Autores negros e negras estão entre os 5 mais vendidos da Flip 2019

Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, dentre os 5 cinco livros mais vendidos estão 4 autores negros e 1 indígena. O que pode parecer apenas uma estatística de ranking, na verdade transmite algo importante que é o interesse particular, em meio ao bolsonarismo, de uma literatura anti-racista que desperta a paixão pela leitura de milhares de jovens e trabalhadores negros sobre temas da identidade negra, das lutas anti-racistas, do genocídio de povos do continente africano, do próprio continente africano nos dias atuais, do orgulho racial, entre outros temas.

Por Silvia Shakur

Imagem: Reprodução

O livro mais vendido na Flip foi o da escritora portuguesa Grada Kilomba “Memórias da Plantação – Episódios de Racismo Cotidiano”, além desse estão os livros da escritora nigeriana Ayobami Adebayo, do angolano Kalaf Epalanga, do burundiano Gael Faye, da Djamila Ribeiro e do indígena Ailton Krenak.

Num cenário nacional onde Bolsonaro representa uma ameaça a vida dos negros com seus discursos racistas, colocando inclusive em questionamento as bases ideológicas forjadas pela burguesia brasileira de que não há racismo no Brasil através da democracia racial, o interesse desses jovens e trabalhadores por livros que debatem a questão racial é um fenômeno progressista.

Espaços onde temas como a questão racial e as lutas anti-racistas são ensinados e debatidos também estão na mira do governo racista e reacionário de Bolsonaro. Wintraub, por exemplo, fanático adorador de Olavo de Carvalho assim como o presidente, quando anunciou os cortes das universidades federais colocou em cheque a existência desse tipo de conhecimento nas universidades. Lá não apenas os jovens podem ter contato com esses livros e autores mais vendidos da Flip, mas também com outras obras de militantes e intelectuais que dedicaram suas vidas com um empenho irresoluto ao combate ao racismo e à exploração capitalista.

O interesse expressivo por esses autores e seus temas é por um lado a dimensão progressista da reinvindicação da identidade negra frente ao bolsonarismo e seu projeto racista de país, e por outro uma expressão distorcida de como negros e negras que se colocam contra bolsonaro e seus aliados olavistas podem de fato combater ataques como a reforma da previdência e o pacote anti-crime de Moro.

Ainda sim, não podemos enxerga de outra forma que não seja positiva para esse fenômeno, que frente a um projeto de precarização da vida de milhões negros e de intensificação dos assassinatos pela polícia cotidianamente, há um juventude negra que prefere ler e apreender com uma literatura anti-racista frente ao “guru” Olavo de Carvalho, que rechaça o racismo, o machismo e a LBGTfobia de Bolsonaro e que vêm sendo um pólo de enfrentamento ao bolsonarismo e seu projeto de país racista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.