A mídia também vai para a guerra

Publicado em: 29/04/2014 às 10:42
A mídia também vai para a guerra

midia koldoCronopiando por Koldo Campos Sagaseta.

(Português/Espanhol). Me refiro à grande mídia que se diz informativa, que se vangloriam de serem verazes e honestos, que se gabam de exercer a objetividade pulcra e a independência, e que não acreditam, porque não as praticam, nessas virtudes que garantem serem próprias.

Por isso é que não erram quando mentem. Simplesmente, cumprem com o seu papel.

A cada vez que aprovam e reproduzem qualquer tosca patranha orquestrada em sinistros gabinetes de fabulação, estão cumprindo com o seu papel de enganar a opinião pública.

A cada vez que um helicóptero estadunidense é derrubado em qualquer um das suas guerras e a mídia avaliza a versão do “acidente”, estão cumprindo com o seu papel de minimizar a beligerância da resistência.

A cada vez que uns quantos desarmados civis, uma simples família, é massacrada pelas tropas de ocupação e a mídia respaldam a versão do “enfrentamento”, estão cumprindo com o seu papel de fazerem com que os abusos sejam compreensíveis.

A cada vez que cai um míssil sobre uma aldeia e a mídia destaca a versão de “tumulto popular”, de “erro lamentável”, estão cumprindo com o seu papel de exonerar culpas e culpados.

A cada vez que publicam épicas crônicas de soldados pela causa da liberdade e a democracia, cumprem com seu papel de transferir para as veias sua pinta de patriotismo vulgar da ignorância geral.

A cada vez que reiteram os conceitos colocados a seu serviço, como danos colaterais o guerras preventivas, estão cumprindo com o seu papel de adormecer consciências e esconder cretinices com eufemismos novos.

A cada que vez que brincam de prestidigitação com a crônica do dia e tiram da cartola famosas agonias enquanto desaparecem cementérios; e descobrem os ecos e silenciam as vozes, cumprem com seu papel de restaurar ordem e pensamento.

A cada vez que distinguem, dependendo de se são próprios ou alheios, entre dissidentes ou terroristas, entre artefatos ou bombas, entre ações ou atentados, entre golpes de estado ou destituições inevitáveis, entre mandatos que se cumprem ou resoluções que se ignoram, entre eleições democráticas ou votações palestinas, entre o entorno de uns e o congresso de outros, entre o comércio dos meus e o tráfico dos seus, entre minhas vítimas e suas baixas, ou confundem crianças com insurgentes, pedras com fuzis, lutas com matanças, então, também, a mídia cumpre com o seu papel de deturpar a realidade para fazer com que a mentira seja plausível e confinar a verdade ao esquecimento.

Quando chamam a espoliação de operação; de retenção ao sequestro, de maltrato à tortura; de pandemia ao negócio; quando em vez de crime ecológico falam de desenvolvimento sustentável; quando a destruição do planeta é definida como progresso, também cumprem com o seu papel de desinformar.

E não tem perdão nem desculpa que justifique o erro porque não se trata de um problema moral ou ético, da correção de um critério errado, de uma linha de trabalho inexata … A grande mídia faz parte do negócio e, como acionistas, também vão para a guerra.

Tradução: América Latina Palavra Viva.

Los medios también van a la guerra

Cronopiando por Koldo Campos Sagaseta.

Me refiero a esos grandes medios de comunicación que se dicen informativos, que presumen de veraces y honestos, que se jactan de manejarse con pulcra objetividad e independencia, y que no creen, porque no las practican, esas virtudes que aseguran propias.

Por ello es que no yerran cuando mienten. Simplemente, cumplen con su papel.

Cada vez que dan por buena y reproducen cualquier burda patraña orquestada en siniestros despachos de fabulación, están cumpliendo con su papel de engañar a la opinión pública.

Cada vez que un helicóptero estadounidense es derribado en cualquiera de sus guerras y los medios avalan la versión del “accidente”, están cumpliendo con su papel de minimizar la beligerancia de la resistencia.

Cada vez que unos cuantos desarmados civiles, una simple familia, es masacrada por las tropas de ocupación y los medios respaldan la versión del “enfrentamiento”, están cumpliendo con su papel de hacer comprensibles los desmanes.

Cada vez que cae un misil sobre una aldea y los medios resaltan la versión del “popular tumulto”, del “lamentable error”, están cumpliendo con su papel de exonerar culpas y culpables.

Cada vez que publican épicas crónicas de soldados por la causa de la libertad y la democracia, cumplen con su papel de transferir su pinta de ramplona patriotería a las venas de la ignorancia general.

Cada vez que reiteran los conceptos puestos a su servicio, como daños colaterales o guerras preventivas, están cumpliendo con su papel de adormecer conciencias y esconder canalladas con nuevos eufemismos.

Cada vez que juegan a la prestidigitación con la crónica del día y sacan de su chistera famosas agonías mientras desaparecen cementerios; y descubren los ecos y silencian las voces, cumplen con su papel de restaurar orden y pensamiento.

Cada vez que distinguen, según sean propios o ajenos, entre disidentes o terroristas, entre artefactos o bombas, entre acciones o atentados, entre golpes de estado o destituciones inevitables, entre mandatos que se cumplen o resoluciones que se ignoran, entre elecciones democráticas o votaciones palestinas, entre el entorno de unos y el congreso de otros, entre el comercio de los míos y el tráfico de los suyos, entre mis víctimas y sus bajas, o confunden niños con insurgentes, piedras con fusiles, luchas con matanzas, también entonces los medios cumplen con su papel de tergiversar la realidad para hacer creíble la mentira y confinar al olvido la verdad.

Cuando llaman al expolio, operación; retención al secuestro, maltrato a la tortura; pandemia al negocio; cuando en lugar de crimen ecológico hablan de desarrollo sostenido y sustentable; cuando la destrucción del planeta la definen como progreso, también cumplen con su papel de desinformar.

Y no hay perdón ni disculpa que justifique el yerro porque no se trata de un problema moral o ético, de la corrección de un criterio errado, de una línea de trabajo inexacta… Los grandes medios de comunicación son parte del negocio y, como accionistas, también van a la guerra.

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