“Chega de tutela, chega de autoritarismo”: Indígenas denunciam militarização da Funai no MS à ONU e cobram Ministério da Justiça

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Lideranças de povos indígenas entregam carta ao Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, repudiando a militarização da Funai e exigindo a imediata revogação da medida que nomeou o coronel Sant’Anna e a recondução do coordenador anterior. Foto: CIMI.

Por Tiago Miotto. 

Durante uma semana de muita mobilização, os povos indígenas foram surpreendidos nesta quinta (10) pela nomeação do coronel reformado do Exército Renato Vida Sant’Anna para a coordenação regional da Funai em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Além de militar, Sant’Anna é fazendeiro e sua nomeação foi apoiada pelos ruralistas do estado, onde há uma das situações mais agudas de violência contra indígenas por parte de fazendeiros e suas milícias.

Ainda na tarde de quinta-feira, 10, indígenas do povo Terena ocuparam a sede da Funai em Campo Grande, responsável pelo atendimento das terras indígenas Água Limpa, Buriti, Buritizinho, Cachoeirinha, Guató, Kadiwéu, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Nossa Senhora de Fátima, Ofayé-Xavante, Pilad Rebuá e Taunay/Ipegue.

Na tarde desta sexta (11), lideranças dos povos Avá Canoeiro, Krahô, Xerente e Apinayé, do Tocantins, Aikana, Cassupá, Puruburá, Migueleno, Kujubin, Wayoro, Sakyrabiat, Karitiana, Mamaidê-Nambikuara, Uru Eo, Guarasugne, Cabixi e Kwaza, de Rondônia, e Guarani Kaiowa, Guarani Nhandeva, Terena e Kinikinau, do Mato Grosso do Sul, entregaram uma carta direcionada ao Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, repudiando a militarização da Funai e exigindo a imediata revogação da medida que nomeou o coronel Sant’Anna e a recondução do coordenador anterior.

No documento, entregue durante um ato em frente ao Ministério da Justiça (MJ), em Brasília, os indígenas afirmam que a nomeação do coronel “é uma afronta à memória genocida de nossos povos”.

“Se não bastasse essa realidade de militarização genocida, o nomeado é flagrantemente um RURALISTA, comemorado pelas entidades de Classe no Mato Grosso do Sul, e isto é INADMISSÍVEL E INTOLERÁVEL. Trata-se de uma grave violência ética contra o sangue derramado de nossos povos em conflitos Brasil afora”, continua a carta, criticando a nova tentativa de militarização da Funai no contexto do governo Temer.

Apesar de atingir mais diretamente os povos Ofaié, Kadiwéu, Kinikinau, Guató e Terena, atendidos pela coordenação regional de Campo Grande, a medida causou indignação entre povos indígenas do Brasil inteiro, tanto pela perspectiva da militarização quanto pelo método do governo, que alterou uma coordenação da Funai em uma região sensível sem consultar e nem sequer comunicar aos indígenas. “Chega de tutela, chega de autoritarismo”, criticam as lideranças na carta.

Uma cópia do documento protocolado no MJ foi também entregue, em mãos, ao oficial de assuntos políticos do Escritório dos Assessores Especiais da ONU sobre a Prevenção do Genocídio e a Responsabilidade de Proteger, Davide Zaru (foto abaixo).

Clique aqui para ler a carta na íntegra.

Fonte: CIMI.

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