Aluguel caro expulsa imigrantes do centro para as periferias

Publicado em: 07/05/2014 às 12:24
Aluguel caro expulsa imigrantes do centro para as periferias

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Para se manterem próximos uns dos outros, imigrantes criam colônias de solidariedade nos lugares onde se fixam.

Em São Paulo, são vários os redutos: na Liberdade, estão os orientais; na Moóca e no Bixiga, os italianos; na Vila Zelina, os povos do leste europeu; na região da 25 de Março, os árabes; em Higienópolis, os judeus.

Apesar de estabelecerem próximo dos postos de trabalho, em bairros centrais como Glicério, Bom Retiro, Brás, Pari e Canindé, os imigrantes “periféricos” passam pelas mesmas dificuldades que brasileiros pobres – paulistas ou de outras regiões do País – enfrentaram décadas atrás: o alto custo de vida. Por isso, muitos deles estão optando por morar longe do centro.

“Os aluguéis mais baratos, o menor custo dos serviços e a assistência social prestada pelo serviço público acabam influenciando a opção por morar nas periferias”, explica Grover Calderón, que está há 15 anos por aqui e é presidente da Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil (Aneib).

“O povo brasileiro, fundamentalmente na periferia, é muito caloroso e geralmente eles recebem de braços abertos”, diz Calderón. E, uma vez na quebrada, os imigrantes começam a fincar raízes no Brasil e ingressam em movimentos sociais, como a luta por moradia. “Esses imigrantes vão fazer de grupos que estão reivindicando moradia, vão integrar as escolas públicas e o SUS”, diz Calderón.

Assim, é possível encontrar bolivianos em ocupações do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e na ocupação Jardim da União, no Grajaú (Extremo Sul de São Paulo). Haitianos estabelecem novas colônias em Interlagos e Cantinho do Céu, também na zona Sul, onde senegaleses comercializam réplicas de relógios de marca. Outros africanos se estabelecem no Extremo Leste da cidade.

O mercado formal de trabalho, entretanto, é mais complicado. Por isso, as opções que restam a muitos imigrantes são as áreas da construção civil, o trabalho doméstico, o comércio ambulante ou a costura – sem contar aqueles que acaba se envolvendo com a criminalidade.

Foto: Reprodução/Periferia em Movimento.

Fonte: Periferia em Movimento.

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