Canadenses da Tilray vão produzir canábis medicinal em Cantanhede

Publicado em: 07/09/2017 às 14:17

A empresa canadense Tilray estima investir 20 milhões até 2020 na produção de canábis medicinal para abastecer o mercado europeu. Portugal foi escolhido pelo clima favorável, mas também pela biotecnologia.

Canadenses da Tilray vão produzir canábis medicinal em Cantanhede

Os contatos da Tilray para ter unidades em Portugal de plantação e produção de canábis começaram em 2015, tendo em 2016 feito um acordo com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) com vista a esse investimento. Em Fevereiro passado, o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde indicara ao PÚBLICO a existência de um projeto, apresentado por uma empresa do Canadá, para a construção de “uma unidade industrial de transformação e purificação” de canábis para efeitos medicinais.

A Tilray Portugal foi criada já em Março deste ano, localizando-se as instalações para a produção de canábis perto do parque biotecnológico Biocant em Cantanhede, distrito de Coimbra. Os campos de cultivo, unidades fabris e laboratórios da Tilray em Cantanhede empregarão 100 pessoas.

Ainda este mês, a empresa prevê que arranque a construção de instalações para cultivo e processamento da canábis, incluindo campos de cultivo, estufa de 10.000 m2 (metros quadrados), instalação de processamento de 1.500 m2, laboratório interno e banco genético. O objectivo é estas infra-estruturas estarem concluídas até à primavera de 2018. Apenas com a primeira fase do projeto concretizada, a Tilray prevê aumentar a sua “capacidade de produção global em 62 toneladas anuais, até ao final de 2018”.

De futuro, e até 2020, é esperada a outra fase do projecto, com mais 15 mil m2 de espaço de cultivo em estufa, 1.500 m2 destinados de área de processamento. No total, a Tilray espera ter na unidade de produção e processamento de canábis medicinal em Cantanhede estufas de 25.000 m2 e instalações de 3.000 m2.

Por que Portugal?

A Tilray tem operações no Canadá, na Alemanha, na Austrália e na Nova Zelândia e o investimento em Portugal, através da subsidiária Tilray Portugal, visa responder ao aumento da procura de canábis para fins medicinais. A empresa exporta os seus produtos para seis países e, até o final de 2017, estima vender produtos de canábis com fins medicinais para mais cinco países.

A escolha de Portugal para o investimento na Europa desta empresa líder mundial na produção de canábis deveu-se, segundo o seu presidente executivo, ao facto de o país ter acesso ao mercado comum e aos trabalhadores altamente qualificados na área da biotecnologia.

Contudo, destacou, o principal fator foi mesmo o clima, favorável ao desenvolvimento da planta canábis. “Portugal tem o clima ideal (…). O clima foi extremamente importante [na escolha], porque podemos produzir produtos [de canábis] mais amigos do ambiente”, disse à Lusa Brendan Kennedy, presidente executivo da Tilray.

A canábis medicinal e as substâncias derivadas de canabinoides produzidos em Portugal terão como destino os países europeus, sobretudo a Alemanha, onde no início deste ano foi legalizada a canábis para fins terapêuticos, disse Brendan Kennedy.

O responsável explicou ainda que a empresa quer levar a cabo, em Portugal, investigação sobre a eficácia da canábis em várias doenças, como stress pós-traumático (PTSD), doença pulmonar obstrutiva crónica, epilepsia pediátrica e náuseas provocadas pela quimioterapia, através de parcerias com investigadores académicos e hospitalares, como já faz noutros países.

O uso de canábis para fins medicinais é proibido em Portugal. No início do ano, foi noticiado que o Bloco de Esquerda pretendia avançar ainda este ano com iniciativas para legalizar a canábis para uso terapêutico, bem como para recreativo, mas até agora ainda não entrou qualquer legislação no Parlamento. Fonte oficial do Bloco de Esquerda disse hoje à Lusa que o partido está a preparar o diploma.

Fonte: PÚBLICO

Deixe uma resposta