As nomeações de Gean e o Estado para os interesses da burguesia

Publicado em: 15/03/2017 às 09:10
Foto: A Barricada
Foto: A Barricada

Por Leonardo Cecchin, para Desacato.info.

A crise política surgida a partir de uma econômica de certa forma tirou o véu da democracia no Brasil. A hierarquia entre os poderes, assim como o voto popular, deixaram de ser levados em consideração num regime onde descaradamente está sendo feito de tudo e de qualquer maneira que torne possível a implementação de ajustes neoliberais. A partir do momento em que o Judiciário passou a representar de forma mais adequada os interesses do grande capital estrangeiro, esse largou a função de executar as leis visíveis do cotidiano para executar as invisíveis. Assim como o governo de Dilma Rousseff desgastado pela conciliação de classes petista precisou sair de cena para a entrada de alguém sem responsabilidade com nenhuma base social do tipo daquela que elegeu Dilma. Apenas com os grandes empresários e a “retomada da economia”. O que para nós, reles mortais do lado de fora do parlamento, significa que a vida vai ficar mais difícil ainda.

A grande mídia diz o oposto disso. A crise econômica é em decorrência da política, e por isso o país precisa de mais gestores, que implementem governos de Estado mínimo e ampliem mais ainda a predominância do privado sobre o público. Só assim “retomaremos a economia”. Aquela imagem do Estado como garantidor dos direitos de cada cidadão num regime democrático onde todos têm os mesmos direitos, caiu por terra. Os métodos espúrios de governar, com negociatas e corrupção generalizada, herdados de séculos de colonialismo, foram postos à mostra – certamente como carta à favor dos não-políticos, gestores, mas ainda assim. Tribunais de Justiça comprados, políticos desviando bilhões, empresários atrás das grades. Tudo isso favoreceu o cenário com maior número de votos nulos já registrados, em cidades como São Paulo, onde esse direcionamento superou até o primeiro colocado, João Dória.

Escolhido a dedo pelos ricos de Santa Catarina, Gean Loureiro pode ser considerado nosso Michel Temer a nível municipal, com a diferença de que recebeu votos para estar neste cargo. Sua primeira medida como prefeito de Florianópolis foi aquela posta na ordem do dia dos defensores do grande capital: Os ajustes. Ali nasceu o pacote de maldades que ficou famoso com a resistência dos servidores públicos numa das maiores greves da história. Cortes nos direitos trabalhistas, redução de investimentos nas áreas públicas e privatizações, muitas privatizações. O movimento de servidores conseguiu impor uma derrota parcial à este pacote, que teve removido os pontos referentes aos direitos mas questões tão importantes como a privatização mantidas.

Da máscara de gestor que pegou emprestada do prefeito de São Paulo, Gean precisou enfatizar que apesar de ter uma grande coligação atrás de si (PMDB / PSDB / DEM / PDT / PRB / PRTB / PSC / PTB / PTN / SD / PR / PRP / PPS / PPL / PTC) não governaria para os partidos, mas sim para a população. Pode ser ressaltado que nessa história, para quem ele realmente governa nem é mencionado nos veículos de comunicação, como o grande empresário Jorge Luiz Savi de Freitas, da Intelbras, que foi o maior financiador da campanha de Gean. Ocorre que depois de se queimar politicamente através do embate travado com os servidores, ele decide por pegar o grande cabide chamado Cargos Comissionados e preenchê-lo com os 15 partidos corruptos e de direita de sua coligação. Não considerando aqueles que se dizem apartidários, como o Movimento Brasil Livre, que também foi lembrado na hora do preenchimento.

Toda essa casta de políticos que vocifera em defesa de um Estado mínimo e contra os direitos sociais, é presenteada com incontáveis privilégios como grandes salários, bolsa isso e aquilo, para nos momentos necessários terem seu lado já garantido de antemão. É isso que fica à mostra com a crise econômica, política e social do Brasil hoje, e quando os de cima derem um jeito de deixar tudo como antes, que nos lembremos desse momento onde pudemos ver a real cada do Estado: Um instrumento de classe dos ricos, gerenciado por burocratas privilegiados que não pensam duas vezes em tirar dos que já não tem nada para dar aos que já tem tudo. Gean não tem nada de especial, as cordas que o movimentam são as mesmas que das demais marionetes.

[A opinião expressa no texto não necessariamente corresponde à do Portal Desacato. Trata-se de uma avaliação pessoal do autor]

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