Café AntiColonial: Simbolismo de resistência. Nosso muito obrigado/a!

Café AntiColonial: Simbolismo de resistência. Nosso muito obrigado/a!

Por Claudia Weinman, para Desacato. info. 

O Coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Juventude Rural (PJR), vem à público agradecer todas as pessoas e organizações que participaram da realização do 6º Café AntiColonial, em São Miguel do Oeste-SC, no início do mês de outubro (Dia 08). A primeira atividade da Cooperativa e Portal Desacato no interior do Estado Catarinense, que trouxe como simbolismo, o comprometimento com “A Outra Informação”, na comemoração dos 09 anos de Jornalismo de Resistência do Portal.

Gostaríamos de agradecer com estas palavras, as mulheres do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que trouxeram para o Café AntiColonial, o lançamento do Livro “Diversidade produtiva das mulheres”, e toda a organização do movimento, pela unidade estabelecida na realização desta atividade em São Miguel do Oeste.

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Café AntiColonial, São Miguel do Oeste-SC. Foto: Julia Saggioratto.

Agradecer em nome do companheiro Jilson Souza, a Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (Apafec), de Fraiburgo-SC, pelo Lançamento do projeto de camisetas sobre os pensadores e pensadoras do Brasil e aos/as companheiros/as que de longa data, vêm somando forças na construção da comunicação, da cultura popular.  Agradecer ao Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento das Mulheres Trabalhadoras Urbanas (MMTU), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Associação Afrodescendentes de São Miguel do Oeste (Afrodesmo), Equipe Paroquial da Paróquia São Miguel Arcanjo, Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte), Rádio Comunitária de São Miguel do Oeste, Cooperoeste, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), OesteBio, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), e às demais pessoas que participaram e apoiam as lutas em unidade com as organizações citadas.

Nosso agradecimento também aos/as companheiros/as do Portal Desacato, em nome da Diretora Geral de Jornalismo Tali Feld Gleiser, que da República Dominicana acompanha e contribui com os trabalhos no interior do estado todos os dias. Ao Diretor Geral da Cooperativa de Trabalho Desacato, Raul Fitipaldi, que esteve em São Miguel do Oeste há pouco tempo e contribui significativamente no fortalecimento desta aliança entre PJMP/PJR/Portal Desacato, e agradecer também, a Presidente da Cooperativa, Rosângela Bion de Assis, que participou do Café AntiColonial e reportou aos leitores/as, o andamento da atividade, além é claro, de fazer o lançamento oficial de uma base da Cooperativa em São Miguel do Oeste.

Um agradecimento todo especial, ao companheiro, Músico, Pedro Pinheiro (PJMP/PJR), pela apresentação da canção de sua autoria, denominada: “Mestiço”, a qual, carrega como símbolos, a vida e a história dos povos, a luta dos muitos/as por uma América Latina Livre. Também agradecer ao companheiro da PJMP/PJR, Eliezer A. de Oliveira, pela apresentação de duas poesias de sua autoria, poemas que retratam as realidades da roça, da favela, das gentes que sonham e lutam para viver com dignidade.

Não podemos deixar de agradecer aos companheiros e companheiras que fazem parte das organizações PJMP/PJR, que trabalharam para a realização do Café AntiColonial, seja no preparo dos alimentos, ornamentação do espaço, articulação, mobilização de pessoas, na comunicação, momento cultural, enfim, na constituição desta atividade.

E para quem não participou, deixamos parte da leitura feita na noite do Café AntiColonial, para que possam compreender o sentido desta atividade para as organizações que a realizaram.

Ser AntiColonial:  

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Foto: Museu de Imagens.

O dia 08 de outubro de 2016 é especial para as organizações populares, pastorais sociais e movimentos. No Oeste Catarinense, cidade de São Miguel do Oeste, aconteceu o 6º Café AntiColonial, uma realização da Cooperativa de Trabalho e do Portal Desacato que neste ano construiu essa atividade junto com a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) e vai comemorar os 09 anos do Portal no interior do estado.

Bem vindos companheiros e companheiras, esse momento é nosso, de unificarmos as nossas bandeiras, vidas e histórias. De reafirmarmos o compromisso com o trabalho de base, com a articulação e fortalecermos o Jornalismo de Resistência nesse Golpe de Estado que vive o Brasil.

Neste 08 de outubro, rememoramos o encantamento de Che, assassinado pelo imperialismo, por fazer a luta em defesa da América Latina Livre. Che Guevara idealizou junto com a fundação da Rádio Rebelde no ano de 1958, em Sierra Maestra, província de Cuba, uma comunicação de resistência. Sempre preocupado em comunicar a luta do povo para o povo fazendo enfrentamento com as ações, com as palavras, com sua voz.

É com esse sentimento de luta e indignação que abrimos a noite de hoje convidando nossos/as companheiros\as para compor a mesa política e manifestarem seu sentimento diante dessa atividade que carrega o simbolismo do SER ANTICOLONIAL, ANTICAPISTALISTA E ANTI-IMPERIALISTA.

O Café AntiColonial está em sintonia com as avós da Plaza de Mayo, que encontraram recentemente o neto de número 121, desaparecido pela Ditadura Militar na Argentina, período em que muitas crianças foram mortas e sequestradas. A irmã Argentina celebra essa vitória e resiste ao governo ditador de Macri. Está em comunhão também, com os/as irmãos/as do Haiti, de Cuba, que sofrem nesta semana pela passagem de um tenebroso furacão. Sabemos que no Oeste Catarinense, muitos/as trabalhadores/as haitianos/as vivem a busca por melhores salários para um dia retornarem ao seu país de origem, e que ao saberem do terror que o Haiti vive, ainda mais agora, estão angustiados/as por notícias e ajuda. Por isso colocamo-nos em unidade, com nossa total solidariedade.

Em sintonia, o Café AntiColonial também está, com a campanha permanente contra o uso dos agrotóxicos, contra o modelo Capitalista de produção e extermínio das famílias camponesas. Não queremos o adoecimento do campo, das mulheres, dos homens, das crianças, dos idosos, dos que alimentam a mesa dos/as trabalhadores/as urbanos/as. A mentira midiática de que a produção em grande escala é que deve prevalecer também é desconstruída com o Café AntiColonial. Não desejamos as doenças, a insuportável quantidade de venenos que é lançada na terra e fere com toda a diversidade.

A realização do Café AntiColonial nesta semana vem para reforçar a nossa luta e unidade com movimentos e organizações sociais, Igreja e quem mais caminha para a transformação social, a construção do Socialismo ou do Projeto que peregrina na direção da defesa da vida, na resistência anti-imperialista, anticapitalista. Por toda nossa vida vamos reforçar a defesa da humanidade, especialmente dos povos indígenas, dos/as negros/as, caboclos/as, pardos/as, cuja Guerra do Contestado vive dentro de cada um e cada uma de nós. Se olharmos para os rostos que nos cercam, vamos perceber que a diversidade ferida na história que construiu a todo custo o desenvolvimento, ainda resiste e se mantém com firmeza para desconstruir os poderes imperialistas que desejam a morte dos povos.

Pela nossa história, nesta noite, com o Café AntiColonial, queremos dizer que a imprensa golpista deve ser derrotada sim, por toda desinformação, criminalização, intransigência feita até aqui. O Oeste Catarinense está em festa e em luta por uma comunicação de resistência, de liberdade, de unidade com os interesses coletivos.

Nosso desejo para hoje, vestido nessas palavras, é de um Viva bem grande a revolução e as transformações que desde a base têm acontecido, mesmo com tantas dificuldades. Pelos direitos, pelas mulheres, pelos companheiros, pelo Feminismo, pela juventude pobre e negra que é abordada nas portas de suas casas e agredida pela força policial, pelos Sem Terra, trabalhadores/as urbanos, do campo, dizemos: BASTA DE IMPRENSA GOLPISTA.

Para sempre vamos nos emocionar com o povo Venezuelano, Cubano, e de outros países da nossa América Latina, que grita nas ruas “Viva a Revolução”, que carrega na consciência: “Alerta quem caminha”, que conversa cotidianamente sobre: “Na nossa força dos povos, dos pobres, de homens e mulheres, a construção do Socialismo, da solidariedade”, da unidade Latinoamericana.

Ser anticolonial não significa negar o campo, pelo contrário, o sentido está ligado a ideia de sermos anti-imperialistas, anticapitalistas, que resistem ao processo de violência, de racismo, de extermínio que de longa data fere os povos do Oeste Catarinense, do Brasil, da América Latina, do mundo. Ser AntiColonial é negar as imposições doloridas feitas pelos sócios do agronegócio, do sistema empresarial. É evidenciar, dentro de um cenário de enfrentamento, que não queremos dividir o Sul do que movimentos racistas denominam como sendo o ‘resto do Brasil’, que negamos o Movimento “O Sul é o meu país” e seguiremos a luta pela libertação dos povos, pela América Latina livre e que vamos dar seguimento a construção da Outra Informação.

Imagem de Capa: Pedro Pinheiro.

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