Caso Chiarello: O povo não acredita em suicídio

Divulgação/Julgamento Popular do caso Marcelino Chiarello.

Por Claudia Weinman, para Desacato. info.

Em 28 de novembro de 2011 a morte do vereador (PT/SC) Marcelino Chiarello é divulgada. Lembro-me claramente de receber a notícia na sala de redação. Marcelino era professor e vereador em Chapecó/SC e foi encontrado morto em sua casa, no bairro Santo Antônio. A cena do crime levantou no decorrer desses anos várias reações da comunidade, movimentos populares e sociais, sindicatos, organizações e do partido onde Marcelino possuía atuação. Estes defendem que a morte por enforcamento foi simulada para que a verdade sobre as denúncias que Marcelino estava fazendo na região permanecesse apenas sobre o domínio dos envolvidos.

Pessoas de convívio do ex-vereador relataram inúmeras vezes que Marcelino inclusive estava prestes a renunciar do cargo na Câmara de Vereadores, após ter feito denúncias e descobrir esquemas de corrupção envolvendo lideranças de Chapecó e o governo do estado de Santa Catarina.

Marcelino foi um militante social cuja imagem vinha despertando a atenção da sociedade por estimular discussões em defesa dos direitos humanos, participou de greves, mobilizações e projetos sociais em favor dos Sem Terra, indígenas, mulheres e toda composição social que nesse sistema não é favorecida.

A imagem de Marcelino ficou notória especialmente nas administrações de políticos como João Rodrigues e José Cláudio Caramori. Ele sempre levantou questionamentos e sempre apresentou interrogações sobre o desenvolvimento dos trabalhos em seu local de atuação.

Um texto divulgado pela página no facebook: “Julgamento Popular do Caso Marcelino Chiarello”, informa que “após quatro laudos distintos (dois apontando suicídio; outros dois, homicídio), o caso foi arquivado pelo judiciário, a pedido do Ministério Público”.

Depois de tantas lutas da comunidade em busca da verdade sobre quem, ou quais forças teriam matado ou mandado “arquivar” o que sabia Chiarello, é que o julgamento popular sobre o caso acontecerá neste sábado, dia 30, em Chapecó, na comunidade São José Operário. Será uma atividade para ouvir as pessoas que conviveram com Marcelino, que sabiam de suas angústias, que acompanharam inclusive os últimos momentos em que o ex-vereador já não podia mais deixar “por debaixo dos panos” a verdade sobre o que estava acontecendo na cidade. Caravanas vindas de vários lugares do Brasil, representações de diversos segmentos e organizações vão acompanhar o “Tribunal Popular do Judiciário” na tentativa de reabrir essa história e colocar em evidência os culpados pelo assassinato de Marcelino Chiarello.

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Claudia Weinman é jornalista, diretora regional da Cooperativa Comunicacional Sul no Extremo Oeste de Santa Catarina. Militante do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR).

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