Abaixo Assinado Não a Estaleiro OSX na grande Florianópolis

Publicado em: 05/09/2010 às 12:49
Abaixo Assinado Não a Estaleiro OSX na grande Florianópolis

Por UFECO e movimento comunitário.

Amigos de todo o Brasil e do mundo:

Os principais polos de turismo internacional do Brasil: São Paulo, por motivos comerciais e financeiros, e Rio de Janeiro, por motivos óbvios, estão na região sudeste.

Da Bahia ao Maranhão, todas as capitais nordestinas são polos atrativos ao turismo internacional.

Na região norte, Belém, a capital do Pará, já se firma como significativo captor de interesse turístico internacional e por onde se estende a Selva Amazônica todo empreendimento voltado à área inclui-se no roteiro de turistas de todo o mundo.

No centro-oeste, as cidades tombadas como patrimônio da humanidade e o Pantanal Mato grossense são anualmente visitadas por estrangeiros.

Na região sul, apesar de não concorrerem com Bariloche pelo interesse de turistas de outros países que desejam experimentar o clima europeu, as Serras Gaúcha e Catarinense atraem o turismo nacional. Mas a região possui apenas dois polos atrativos de recursos turísticos internacionais: Cataratas do Iguaçu e Florianópolis.

Com grande número de professores e alunos da Universidade Federal oriundos de toda parte do mundo, além de diversos cidadãos da Europa e da América do Norte atraídos pelo clima ameno de belezas naturais e  tranquilidade cotidiana que fixaram residência na capital do Estado de Santa Catarina, a região é responsável pelo maior número de visitas dos nossos vizinhos do cone sul da América Latina.

Os tantos estrangeiros que regularmente vêm visitar seus amigos e parentes que para cá que se transferiram, nas mais diversas épocas do ano contribuem com a economia das principais cidades de todo o estado, tanto as litorâneas como as do interior. E invariavelmente incluem as Cataratas do Iguaçu como roteiro obrigatório durante a estada em Florianópolis.

Isso acontece mesmo no período do inverno brasileiro, período das férias escolares prolongadas do verão do hemisfério norte e, sem dúvida, a extinção de Florianópolis como atrativo turístico e a consequente transferência de seus moradores estrangeiros, afetaria em muito o movimento não apenas no vizinho Paraná como em outros pontos atrativos de todo o Brasil, que perderiam uma importante escala de captação e emissão do turismo internacional.

Esta ameaça está para se concretizar pelos exclusivos interesses do homem mais rico do país, que não revela as reais razões de sua insistência em localizar um empreendimento altamente predatório em um dos mais belos nichos ambientais do continente, onde há séculos se harmoniza a presença do homem com o meio ambiente.

Cientistas, acadêmicos, oceanógrafos e biólogos, inclusive contratados pela própria empresa OSX de Eike Batista para formulação de parecer técnico sobre o impacto ambiental à pretensão de instalação de um megaestaleiro na entrada do estreito e raso canal que separa a Ilha de Santa Catarina do continente, em vão têm categoricamente desaconselhado a localização do empreendimento pretendido, apontando-o como “ambientalmente inviável”.

Todos apontam o projeto como fatal as três importantes reservas de preservação ambiental sob responsabilidade federal, nas quais se incluem diversas espécies em situação de risco de extinção não apenas em Santa Catarina e no Brasil, como no mundo. E que aqui encontram um de seus últimos refúgios no planeta.

No entanto, por razões veladas a OSX não responde sequer a interpelação da Promotoria Pública do Estado para que aponte os motivos de preterir outras áreas litorâneas de Santa Catarina, reconhecidamente mais propícias e vocacionais ao empreendimento, ou mais carentes e necessitadas de ofertas de empregos.

Áreas em que os efeitos poluentes de uma indústria naval não serão potencializados por uma conformação de baía, como ocorre na desejada por Eike Batista que pela mídia nacional se diz preocupado com as condições sócio/ambientais afetadas por seus empreendimentos, mas  utiliza a de Santa Catarina primeiro para alardear a criação de 4 mil empregos e quando questionado para ameaçar transferir seu investimento para o Rio de Janeiro.

Duas falácias pois lhe foram concedidas a instalação de um estaleiro naquele estado e outro em Santa Catarina. Não é verdade que intencione um ou outro, pois pretende ambos. A outra são as promessas de profissionalização da população local à uma atividade para a qual nunca foi voltada. Evidentemente, aos locais resultarão apenas empregos de chão de fábrica, de baixos salários.

De onde a OSX captará mão de obra qualificada a não ser nas baixadas fluminense e santista, em que excede? Com isso provocarão inchamento populacional em uma região historicamente mal atendida pelos serviços públicos geridos pelos políticos locais que apoiam acirrada e corporativamente o empreendimento.

A evidência de que as intenções da OSX vão muito além da montagem de um estaleiro, está no fato de que em todas as demais opções e alternativas do litoral de Santa Catarina seriam desnecessário os altos custos de dragagem do canal que separa Florianópolis do continente, por mais de 13 kms. de extensão com mais de 200 metros de largura e 9 de profundidade.

Esse trabalho se repetirá periodicamente devido ao assoreamento sob efeito das constantes correntezas marinhas que sobem ou descem trazidas pelos fortes ventos antárticos ou provocados pelas massas de ar quente do sudeste brasileiro. E assim se inviabilizará irreversivelmente as principais atividades econômicas da população mais pobre e tradicional da região: a pesca e a maricultura.

Na Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI) se cadastram mais de 300 maricultores em atuação neste canal. Para o desenvolvimento da atividade de cada um deles, são necessários no mínimo 5 ajudantes. A esses 1.500 desempregados somam-se os pescadores e todos os trabalhadores do setor gastronômico, pois ninguém virá à Florianópolis para comer churrasco ao invés de peixe, ou pizza ao invés de frutos do mar.

A inviabilização turística, a desvalorização patrimonial e o rompimento das específicas tradições culturais, levarão à triste degradação da mais valorizada região litorânea do sul do continente, procurada não apenas por argentinos, chilenos, uruguaios, paraguaios e bolivianos, mas também por sul mato grossenses, gaúchos, paranaenses e, inclusive, paulistas. Além dos muitos visitantes dos continentes do hemisfério norte.

Ao invés do Brasil melhor explorar o potencial deste importante atrativo e escala turística para o resto do país, o estará eliminando em benefício de um único investidor e repetindo a imprevidência da devastação amazônica promovida pela ditadura militar nos anos 70.

Os técnicos do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, do Ministério do Meio Ambiente, apresentaram parecer totalmente contrário ao empreendimento, mas, aproveitando-se deste ano eleitoral, Eike Batista vem se utilizando da imprensa e dos candidatos locais para transformar a conclusão científica em decisão política.

Apesar da mobilização da sociedade local através de associações de moradores, ambientalistas, profissionais do mar e relacionados ao turismo e a gastronomia; os esforços dos catarinenses têm sido em vão perante o peso econômico do homem mais rico do país e precisamos do apoio de todos os brasileiros.

Não podemos permitir que se sobreponham interesses pessoais ao da população e da história de toda uma região do país, pois amanhã poderá resolver pôr Ouro Preto abaixo, aterrar o Pantanal, desmatar a Amazônia, demolir Olinda ou implodir o Pão de Açúcar.

É preciso um basta ao Senhor X, agora.

Participe dessa luta imprimindo o Abaixo Assinado em anexo e colhendo assinaturas de seus amigos e vizinhos que conhecem ou pretendem um dia conhecer um dos encantos do litoral brasileiro. Depois envie essas assinaturas para a União Florianopolitana de Entidades Comunitárias – UFECO, aos cuidados de Ângela Maria Liuti:

Caixa Postal 668 – Agência dos Correios da Praça XV de Novembro

CEP 88010-970  para União Florianopolitana de Entidades Comunitárias – UFECO

Repasse aos seus correspondentes e os incentive a essa participação na luta dos catarinenses a serem atingidos por mais esta tragédia que ameaça nosso estado e o Brasil.

Se puder, manifeste sua indignação escrevendo mensagens para quaisquer dos portais com endereços abaixo. Ou todos.

Santa Catarina agradece e, se vencermos essa luta, quando vier nos conhecer você perceberá quanto valeu a pena colaborar para que se evite tal desatino.

www.observatoriodaimprensa.com.br

www.cartacapital.com.br

www.viomundo.com.br

www.conversaafiada.com.br

www.rodrigovianna.com.br

www.advivo.com.br

[email protected]

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