Alunos vão às ruas contra fechamento de salas na EE Romeu de Moraes, na Lapa, São Paulo

Publicado em: 21/06/2017 às 10:46
Estudantes do EE Romeu de Moraes não concordam com o fechamento de duas turmas no final deste semestre (Foto: Reprodução/Facebook)
Estudantes do EE Romeu de Moraes não concordam com o fechamento de duas turmas no final deste semestre (Foto: Reprodução/Facebook)

Por Cida Oliveira.

Ato que começou pacífico terminou com a chegada de policiais militares, que usaram spray de pimenta até contra crianças de 11 anos. Nova manifestação deve ser realizada nesta quarta-feira (21)

Alunos da Escola Estadual Romeu de Moraes, na Vila Ipojuca, região da Lapa, na zona oeste da capital de São Paulo, foram às ruas no final da manhã de ontem (20) contra o fechamento de salas de aulas. A manifestação que começou pacífica, segundo estudantes e professores, terminou em confusão e violência de soldados da Polícia Militar, que jogaram spray de pimenta até em alunos mais novos, com 11 anos.

Segundo manifestantes, a direção da escola anunciou a extinção, no final do semestre, de uma turma do 6ª ano do ensino fundamental e uma do 3º ano do ensino médio. “O governo vem fechando turmas sistematicamente. Mas até agora nunca houve anúncio de fechamento de classe no meio do ano”, disse um professor que pediu para não ser identificado.

De acordo com a estudante do 3º ano do ensino médio, Beatriz Mayara, 16 anos, que participou do protesto, o ato caminhava de maneira pacífica na rua. Havia bloqueio apenas para os carros, não para os ônibus. Até que chegaram viaturas da Polícia Militar. “Alguns policiais desceram para conversar conosco, dizendo ‘vocês não podem fazer esse protesto’. Mas de acordo com a lei, todos podem se reunir pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local”, disse a estudante.

“Protestamos contra o fechamento das salas por causar inúmeros problemas, como a superlotação das outras salas, pelos professores que vão perder aulas e pelos alunos que vão ter que se adequar à outra sala, que tem professores diferentes. Algumas matérias vão ter que ser revisadas e então atrasaria a todos”, completou.

Ainda segundo ela, os policiais logo passaram a atacá-los. “Não deram nem tempo de sairmos e atacaram spray de pimenta. Que tipo de policial formado para defender a população ataca estudantes em uma área escolar, na qual havia muitas crianças de 11 anos que saíram chorando? Hoje eu descobri que quando precisa eles não aparecem mas pra oprimir e negar os meus, os nossos direitos, eles aparecem rapidinho.”

Com o fim da confusão, professores e alunos marcaram novo ato para esta quarta-feira, a partir das 11h30. Na quinta-feira (22), o caso deverá ser discutido na Diretoria de Ensino Centro-Oeste.

A EE Romeu de Moraes é um prédio grande e já chegou a oferecer ensino noturno. Nos últimos anos, porém, a política de Geraldo Alckmin (PSDB) de cortes de investimentos na educação, que inclui o fechamento de turmas em todo o estado, tem sido muito sentida pelos alunos do Romeu.

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