Após vazamento de mensagens no Telegram e protestos nas ruas, governador de Porto Rico renuncia

Nas mensagens vazadas, Rosselló faz chacota dos mortos em decorrência da passagem do furacão Maria, em setembro de 2017; o agora ex-governador também enfrenta denúncias de corrupção

O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, renunciou ao cargo na noite desta quarta-feira (24/07), madrugada desta quinta no Brasil (25/07), após o vazamento de mensagens do Telegram do político e uma onda de protestos que exigiam a saída dele da liderança da ilha. Ele disse que deixará o governo no dia 2 de agosto.

A renúncia veio um dia depois da expedição de um mandado de busca e apreensão para obter o celular do governador e outras 11 pessoas envolvidas nas mensagens. Para tentar salvar o mandato, o porto-riquenho disse que não concorreria à reeleição, mas os protestos não arrefeceram.

Nas mensagens vazadas, Rosselló faz chacota dos mortos em decorrência da passagem do furacão Maria, em setembro de 2017. Elas foram reveladas no último sábado (13/07) pelo Centro de Jornalismo Investigativo, que recebeu um documento de cerca de 900 páginas por uma fonte anônima.

Em várias das conversas, o governador se dirige de maneira grosseira e insultante a dirigentes políticos e líderes sociais da oposição. Em uma delas, Rosselló se refere a Melissa Mark-Viverito, ex-vereadora de Nova York nascida em Porto Rico, com uma palavra que é sinônimo de “prostituta” em espanhol. Além disso, ele chamou a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, de “filha da puta” e questionou se ela havia “deixado de tomar os remédios”.

Rosselló também dirigiu, nas conversas, comentários homofóbicos em relação ao cantor porto-riquenho Ricky Martin, que revelou sua homossexualidade.

Em sua defesa, o governador disse, segundo a AFP, que o chat era usado “para liberar tensões de dias de 18 horas”. “Mas nada disso justifica as palavras que escrevi.”

Corrupção 

Às mensagens, somam-se as acusações de o governador participou do desvio de US$ 15,5 milhões dos recursos enviados por Washington para as áreas de educação e saúde. Ao menos seis ex-membros do governo e empresários já foram presos.

Entre os envolvidos, estariam a ex-secretária de Educação Julia Keleher, a ex-diretora da Administração de Serviços de Saúde, Ángela Ávila. Elas são acusadas de participar de um esquema fraudulento para contratação de uma consultoria.

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