Aos 50

Por Rosangela Bion de Assis, para Desacato.info.

Por anos tive certeza de que a festa havia acontecido.

Até que finalmente vi, havia uma data na imagem da menina vestida de lã.

Não era março.

Meu avô tocava pistom nas tardes de verão, sentado no degrau na porta da sala.

Ele havia nos alegrado com suas músicas naquele dia.

Todo instrumento de sopro me carrega para aquela cena, e para um zelo que eu compreendi quando o encontrei na saída do Jurema Cavallazzi e depois encontrei novamente, sem ele nunca admitir que me esperava, que me cuidava.

 

Quando abri os olhos, 50 anos haviam se passado desde a manhã que fui puxada à fórceps para este mundo.

Quando acordei, uma filha tinha partido.

Saí de casa com a mesma idade. Ela foi mais corajosa, foi sem marido e sem a TV14 polegadas.

Quando acordei, ele estava do meu lado.

Nem preciso dos seus olhos abertos para sentir o amor que derramam.

Naquele dia, eu distribuí bolo

Tomei café com minha mãe

e fiz uma sopa.

Estava tão cansada e tão animada com tudo que pode acontecer.

‘Só 50’, dirá minha vó de 98, ‘já 50’ dirá minha mãe de 73, ‘como é envelhecer?’ pergunta minha filha de 17.

É só outro número, penso eu

absurdamente empolgada com as possibilidades.

 

Rosangela Bion de AssisRosangela Bion de Assis é jornalista, poetisa e presidenta da Cooperativa Comunicacional Sul.

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