África é o continente menos impactado pela covid-19

O primeiro caso de covid-19 , doença transmitida pelo novo coronavírus, foi notificado na África no dia 14 de fevereiro. O possível colapso da região preocupou especialistas de saúde e até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, quase três meses após o primeiro caso, o território tem apenas 55 mil casos da doença.

Além do baixo número de casos, o continente africano tinha registrado apenas 2 mil óbitos até a última sexta-feira, 8.

O continente africano possui 1,2 bilhão de habitantes, o que corresponde a segunda maior população do mundo. Esse foi um dos motivos que fez com que a possível situação da África causasse medo.

No entanto, territórios mais ricos ou desenvolvidos são mais impactados pela pandemia. A Europa é o continente com maior número de infecções, sendo de 1,5 milhão de pessoas. Só os Estados Unidos, sozinho, chegou à marca dos 1,3 milhão, enquanto a América Latina caminha rumo aos 250 mil casos.

A África do Sul é considerado o epicentro da doença, já que possui o maior número de casos. São 10.015 infectados na região. Os outros países mais afetados são Egito (9.400), Marrocos (6.063) e Argélia (5.723). Juntos, correspondem a 50% das infecções por covid-19.

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No entanto, isso pode ou não significar uma vitória. Existem possibilidades de que ou o país está conseguindo conter a pandemia ou de que está sofrendo com um alto nível de subnotificações. Muitos casos podem não ser conhecidos pela falta de recursos e de testes.

OMS chegou a afirmar no último dia 8 que o novo coronavírus crescerá de maneira mais gradual e lenta na África . No próximo ano, é possível que 190 mil pessoas sejam mortas pela pandemia. Em seis meses, espera-se que 10 milhões de infecções aconteçam.

Medidas de combate

O continente africano possui 53 países. Segundo a editora adjunta da BBC África, Anne Soy, cada um está lidando de uma maneira em relação ao novo coronavírus. Enquanto alguns líderes agem com rapidez, outros minimizam o impacto da pandemia.

É o caso da Tanzânia. O presidente John Magufuli chegou a demitir encarregado do laboratório nacional, afirmando que os testes eram fraudulentos. O governo não está repassando informações sobre o nível da infecção ou número de casos no local.

O país não adotou medidas restritivas. O presidente afirmou à população da Tanzânia que seria preciso rezar. Assim, a doença iria embora.

Mas existem países que estão levando a pandemia muito a sério. Ruana, por exemplo, decretou confinamento, fechou fronteiras e cancelou voos para fora do país antes mesmo de chegar aos 20 infectados.

“As projeções eram de que agora estaríamos em uma situação de guerra, mas devido a medidas tomadas por governos e comunidades, as taxas de transmissão são mais baixas do que as que já vimos em outros lugares”, afirmou Stephen Karingi, diretor da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, ao The Guardian.

A África do Sul estava rigidamente confinada desde 27 de março, mas está tentando reabrir por conta do impacto econômico.

Soy alerta que governantes devem ficar atentos a situação das favelas africanas, já que possuem péssimas condições de sistema de saúde, algumas sem acesso à água potável e muitos moradores.

Em sua maior parte, a população periférica faz parte do grupo de trabalhadores informais. Isso significa que é mais difícil que sejam mantidos em isolamento, já que isso tornaria mais difícil, por exemplo, colocar comida na mesa.

Primeiros infectados

As primeiras pessoas que foram infectadas na África foram jovens, africanos ou europeu que trouxeram o vírus de outros locais. Isso é o que afirma o especialista africano em saúde pública do Hospital Universitário de Genebra, Frederique Jacquerioz. Ele explica que o país pode ter um número menos de infectados por não ter tanto contato com o resto do mundo.

Os países mais infectados são os que têm população que mais viajam para o exterior, alguns com ligações diretas para a China. Enquanto isso, outros países não circulam internacionalmente.

População mais jovem

A média de idade na África é muito jovem, de 19,7 anos. O novo coronavírus tem impacto mais grave em populações mais velhas, que tendem a ter um sistema imunológico mais fraco. Na Europa, que é o continente mais afetado, a média de idade dos moradores é de 40 anos.

No entanto, Soy lembra que isso pode não ser um fator concreto. “Você também tem uma grande população de crianças desnutridas, com um sistema imunológico mais fraco, do que no resto da população mundial, o que as torna mais vulneráveis”, explica.

Isso significa que, talvez, a África tenha uma taxa maior de crianças infectadas gravemente em relação ao restante do planeta.

Outras experiências

Cólera, ebola, HIV, malária e tuberculose são algumas das epidemias graves que passaram pela África. Passar por essas doenças fez com que o país, assim como seus cientistas e médicos, precisasse aprender a lidar com elas com agilidade.

O ebola, principalmente, é uma epidemia que até hoje tem rastros no continente. Ele matou 11 mil pessoas entre 2014 e 2016, principalmente nas regiões de Guiné, Libéria e Serra Leoa. Até hoje, casos isolados são registrados. Foi durante o ebola que a África implementou monitoramentos e protocolos de detecção.

Soy afirma que a epidemia do ebola foi o  fim do aperto de mão na África Ocidental e na República Democrática do Congo. “ Elas se conscientizaram de que isso [o pouco contato físico] é importante.”

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