Artista plástico Kabudi Ely expõe pinturas em Luanda

 

 Por Manuel Albano.

Pintor reflecte sobre a importância do pão.

“O tempo tudo destrói menos o pão” é o título da exposição individual do artista plástico Kabudi Ely, inaugurada amanhã e que fica aberta ao público até ao próximo dia 21, no Hotel Skina, em Luanda.
Os 15 trabalhos expostos, pintados a acrílico sobre tela e técnica mista, são o resultado de um trabalho de pesquisa efectuado pelo pintor, junto de mais de 200 pessoas, ao longo de um ano. O objectivo era averiguar elementos históricos, simbólicos e culturais do pão. “Ao longo desse período, tive várias dificuldades na preparação do trabalho, por existir pouca bibliografia sobre a história do pão”, explicou ontem Kabudi Ely, em conferência de imprensa dada em Luanda.
Os angolanos viveram intensamente grandes memórias, no período pós independência, acrescentou. “Uma das coisas que não compreendia era o facto de na minha infância ter de me levantar de madrugada, arriscar a vida, fugir ao recolher obrigatório, para marcar lugar numa fila e, depois de muita confusão, comprar apenas dois pães”.
Em geral, esclareceu, os seus quadros têm feito a “desconstrução da imagem através de linhas em espiral, baseadas na arte do realismo, abstracto e contemporâneo, de forma a indicar que a vida é um ciclo com movimentos intensos”. A nível cromático, adiantou que usa as cores de forma suave, fazendo o movimento através dessas linhas em espiral com situações sociológicas contemporâneas.
A opção pelas cores suaves prendem-se com o facto de procurar representar a imagem do sossego, paz e tranquilidade, como uma necessidade primordial do resgate dos valores culturais e cívicos: “As minhas obras são códigos estéticos de fácil leitura e compreensão”.
Kabudy Ely, nasceu em 1972, no Kwanza-Sul, e pinta há 20 anos. Participou em várias exposições colectivas em Angola, em Portugal, na Alemanha e na Noruega. É membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).

Fotografia: Cedida pelo artista.

Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao

3 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente não tem onde ver as suas obras. A África é quase um continente fantasma na internet. Um abraço

  2. Busqué en la red para conocer la obra de este artista, pero nada hallé. ¿Podrá publicarse un sito para verlas? Gracias.

  3. Parabéns pela iniciativa de não se acomodar com a pauta corrente de notícias sobre a África, conduzida exclusivamente pela perspectiva econômica utilitarista.
    Como dizia Ruy Mauro Marini, “A integração latinoamericana, como arma principal na luta contra a dependência e pelo desenvolvimento, não pode ser vista como algo que interessa somente ao governo, aos empresários e à economia. Ela tem que ser entendida como uma grande empresa política e cultural, capaz de convocar à participação ativa todos os setores do povo.
    Onde se lê “integração latinoamericana”, podemos muito bem ler “qualquer integração”.
    A realidade do Brasil não se resume àquela vista nas novelas (que passam em África) ou à Igreja Universal do Reino de Deus (fortemente presente, por exemplo, em Moçambique).
    E a realidade dos africanos não se resume às oportunidades de negócios para os grandes empreiteiros, petroleiros, etanoleiros e ruralistas, ou àquela apresentada em fugazes e raros minutos pasteurizados no Jornal Nacional.

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