Alemanha suspende financiamento de R$ 155 milhões a projetos de preservação na Amazônia

Foto: Kate Evans/Cifor/Creative Commons/Flickr

“A atual política do governo brasileiro para a Amazônia levanta dúvidas se a redução consistente das taxas de desmatamento ainda está sendo buscada”, afirmou Svenja Schulze, ministra do Meio Ambiente da Alemanha, na edição de sábado do Tagesspiegel.

Durante a entrevista ao jornal alemão, Svenja anunciou que o governo daquele país vai suspender o financiamento de projetos de proteção à Amazônia devido às recentes notícias do aumento da destruição da floresta.

O corte inicial deve ser de cerca de € 35 milhões, algo em torno de R$ 155 milhões. 

Vale ressaltar que esse dinheiro não é o mesmo do Fundo Amazônia, criado em 2008, e financiado principalmente pelos governos da Noruega e da Alemanha. A iniciativa, que também está na corda bamba porque o ministério do Meio Ambiente quer mudar as regras do fundo e usar seus recursos para desapropriar terras (contra a vontade dos dois países investidores), apoiou até hoje 103 iniciativas e conta atualmente com R$ 3,4 bilhões em caixa.

Ontem, domingo (11/08), o presidente Jair Bolsonaro respondeu à declaração da ministra alemã. “O Brasil não precisa do dinheiro da Alemanha para preservar a Amazônia… Ela não vai comprar a Amazônia. Vai deixar de comprar a prestação a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, disse.

Recentemente, noticiamos aqui, no Conexão Planeta, que o desmatamento na Amazônia subiu 50% em 2019 e explodiu em julho. Segundo os alertas do sistema rápido Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o mês passado foi o pior da série histórica – alta de 278% em relação ao mesmo período do ano passado.

Irritados com a repercussão na mídia do crescimento do desmatamento no país, Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, colocaram em dúvida os números do Inpe. O presidente chegou a dizer que os dados eram ‘mentirosos’. Dias depois, o diretor do instituto foi exonerado.

Salles reiterou, mais uma vez, no final de semana, que ele pretende contratar uma empresa para fazer o monitoramento do desmatamento.

Historicamente, o governo federal sempre levou em conta os índices de deflorestamento da Amazônia publicados pelo Inpe. Eles eram considerados os ‘oficiais’. Nunca antes foram contestados.

O desmatamento é real!

O monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais revela que desde 2015 a destruição da Floresta Amazônica vem apresentando uma curva ascendente. O pico aconteceu em 2016, quando foram detectados 6,25 hectares de desmatamento, mas no ano seguinte houve uma leve redução.

O mais alarmante, todavia, é que os gráficos do instituto indicam que em julho de 2019 já foi desmatado praticamente o mesmo volume de floresta do que no ano de 2018 inteiro.

E não é só o Inpe que mostra o aumento do desmatamento. O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) também faz um levantamento mensal da destruição da floresta. Organização, sem fins lucrativos, formada por pesquisadores brasileiros e fundada em Belém há 29 anos, usa o sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), há mais de uma década, para monitor e divulgar dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal.

No final de junho, o Imazon anunciou que a Amazônia teve quase 800 km2 de desmatamento em maio: aumento de 26% em relação a 2018. E essa tendência vem sendo registrada mês a mês pela entidade.

Não há como esconder a realidade. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro parece que pretende controlar o que deve ou não ser divulgado parar não “manchar”, ainda mais, a imagem do Brasil no exterior. Ele disse que quer ser informado, em primeira mão, sobre os números da devastação.

Deveria estar preocupado em combater a derrubada de árvores na Amazônia e não em contestar dados de órgãos sérios e que sempre mereceram a confiança de governos e da sociedade brasileira.

O PRODES, sistema pioneiro do INPE baseado em satélites para monitorar o desmatamento da Amazônia, possui mais de mil citações na literatura científica pela excelência de seus dados. O INPE monitora constantemente a qualidade dos dados sobre desmatamento, que atualmente apresentam índice superior a 95% de precisão. A política de transparência dos dados, adotada pelo INPE desde 2004, permite o acesso completo a todas as informações geradas pelos sistemas de monitoramento, possibilitando avaliações independentes pela comunidade usuária, incluindo o governo em suas várias instâncias, a academia e a sociedade como um todo.

Como instituição pública de pesquisa, o INPE acompanha as inovações científicas e tecnológicas na área de observação da terra por satélites, para a constante melhoria de seus sistemas de monitoramento e, desde 1972, coordena um curso de pós-graduação em sensoriamento remoto com o mais alto conceito da CAPES.


A transparência e a consistência da metodologia do INPE são reconhecidas internacionalmente. Os dados sobre desmatamento estão disponíveis à sociedade pelo Portal TerraBrasilis.

*Com informações da Deutsche Welle

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