Burundi: Após anúncio de golpe, militares leais a presidente e opositores entram em confronto

ierre Nkurunziza ainda não conseguiu voltar para o Burundi; governo diz que golpe fracassou. EFE
Pierre Nkurunziza ainda não conseguiu voltar para o Burundi; governo diz que golpe fracassou. EFE

Pouco menos de 24 horas após a declaração de golpe de Estado no Burundi, forças leais ao presidente Pierre Nkurunziza entraram em confronto com militares opositores no centro da capital do país, Bujumbura. O mandatário voltou a insistir nesta quinta-feira (14/05) que o golpe “fracassou”, apesar de não conseguir retornar ao país.

A derrocada do governo foi declarada pelo ex-general Godefroid Niyombare na quarta (13/05), pelo rádio. A oposição aproveitou uma viagem de Nkurunziza à Tanzânia, onde o presidente discutiria a crise no Burundi, para decretar a presidência vaga. O mandatário tentou voltar ao país, mas, como as forças leais a Niyombare fecharam o aeroporto da capital e as fronteiras, o presidente voltou a Dar es Salaam.

Nesta manhã, militares golpistas e partidários de Nkurunziza batalhavam pelo controle da TV e radio nacional RTNB. Uma rádio privada, que retransmitiu o discurso de Niyombare, foi atacada com artilharia.

No final da noite de quarta, o chefe do Estado-Maior do Exéricto, Prime Niyongabo, voltou a insistir no fracasso do golpe, e pediu aos opositores que depusessem as armas.

Crise

A crise no Burundi começou após o anúncio da intenção de Nkurunziza de tentar renovar seu mandato, de cinco anos, pela segunda vez. Opositores dizem que isso seria inconstitucional. O presidente, no entanto, afirma que, como foi eleito em 2005 pelo parlamento local, teria direito a mais uma reeleição (a primeira foi em 2010) pelo voto popular.

Desde abril, mais de 20 pessoas morreram e 220 ficaram feridas em meio às manifestações. Na escalada da crise, o governo exigiu, no último sábado (09/05), o fim imediato de todos os protestos contra Nkurunziza.

Observadores internacionais manifestaram preocupação com a crise institucional no Burundi. O Conselho de Segurança da ONU, na sexta-feira (08/05), pediu moderação e eleições igualitárias no país.

A União Africana, os EUA e a União Europeia condenaram a nova candidatura de Nkurunziza, que, no entanto, tem rejeitado repetidamente, de acordo com a AFP, os apelos da comunidade internacional.

Fonte: OperaMundi.

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