Antes ser traído do que derrotado: Algumas reflexões sobre o atual momento político.

broken heartPor João Gabriel Almeida.
Os setores progressistas brasileiros perderam de vista um elemento fundamental do jogo político: a vitória. Se por um lado há uma gama expressiva atolada no governismo, aplaudindo a roupa da Dilma enquanto sofre reduções dos direitos trabalhistas, há por outro lado um setor que insiste no histérico “eu avisei”, resguardados na salvação moral do voto nulo, como se detivessem alguma verdade elementar. Declarei meu voto à Dilma e resgato minha tese fundamental: para além das questões objetivas, há um outro elemento importante para a disputa política que é o desejo de mudança. Um processo eleitoral, como qualquer outro evento político, possui a magia de ultrapassar sua “realidade” ordinária [várias pessoas cumprindo sua tarefa burocrática dentro do Estado Burguês de referendar alguém, blá,blá, blá] para poder agitar o desejo das pessoas. Uma vitória de um negro gritando “yes, we can!” não significou nenhum abalo ao sistema, mas abriu brechas para jovens ocuparem Wall Street.
A ideia de que eleger um falso progressista é o mesmo que eleger um conservador é falsa. Por mais que possa servir de sedativo em maior ou menor escala dos movimentos sociais, devido a coptação de seus dirigentes, um falso progressista precisa mantes a esperança no povo, não pode ser simplesmente cínico. Por isso não me arrependo em ter votado em Dilma. Aécio reiteraria o cinismo da política. Todo mundo já esperaria posturas conservadoras, o que poderia ser cobrado? Dilma não. Por mais que os setores com uma leitura mais refinada soubessem das similaridades entre PT e PSDB, não foi isso o prometido. E não venham me falar em programa eleitoral, sabemos muito bem que não é a isso que as pessoas aderem. Dilma prometeu mudar mais. Seu fracasso miserável, a frustração daqueles que ainda insistiram nisso abre um campo político fértil para se construir uma alternativa. A política é que nem o amor. Se não consumamos o ato podemos idealizar, sonhar como teria sido, viver uma ilusão. Se nos jogamos e o parceiro nos trai, frustra nossas expectativas, é muito mais fácil de seguir em frente. O povo brasileiro é corneado há 12 anos e agora o PT sequer se preocupa em esconder o amante dentro do armário. Kátia Abreu, Kassab, Armínio Fraga estão aí na frente de todos. Hora de criarmos novos amores.

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