Chega de violência contra os povos originários

Publicado em: 04/01/2018 às 20:30
Chega de violência contra os povos originários

Redação.

O Portal Desacato manifesta sua indignação pelo assassinato do Educador Marcondes Nambla, Xokleng, em Penha/SC, na madrugada do dia 1º de janeiro de 2018. O ataque cruel e covarde contra Nambla é reflexo da política anti-indigenista que se estende a longos anos e tem aumentado significativamente com a ascensão do fascismo e da cultura da desinformação, que acirra o ódio contra os povos autóctones, incentiva a violência e ocasiona a morte.

A vida das populações indígenas é praticamente impossível nos lugares onde habitam, isto é, nos locais que “sobraram” para estes. A todo o momento e em qualquer lugar os indígenas são insultados pelo que são: INDÍGENAS. A ausência de infraestrutura é apenas um dos facilitadores da violência contra esses povos que frequentam os litorais especialmente nesse período do ano para venderem seus artesanatos.

Basta lembrar  do violento caso ocorrido em Imbituba, litoral de Santa Catarina, no dia 30 de dezembro de 2016, quando Vitor Kaingang, de apenas dois anos de idade, foi degolado por um desconhecido, nos braços de sua mãe em uma rodoviária. No interior do estado, em São Miguel do Oeste/SC, pode ser citado outro exemplo de negligência e da aversão que os povos sofrem. Era final de 2015 quando um grupo de indígenas de Tenente Portela/RS foi jogado dentro de um caminhão da Prefeitura e levado para uma área retirada da cidade, já que estes se encontravam até então na rodoviária do município, onde trabalhavam com o comércio de seus artesanatos.

Os povos indígenas sempre foram indesejados em qualquer região. Por questões raciais ou culturais, ou mesmo os dois, em toda a história foram coagidos a se retirarem do espaço. Cabe-nos aqui ir mais a fundo na história e lembrar dos ‘bugreiros’, pessoas responsáveis pela “caçada” aos indígenas quando  portugueses e espanhóis “chegaram” – invadiram o território. Um termo condicionado a presença dos indígenas  era a “limpeza”, ou seja, se comprava as terras “sujas ou limpas”, com indígenas ou sem indígenas.

No território catarinense, encontramos principalmente além dos Kaingang, os povos Guarani e Xokleng. Esses três grupos indígenas que historicamente ocuparam o espaço, tinham suas próprias características culturais e língua. Em contato com os povos não indígenas, sofreram perseguições, assassinato, escravização e perca do território. Segundo Brighenti (2013), os Guarani ocuparam por exemplo, o espaço que hoje determinamos Santa Catarina desde 900 AP[1] (O termo AP, em Arqueologia, significa “Antes do Presente”. Tendo por base o ano de 1950), cerca de 1050 d. C., e os Kaingang 3000 AP, aproximadamente 1000 a.C.

A cultura dos povos originários, sua forma de vida e a relação com a terra impossibilitam o desenvolvimento do capitalismo, isso porque é uma cultura de subsistência, de cuidado com a vida, por isso também, são alvos diariamente do extermínio e os exemplos estão por toda parte, desde o último ataque à Terra Indígena Morro dos Cavalos onde os indígenas foram atacados na madrugada por pistoleiros e agora, com o assassinato do querido Nambla.

A Cooperativa Comunicacional Sul, o Portal Desacato, expressam mais uma vez a sua indignação diante de todo o sofrimento e violência contra os povos. Há que romper com a violência, mas é urgente eliminar aquilo que projeta a morte, incentiva o ódio e gera tanta dor.

Fonte Foto de Capa: UFSC/Reprodução.

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