Aniversário do golpe em Honduras

Publicado em: 27/06/2010 às 21:32
golpe hondurasPor Carlos  Henrique Pianta.
 Um ano passou desde o golpe que depôs o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, sob acusações de que pretendia um segundo mandato (o que não é permitido em Honduras). A Capital Tegucigalpa, no dia 28 de junho de 2009, amanheceu tomada por militares que impediram que os veículos de comunicação dissessem uma só palavra sobre o que acontecia. Assumiu a presidência Roberto Micheletti, que instituiu uma forte repressão ao povo hondurenho. Zelaya, expulso do país, retornaria mais tarde, sendo abrigado na Embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Em Honduras, assim como no Brasil, a maioria dos meios de comunicação apoiou o golpe, já são pertencentes a poucos empresários podres de rico, que viam na aproximação de Zelaya e do presidente venezuelano, Hugo Chávez, uma ameaça à sua hegemonia. Por mais que o golpe tenha sido bem executado, as ambições dos meios de comunicação hondurenhos foram por água a baixo. Uma rádio chamada Rádio Globo Honduras (que nada tem a ver com as organizações da família Marinho) decidiu seguir na contramão. A Rádio Globo começa a transmitir 24h por dia, denunciando o golpe e a repressão que se instalara naquele país. Driblando os censores eles ficam no ar até 21 de Setembro de 2009, quando a rádio é invadida pelos militares. A emissora começou a transmitir na clandestinidade até o dia 19 de outubro. A Rádio Globo, que figurava na terceira colocação da audiência, virou a rádio mais ouvida de Honduras e passou a ser acompanhada, pela Internet, por países do mundo todo.

Além da rebeldia midiática da Rádio, o povo hondurenho saiu às ruas protestando contra o golpe. Milhares de pessoas, todos os dias, mostram cartazes, tapam suas bocas com esparadrapos, e realizam várias formas de protestos. Para retrucar, a polícia e o exército, excessivamente armados, atacam seu próprio povo, seus irmãos de pátria, que reivindicam direitos básicos de todo o cidadão: votar, eleger e ser respeitado.

A repressão de Micheletti seguiu até as eleições realizadas em 29 de novembro. Nesse dia foi eleito para presidente Porfírio Lobo. O pleito, todavia, foi ilegal do começo ao fim. As eleições foram mantidas mesmo com a ditadura que depôs o presidente. Para a realização de novas eleições, preceitos democráticos deveriam ter sido respeitados. A volta de Zelaya ao cargo para o qual foi eleito democraticamente, o término da censura aos poucos meios de comunicação que se opunham ao golpe, o fim da repressão militar instalada nas ruas de Tegucigalpa. No dia da eleição compareceram bem menos de 50% dos cidadãos votantes, o que torna ilegítimo, mais uma vez, o pleito realizado.

Para os Estado Unidos, seus aliados na Europa e seus capachos na América (Colômbia e Peru) as eleições põem um fim na “crise” que se instalara em Honduras. Brasil, Argentina, Equador, Venezuela e os outros países da América do Sul não reconhecem até hoje a posse e o governo de Lobo.

Em visita ao Brasil no início deste ano, o Jornalista da Rádio Globo, Rony Martinez, esclareceu que Zelaya nunca pretendeu mais um mandato, apenas instalar uma quarta urna para consultar o povo se seguiam em Democracia Representativa, ou mudavam para uma Democracia Participativa. Apesar de eleito pelo partido conservador, Zelaya se mostrou um presidente muito popular, que antes de qualquer coisa, defendia o interesse de seu povo, contrariando as deliberações de seu partido. Rony afirmou também que apesar da eleição de Porfírio Lobo, a repressão continuou. Mais branda e mascarada, o governo continuou a perseguir e assassinar opositores e jornalistas.

Hoje, um ano depois, as lutas continuam. Enquanto os históricos golpistas internacionais, aqueles que todos sabemos quem são, fingem estar tudo bem em Honduras, mulheres e homens são perseguidos, presos e mortos. Com o passar desses 365 dias é bom que não esqueçamos o que acontece naquele país. A luta pela liberdade hondurenha não é só deles, mas dos brasileiros, argentinos, uruguaios, todos que já pagaram o preço imensurável da falta de liberdade.

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