Acordo com o governo garante subsídios aos patrões e deixa de lado gasolina e gás de cozinha

Foto: Reprodução

Terminada a coletiva de imprensa do governo, Temer anunciou acordo para fim do bloqueio dos transportes. Nenhuma mídia publicou o acordo escrito e o que escrevemos abaixo pode sofrer ligeiras alterações. Tudo que foi anunciado favorece os patrões. Os interesses da maioria da população como na gasolina e no gás de cozinha foram deixados de lado. Toda população trabalhadora pagará o preço desse acordo, um acordo para aumentar os lucros dos patrões.

Na reunião foram anunciadas medidas para manter intactos os interesses do governo em privatizar a Petrobras, foram tomadas medidas que ajudam os empresários do transporte e ao mesmo tempo deixaram de lado qualquer medida relativa ao gás de cozinha e a gasolina. Uma provocação a toda a população trabalhadora, serão mantidos os exorbitantes preços da gasolina e do gás modificados diariamente, como exige o capital estrangeiro para entrar nas privatizações.

O acordo firmado entre o governo e a CNT e outras entidades que representam os caminhoneiros toca somente o DIESEL, deixando de lado os outros combustíveis.

Entre as medidas anunciadas estão:

1) Zerar o imposto CIDE, que implica em R$ 0,05 de desconto por litro de DIESEL, conseguindo os recursos perdidos com este imposto através de novos.
2) Estudar a redução do imposto PIS/Confins no DIESEL, compensando esta perda gerando novas receitas – ou seja novos impostos e através da “reoneração” de outros setores. 
3) Congelar o preço do DIESEL por 30 dias, 15 dias o desconto de R$ 0,10 por litro será pago pela Petrobras os outros 15 dias será pago pelo governo.
4) Ressarcir a Petrobras por cada aumento de Diesel que não puder ser realizado
5) Todos novos aumentos de DIESEL ocorrerão somente de 30 em 30 dias
6) Permitir que caminhões sem carga não paguem pedágio
7) Renegociação com o setor de transporte daqui a 15 dias
8) Suspensão dos bloqueios por 15 dias

Essas medidas escancaram o que viemos alertando, trata-se de um movimento para transferir lucros de um setor patronal para outro (através de subir impostos de um setor, a chamada “reoneração”). É por isso que numerosas empresas apoiavam o movimento, sabiam que iam se beneficar, nenhum direito dos caminhoneiros, nem falar da população ia ser discutido, mas somente os seus lucros.

A população apoiou os bloqueios porque achou que os combustíveis todos iam ser reduzidos. Mas não, os interesses eram somente os lucros dos patrões.
A população vai seguir pagando essa conta. Devem surgir novos impostos e a gasolina e o gás de cozinha continuarão caros. Uma das entidades dos caminhoneiros anunciou que não aceita o acordo porque queria zerar completamente o PIS/Confins. Ou seja, queria MAIS SUBSIDIOS para o bolso dos empresários e dos pequenos proprietários, as custas de toda a população.

O ministro Eliseu Padilha respondeu provocativamente a um jornalista, que lhe questionou se a população deveria fazer o mesmo para garantir a queda do preço da gasolina, dizendo: “nós tivemos um movimento de caminhoneiros, seus pleitos foram atendidos, aqui tratamos só do Diesel. O preço do diesel na refinaria está fixo. É nossa referência. Estamos falando apenas do diesel. Então, a cada mês, faremos ajuste e teremos votação orçamentaria para fazer frente a essa questão orçamentaria”, disse o ministro.

O acordo firmado permite que a Petrobras continue subindo os preços conforme a variação do mercado internacional e que o governo pague a diferença. Com essa medida procuram mostrar para o “mercado” que os preços seguiram exorbitantes e que a Shell, a BP, a Chevron podem continuem interessadas nas privatizações previstas por Temer. Nenhuma empresa imperialista quer comprar refinarias brasileiras se não puder cobrar ainda mais caro dos nossos combustíveis.
Este anuncio de acordo acontece ao mesmo tempo que a justiça autorizou o uso de força policial – e até mesmo do Exército em uma liminar – para retirar os caminhoneiros das estradas, medidas autoritária que merece o mais enérgico repúdio.

A provocação de Padilha, mostrando que não estão nem aí para quanto a população paga na gasolina, no gás de cozinha e como querem resolver o problema aumentando os lucros das emrpesas, mostra como somente uma Petrobras 100% estatal, administrada pelos petroleiros e com controle popular poderia garantir combustíveis baratos para toda a população. As riquezas do petróleo podem servir à população, e não aos lucros dos empresários, aos interesses da privatização ou à vasta corrupção praticada na empresa, da ditadura à FHC e os governos petistas.

Chega de pacto dos sindicatos com os ataques de Temer, basta de ajudar os patrões, é hora dos trabalhadores entrarem para virar esse jogo, defendendo uma resposta independente de todos patrões. Cada dia perdido sem os sindicatos organizarem os trabalhadores é mais um dia para os empresários do transporte, do agronegócio, e outros setores negociarem com Temer por nossas costas.

Metalúrgicos, professores e outras categorias estão em greve pelo país. Os petroleiros já aprovaram uma greve nacional que só não inicia porque a direção burocrática dos sindicatos ligados ao PT não decreta o início da greve. É necessário que os petroleiros entrem imediatamente em greve e cada categoria possa organizar assembleias e exigir da CUT e CTB um plano de lutas pela redução de todos combustíveis sem subsidiar os lucros patronais, pela não privatização da Petrobras, e por uma Petrobras 100% estatal, administrada pelos trabalhadores e com controle popular.

Cada medida de subsídio aos patrões e novos impostos tem como destino manter o orçamento do governo que tem como prioridade o pagamento da dívida e não nossa saúde, educação, aposentadorias. Cerca de 1 trilhão de reais é drenado do país ano a ano. A dívida pública é um mecanismo de drenagem dos recursos do país e de submissão ao que querem os banqueiros e o imperialismo que a utilizam para exigir atacar a saúde, educação, e as aposentadorias. A entrada em cena da classe trabalhadora a partir da crise dos combustíveis pode permitir questionar cada aspecto de submissão aos patrões e ao imperialismo.

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