Brasil se derrete. Explicação aos jovens.

Por Milton Saldanha, jornalista.

Foi na minha infância, década de 1950, quando ouvi pela primeira vez a frase “O petróleo é nosso!”

Que meu pai, oficial do Exército, apoiava, comentando em casa. Não era voz rara. O Clube Militar, que então tinha expressão política nacional, avalizava a importância do monopólio estatal.

Em 3 de outubro de 1953 foi inaugurada a Petrobrás, criação de Getúlio Vargas. Com um patrono informal e famoso chamado Monteiro Lobato.

Tudo no Brasil era importado. Quase tudo. O caminhão FNM, de cara chata, parrudo, era uma marca pelas estradas da nossa capacidade de marchar por nossos próprios braços.
Inacreditável que depois tenham fechado aquela fábrica, para entregar o mercado a empresas estrangeiras.

Éramos um país essencialmente produtor agrícola, com ênfase no café. Mas já havia a siderúrgica de Volta Redonda, que foi nosso passaporte para a industrialização. Sem isso, não teria existido aquele projeto do governo JK, que abriu o parque automobilístico, trazendo o capital estrangeiro. Mais importante ainda, a indústria de base, aquela que produz as máquinas e equipamentos para a outra, a dos bens de consumo.

Seu único erro foi endossar o sucateamento da ferrovia, processo que se consolidaria na ditadura, e pelo qual ainda vamos continuar pagando muito caro.

Bem ou mal, com erros e acertos, o Brasil foi tomando feições de um país que crescia com vocação para se transformar numa potência mundial, algo como é a China hoje.

O problema foi seu inimigo: o próprio brasileiro. Parte dele, bem entendido. Que ficou com a cabeça estacionada em 1945, quando se dizia uma frase no mínimo burra: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

OK, mas faltou combinar com eles.

Ao ver a Embraer na rota de virar uma divisão da Boeing mundial, numa joint venture cretina, onde a empresa norte-americana detém 80% do controle acionário, a única imagem que me vem na cabeça é a do Brasil derretendo.

Vamos na contramão do resto do mundo.

Querem entregar tudo. Não vai sobrar nada 100% brasileiro.

Saudades dos anos 1950. Quando, bem ou mal, e com as turbulências de sempre, pelo menos havia um projeto de Brasil.

Por isso se dizia que era o País do futuro.

Futuro que foi atropelado pela corrupção de alta escala, que explica tudo.

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