Após reunião em Minsk, acordo na Ucrânia prevê cessar-fogo, anistia e eleições

Reunião entre líderes de França, Alemanha, Rússia e Ucrânia durou 15 horas; acordo também prevê retirada de tropas estrangeiras e armamentos pesados.

Minsk

Putin, Merkel, Holande e Poroshenko não assinaram o acordo, mas se comprometeram com a implementação.

 

Após 15 horas de reunião com os líderes de Ucrânia, França e Alemanha para resolver a crise ucraniana, o presidente russo Vladimir Putin anunciou ontem  (12) que foi acordado um cessar-fogo no leste da Ucrânia que entrará em vigor a partir da zero hora de domingo (15). Líderes das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk também firmaram o documento para restabelecer a normalidade na região.

“Chegamos a um acordo importante”, disse Putin a jornalistas na cúpula de Minsk, no Belarus. Segundo ele, as negociações contemplam um pacote de medidas para a aplicação dos acordos de Minsk assinados em setembro de 2014 e a retirada de armamento pesado de ambos os lados.

Conforme noticiado pela agência RT, o acordo prevê:

– troca de prisioneiros por ambos os lados em um prazo máximo de 19 dias;
– concessão de anistia geral pelo governo central de Kiev aos manifestantes do leste do país;
– reforma constitucional “profunda”;
– eleições municipais, após as quais será restabelecido o controle do governo sobre as fronteiras entre Donetsk e Lugansk, o que deverá ocorrer até o fim do ano;
– reforma política na Ucrânia com a descentralização e status especial para as regiões de Donetsk e Lugansk; e,
– nova legislação que contenha o direito à linguagem (na região, a maior parte da população fala russo), autodeterminação, manutenção de laços fronteiriços com a Rússia e permissão para que os governos locais empossem procuradores e juízes.

Putin explicou que a demora na conclusão das negociações aconteceu porque as autoridades de Kiev se negavam a manter contato direto com os manifestantes do leste do país.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também em declarações à imprensa, disse que o cessar-fogo é “um raio de esperança” para acabar com o conflito, como informou o site The Moscow Times.

“Partimos do pressuposto de que todas as partes do conflito ucraniano vão manifestar contenção até a cessação total das hostilidades”, ressaltou Putin.

O documento foi assinado pelos manifestantes no Grupo de Contato, que inclui Kiev e os separatistas pró-Rússia com mediação da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). Os líderes de Ucrânia (Petro Poroshenko), Rússia (Putin), Alemanha (Merkel) e França (François Hollande) não assinaram o material, mas se comprometeram verbalmente com a implementação do acordado, como informou o site Sputniknews.

O chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, Aleksander Zakharchenko, que assinou o documento, afirmou que ele requer consultas adicionais, mas se “os termos forem quebrados, não ocorrerão novos memorandos ou reuniões”. Na mesma linha, Holande afirmou, antes da reunião, que esta era a última chance para a paz.

Caso o processo diplomático não tenha sucesso, poderá haver um recrudescimento dos embates. Os Estados Unidos já sinalizaram disposição de enviar armamento à Ucrânia para que o país se defenda da “ameaça russa”. A Europa teme que este cenário possa desencadear uma guerra aberta na Ucrânia, tendo como atores os maiores rivais dos tempos da Guerra Fria.

EUA

Em meio às negociações em Minsk, os Estados Unidos anunciaram 11/02 que enviarão um batalhão com cerca de 600 soldados para treinarem as tropas ucranianas e melhorar sua capacidade de se defender de ataques de artilharia do grupo opositor.

Soldados da 173ª brigada aerotransportada, com base na Itália, começarão em março a treinar a Guarda Nacional Ucraniana e fornecerão capacitação defensiva contra ataques de artilharia e lançamentos de foguetes, e para defender estradas e posições estratégicas.

Fonte: Rede Brasil Atual/ Opera Mundi

Hoje 13/02 AFP afirmou: “Pelo menos 11 mortos no leste da Ucrânia após acordos de Minsk” (Desacato.info)

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