Capa do livro Chica Barrosa: a rainha negra do repente (2009), de autoria de Irani Medeiros. / Reprodução

Por Cida Alves

No mês da Mulher Negra da América Latina e Caribe, o Brasil de Fato Paraíba relembra uma importante mulher negra para a história da Cultura Popular – a cantadora de viola Chica Barrosa. Nascida na cidade de Pombal em 10 de julho de 1867, filha de negra e negro alforriados: João Francisco dos Santos e Josefa da Conceição Silva.

Destacava-se pela habilidade do improviso, sendo uma genialidade em pessoa. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, Chica foi uma “grande cantadeira sertaneja, gabada como a primeira lutadora de seu sexo que enfrentou os nomes mais ilustres da cantoria. Era alta, robusta, mulata, simpática, bebia e jogava como qualquer boêmio, e tinha voz regular. Paraibana, seus desafios correm mundo, despertando aplausos.

O seu combate mais célebre foi com o cearense Manuel Martins de Oliveira, conhecido como Neco Martins, de São Gonçalo do Amarante. Embora vencida, a mulata improvisara magnificamente, deixando forte impressão entre os cantadores. Com Manoel Francisco em Pombal, bateu-se longamente, vencendo-o assim como ao cantador José Bandeira.

Chica Barrosa assim se auto definia: ‘A negra Chica Barrosa é faceira e é dengosa”. Ficou imortalizada nos sertões da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Chica Barrosa morreu esfaqueada por um indivíduo de nome José Pedro da Silva, em 1916, “por questões de relacionamento amoroso” em um baile. Mais uma artista paraibana calada pelo velho e tácito feminicídio.

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