Ativista ambiental é ameaçada

Publicado em: 08/04/2011 às 22:46
Ativista ambiental é ameaçada
Texto e foto de Celso Martins. Sambaqui na Rede. sambaquinarede2.blogspot.com

Ativista ambiental é ameaçada

Carolina Gomez da Siilva, 22 anos de idade, residente no Farol de Santa Marta, acaba de ser ameaçada e agredida por questionar a implantação de asfalto entre a Passagem da Barra (Laguna) e o Camacho (Jaguaruna). É a terceira vez que isso acontece nos últimos dois meses, segundo relata João Batista Andrade da ONG Rasgamar. Será feito um Boletim de Ocorrência do caso junto à Polícia Civil de Laguna.

A estrada a ser pavimentada fica entre o mar e as lagoas, passando por dunas e afloeramentos de lençóis freáticos. Por esse motivo moradores, pescadores e ativistas ambientais pedem a realização de uma audiência pública para a discussão do projeto.

Em ofício ao governador Raimundo Colombo e outras autoridades estaduais e federais a Rasgamar denuncia existência de interesses imobiliários em áreas preservação. Loteamento clandestinos estão sendo abertos e os lotes vendidos livremente.

Confira a seguir a íntegra do depoimento de Carolina sobre as agressões e ameaças sofridas e do referido ofício às autoridades. (Por Celso Martins)

Depoimento

“Daqui a duzentos ou trezentos anos, ou mesmo mil anos – não se trata de exatidão – haverá uma vida nova. Nova e feliz. Não tomaremos parte nessa vida, é verdade…. Mas é para ela que estamos vivendo hoje. É para ela que trabalhamos e, se bem que soframos, nós a criamos. E nisso está o objetivo de nossa existência aqui”. (Tchekhov, Três irmãs)

Eu, Carolina Gomez da Silva, brasileira, filha do mecânico Luis Carlos da Silva e da dona de casa Lídia Graciêla Gomez da Silva, nasci no dia seis de agosto de mil novecentos e oitenta e oito na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.

Venho por meio deste, a fim de declarar, denunciar e dar ciência, que no dia três de abril de dois mil e onze na localidade de Passagem da Barra, cidade de Laguna, Santa Catarina, tive minha integridade física ameaçada e fui moralmente agredida e expulsa por, na tentativa de exercer meu dever como cidadã brasileira, expressar minha manifestação em um ambiente público e por sua vez no regime de estado democrático de liberdade de expressão e defesa sócio ambiental.

Segue a declaração dos fatos:

Por volta das dezenove e trinta eu e mais quatro pessoas entre elas: Maria de Fátima do Nascimento, Murilo…, Luiz Otávio… e Marcela Peppeler Limas, chegamos no Salão Paroquial da comunidade de Passagem da Barra, no intuito de participar de uma reunião pública tendo como assunto “Asfaltamento da rodovia SC-100 Interpraias”. Antes da formação da mesa, pedi se havia inscrição para fala para as pessoas que estavam com a lista de presença, mas não obtive êxito. A mesa foi formada com a presença do Governo Estadual representado por Valdir Cobalchini do Departamento de Infra estrutura do estado de Santa Catarina ( DEINFRA-SC), do deputado federal Edinho Bez, representante da prefeitura de Laguna Jefersson Crippa, a empresa CETEP, Câmara de Vereadores de Laguna, entre outros. Também estava presente a imprensa de Laguna. No decorrer da reunião falaram sobre a obra de pavimentação, o asfalto, anunciando o início da execução para o dia dez de maio de dois mil e onze, e também o anúncio do progresso e do desenvolvimento da Ilha para depois da conclusão da obra. Havia entorno de umas cem pessoas. Eu, ciente de que estava em um ambiente coletivo, pedi a fala, erguendo o braço direito, sendo impugnada e desconsiderada pelas pessoas que estavam no comando da reunião quando, após a fala do vereador “Dudu” Carneiro e posteriormente do representante do governo, a Maria Aparecida Ramos “Cida”, que estava no comando, encerrou a reunião. Neste momento me direcionei, educadamente, à frente da mesa dirigindo a palavra ao representante do DEINFRA Valdir Cobalchini, dizendo: “Não houve nenhuma audiência pública na comunidade do Farol de Santa Marta, ninguém conhece o projeto da estrada, não ouve nenhuma audiência pública no Farol e a comunidade têm o direito de participar do processo de construção da estrada”, neste momento, fui brutalmente interrompida por um homem alto, de aparência e atitude movida por raiva, ódio e obsessão, à minha direita, me agredindo com palavras baixas à berros tão altos e me apontando o dedo indicador falando “você nem daqui é, eu moro no Farol sei que a comunidade do Farol quer asfalto…”, fui calada a berros como jamais, a um ponto insuportável que tive que baixar a cabeça, e neste momento Maria Aparecida Ramos “Cida” se posicionou a minha esquerda, muito próxima, falando coisas que não consigo lembrar, o homem eu conhecia apenas por uma reportagem de jornal por desviar dinheiro público, era o Vanderlei Vargas Fausto, que continuou interruptamente a me xingar a gritos me ameaçando, induzindo as pessoas que estavam ali contra mim falando muitas ofensas, eu, a ponto de defender meu direito constitucional, retomei forças e falei diversas vezes “democracia, vivemos numa democracia é um direito da comunidade, queremos uma audiência pública no Farol, vivemos numa democracia, democracia, democracia…, é um direito, audiência pública, audiência pública…”, as pessoas se aglomeraram ao nosso redor, o homem Vanderlei continuava a gritar “ela é contra o asfalto” enquanto eu falava, ele disse “que democracia o que … são contra o asfalto!” , “Essa aí é mais uma da ong Rasgamar é contra o asfalto, sai fora daqui sua vagabunda…”, neste momento, senti a pior repressão e ditadura, mesmo perante órgãos públicos do governo, os quais deveriam conhecer os direitos e os respeitar, se omitiram perante tal situação. Não havia policiamento, as pessoas começaram a gritar “fora, fora, fora, fora…”, me ameaçando, Marcela estava abraçada ao meu lado esquerdo e estávamos cercadas de pessoas gritando e nos xingando, estávamos sendo expulsas de um ambiente público, neste momento a Marcela, assustada e tremendo falou “vamos embora Carol, vamos”, em direção a porta de saída a Cida (Maria Aparecida Ramos), em cima do palco num nível físico mais alto do que eu falou “o que que tu ta fazendo aqui?” eu disse “audiência pública no Farol”, e continuamos em direção a saída quando eu estava de costas o homem (Vanderlei Vargas Fausto) continuara, em incessantes gritos, “vai trabalhar sua vagabunda… vadia” e as pessoas “fora, fora” e mais uma vez Vanderlei falou: “sua puta, sai fora daqui”, de costas Vanderlei possuído e permanecendo naquele estado dizia “manda aquele vagabundo do Batista trabalhar…” as pessoas, “fora, fora, fora…”, já do lado de fora uma outra mulher, que não conheço, falou “se isso é jeito de falar com uma mulher, manda ele devolver o que ele roubou…”. Marcela estava muito nervosa…Maria de Fátima do Nascimento se aproximou, após ter presenciado tal violência, estava ela indignada e nos direcionou ao seu carro e depois voltamos para o Farol de Santa Marta chegando por volta da vinte e duas horas.
No domingo, dia três de abril de dois mil e onze, tive meus direitos, garantidos pela Constituição Federal, violados, minha integridade física ameaçada, fui moralmente agredida por Vanderlei Vargas Fausto, por pensar diferente, na tentativa de defender um ambiente saudável, socialmente justo e participativo para as gerações presentes e futuras.
Um lugar especial do território nacional, de patrimônio natural, arqueológico e histórico cultural de imensurável valor, belo, especialmente protegido, um local onde as interferências não podem afetar a saúde e a harmonia, o bem maior vida. A população tradicional vive secularmente da pesca artesanal. É um local de interesse turístico instituído por lei federal. Esta é a região do Cabo de Santa Marta. Para apreciação, educação e preservação.
Não foi realizada nenhuma audiência pública para apresentação e discussão do Estudo de Impacto Ambiental. A Licença Ambiental, nesse sentido, é nula, pois somente poderá ser expedida com audiência e participação da população.
Não somos contra nada, somos a favor do saneamento básico do Farol, a favor da preservação da Natureza, da cultura, a favor do controle da ocupação, da visitação, a favor de projetos que respeitem o contexto da região e, da ORDEM PARA DEPOIS O “PROGRESSO” RESPONSÁVEL. Acreditamos que é possível.
CLAMO POR JUSTIÇA!!!

 

Sambaqui na Rede.
sambaquinarede2.blogspot.com

 

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