A integração cultural como etapa inicial para a integração total na América Latina


Por Elissandro Santana, Porto Seguro, para Desacato.info.

(Português/Español).

De Foz do Iguaçu, o peruano Jesús Ibáñez Ojeda, mestrando do Programa de Pós-graduação em Integração Contemporânea da América Latina, ICAL, Unila, nos fala sobre a integração cultural como etapa inicial do processo de integração total para o Continente Latino-americano. Ademais, discorre sobre o papel da Universidade Federal da Integração Latino-americana para que isso seja possível. 

Elissandro Santana: Pode falar sobre a integração cultural latino-americana por meio de suas experiências nas práticas e saberes na Universidade Federal da Integração Latino-americana? Antes, gostaria que se apresentasse para o público leitor do Desacato.

Jesús Ibáñez: Sou Pedagogo, Cientista Político, Sociólogo. Mestrando em Integração Contemporânea da América Latina na linha de pesquisa: Integração, Estado e Sociedade (em andamento) na Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila) – Brasil. Fundador da Sociedade para a Cooperação e Desenvolvimento Latino-americano (Socodela). Possuo ampla experiência em observações eleitorais em âmbito internacional, docência e formação de professores no Ministério da Educação do Peru – (PELA), participação no Programa de Escolas Sem Fronteiras (PEIF) do Ministério da Educação do Brasil. Organizador e conferencista em Congressos Nacionais e Internacionais. Especialista em formulações, execução e avaliação de projetos sociais. Consultor político em campanhas políticas e estratégias eleitorais. Filho de agricultores da área rural do Peru, especificamente, do Estado de Huancabamba. Região de Piura.

Elissandro Santana: Como e para que veio ao Brasil?

Jesús Ibáñez: Em 2011, no mês de fevereiro, concorri a uma bolsa na Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila) com sede no Brasil. Sendo uma experiência de intercâmbio cultural e acadêmico com estudantes de vários países da América Latina. Terminei a graduação em 2014 como Cientista Político e Sociólogo. A partir daquele momento, fundei a Sociedade para a Cooperação e Desenvolvimento Latino-americano (Socodela) que busca reduzir a desigualdade e a pobreza acentuada em nossa região latino-americana e caribenha e, assim, melhorar as condições de vida daqueles setores de maior pobreza, contribuindo para o desenvolvimento social, educativo, cultural, econômico e socioambiental, cooperando, de forma solidária, com os países da América Latina através da capacitação dos talentos humanos.

Elissandro Santana: como percebo que a questão da integração do continente sempre foi um de seus objetivos, gostaria de saber qual foi sua primeira impressão com relação ao papel que a Unila desempenha nisso tudo.

Jesús Ibáñez: A Unila representa um grande potencial para a integração cultural latino-americana e toda esta diversidade deve ser conhecida, em um primeiro momento, na Fronteira Trinacional. Somos latino-americanos e o que nos aproxima é a cultura, o elemento mais importante no processo de integração.

Elissandro Santana: Também vejo na cultura o elemento principal para a integração transformadora da América Latina, por isso, preciso que nos diga de que forma estes processos de integração por meio da cultura se desenvolvem na Unila.

Jesús Ibáñez: A Unila, como instituição com vocação para a integração, oferece as ferramentas e os conhecimentos necessários para conseguir a tão desejada integração cultural de nossos povos. Na universidade há uma disciplina chamada Fundamentos da América Latina (FAL) na qual todo estudante que entra deve realizá-la, pelo fato de que através dela é possível aprofundar saberes com relação à América Latina.

Elissandro Santana: Para além do universo acadêmico, a Unila desenvolve algum projeto de integração cultural na Fronteira Trinacional?

Jesús Ibáñez: FAL nos ajuda na formação da identidade latino-americana. Existem muitos projetos de extensão para aproximar a Universidade à comunidade da Fronteira Trinacional.

Elissandro Santana: pelo que já viveu e estudou, acredita que é possível a integração econômica do continente latino-americano sem que antes ocorra a integração cultural? E se ocorre uma espécie de “integração econômica” antes da integração cultural, pensa que pode ser algo que se sustenta?

Jesús Ibáñez: A integração é um processo que busca a equidade, unidade e a coletividade para enfrentar os problemas sociais que estão presentes em nosso cotidiano e que são comuns nas diversas realidades de nossa América Latina Una, diversa e profunda. Se a integração não conquista uma situação de bem-estar em todos os setores, não há razão para que exista. Nós precisamos transformar a integração em um instrumento cultural, para o desenvolvimento, porém um desenvolvimento no qual os povos sejam protagonistas, os atores centrais, que sejam eles que possam definir o modelo que se necessita para conquistar o bem comum. A integração não tem refletido a participação da sociedade civil organizada, inclusive, nos currículos de aprendizagem nacional não se observa como uma política educacional que os estudantes conheçam os processos de integração cultural latino-americana de uma maneira profunda. Quando não se permite a participação dos cidadãos, podemos cair no erro de promover integrações forçadas que, muitas vezes, não beneficiam o povo, ao contrário, promovem as grandes corporações transnacionais. Como bem dizia Villagran, um dos teóricos da integração latino-americana, consultor de vários organismos internacionais. Os frutos da integração, ou vão para os oligopólios e para as oligarquias que estão frequentemente unidas ao capital internacional, ou vão para todos os subconjuntos sociais, quer dizer, para o povo, que podemos chamar de redistribuição dos benefícios da integração. Uma região caracterizada por profundas desigualdades sociais e econômicas precisa fortalecer sua identidade para assegurar sua subsistência como região. Somos latino-americanos e o que nos permite seguir sendo é nossa cultura. Acreditamos que não é possível um reconhecimento externo da própria identidade sem uma prévia valoração própria. Devemos seguir fortalecendo esta integração, chave para o desenvolvimento social e educativo de nossos povos, já que, na atualidade, o povo não está integrado, não percebe a integração como algo que resolva seus problemas diários; somos testemunhas de que a integração surge inicialmente como integração econômica e devemos superar isso nos próximos anos, com políticas de integração cultural; um exemplo disso é a Unila como projeto para contribuir com o desenvolvimento educacional da América Latina.

Elissandro Santana: Que tem feito como cidadão latino-americano e como fundador do projeto Socodela para a integração cultural do continente na Fronteira Trinacional e para além dela?

Jesús Ibáñez: Minha preocupação sempre esteve em fortalecer os processos de integração acadêmica e cultural. A partir da Unila, pude formar a Sociedade para a Cooperação e Desenvolvimento Latino-americano, Socodela, instituição com presença em 8 países da América Latina. Desde sua fundação, trabalha-se em diversas atividades como Congressos Latino-americanos de Integração Juvenil, realizados no Peru, Bolívia e Colômbia, eventos acadêmicos para fortalecer as formações e competências dos jovens. Por outro lado, aproveitando a diversidade cultural que possui a Unila, estudantes provenientes de várias partes da América Latina, é uma oportunidade para que possam dar a conhecer sobre o folclore de seus países e é por isso que desde 2015 se desenvolvem os Festivais Culturais Latino-americanos. Até a data desta entrevista, já foram realizados 4 Festivais na Fronteira Trinacional Paraguai, Brasil e Argentina e a ideia é fazer do festival uma atividade cultural itinerante.

Elissandro Santana: Quando terminar o mestrado na Unila, quais são os seus planos e projetos para o Peru e o Brasil?

Jesús Ibáñez: Vejo na ação política uma oportunidade para efetiva transformação social, por isso, após terminar o mestrado, voltarei ao Peru e atuarei na construção de um Partido Político que poderá ter em sua plataforma elementos como integração e cooperação solidária. Já discuti isso com outros estudantes da Unila, inclusive, a criação de partidos similares em outros países também.

 


La integración cultural como etapa inicial para la integración total en Latinoamérica

Desde Foz de Iguazú, el peruano Jesús Ibáñez Ojeda, maestrando del programa de postgrado en Integración Contemporánea de América Latina  de Unila, nos habla sobre integración cultural como etapa inicial del proceso de integración para el continente latinoamericano. Además, nos presenta el papel de la Universidad Federal de Integración Latinoamericana en ello.

Elissandro Santana: ¿Me puedes hablar sobre la integración cultural latinoamericana por medio de tus experiencias en las prácticas y saberes en la Universidad Federal de Integración Latinoamericana? Antes, me gustaría que se presentara para nosotros de Desacato.

Jesús Ibáñez: Pedagogo, Politólogo, Sociólogo. Maestrando en Integración Contemporánea de América Latina en la línea de investigación: Integración, Estado y Sociedad (en curso) en la Universidad Federal de Integración Latinoamericana (Unila) – Brasil. Fundador de la Sociedad para la Cooperación y Desarrollo Latinoamericano (Socodela). Tengo amplia experiencia en observaciones electorales a nivel internacional, docencia y formación de profesores en el Ministerio de Educación Perú – (PELA), participación en el Programa de Escuelas sin Frontera (PEIF) del Ministerio de Educación Brasil. Organizador y conferencista en congresos nacionales e internacionales. Especialista en formulación, ejecución y evaluación de proyectos sociales. Consultor político en campañas políticas y estrategias electorales. Hijo de padres agricultores de la zona rural de Perú, específicamente de la provincia de Huancabamba. Región Piura.

Elissandro Santana: ¿Cómo y para qué has venido a Brasil?

Jesús Ibáñez: En 2011, en febrero, postulé a una beca en la Universidad Federal de Integración Latinoamericana (Unila) con sede en Brasil, siendo una experiencia de intercambio cultural y académico con estudiantes de varios países de América Latina. Me gradué el 2014 como Politólogo y Sociólogo. Desde ahí fundé la Sociedad para la Cooperación Y Desarrollo Latinoamericano (Socodela) que busca reducir la desigualdad y pobreza acentuada en nuestra región latinoamericana y caribeña; y así mejorar las condiciones de vida de aquellos sectores de mayor pobreza, coadyuvando al desarrollo social, educativo, cultural, económico y medioambiental cooperando de forma solidaria con los países de América Latina a través de capacitaciones de los talentos humanos.

Elissandro Santana: Por lo que observo, el tema de la integración del continente siempre fue uno de tus objetivos, por eso, me gustaría saber cuál fue tu primera impresión con respecto al papel que representa la Unila en eso.

Jesús Ibáñez: La Unila representa un gran potencial para la integración cultural latinoamericana, toda esta diversidad presente debemos dar a conocer en un primer momento a la Triple Frontera. Somos latinoamericanos y lo que nos permite acercarnos es la cultura, el elemento más importante en el proceso de la integración.

Elissandro Santana: Veo en la cultura el elemento principal para la integración transformadora de Latinoamérica, pero necesito que nos diga de qué forma se llevan a cabo en la Unila estos procesos de integración por medio de la cultura.

Jesús Ibáñez: La Unila, como Institución volcada a la integración brinda las herramientas y los conocimientos necesarios para lograr la tan ansiada integración cultural de nuestros pueblos. En la universidad existe una disciplina llamada Fundamentos de América Latina (FAL) en la que todo estudiante que ingresa debe realizarla, por el hecho de que a través de ella se puede profundizar saberes con respecto a Latinoamérica.

Elissandro Santana: Más allá del universo académico, ¿la Unila lleva a cabo algún proyecto de integración cultural en la Triple Frontera?

Jesús Ibáñez: FAL nos ayuda en la formación de la identidad latinoamericana. Existen muchos proyectos de extensión, para acercar la universidad hacia la comunidad de la TF.

Elissandro Santana: Por lo que has vivido y estudiado, ¿crees que es posible la integración económica del continente latinoamericano sin que ocurra la integración cultural? Y si ocurre una especie de “integración económica”, ¿crees que puede ser sostenible?

Jesús Ibáñez: La integración como un proceso que busca la equidad, unificación, colectividad para hacer frente a los problemas sociales que día a día nos aquejan y que son comunes en las diversas realidades de nuestra Latinoamérica una, diversa y profunda. Si la integración no obtiene una situación de bienestar en todos los sectores, no hay razón para que exista. Nos urge convertir a la integración en un instrumento cultural, para el desarrollo pero un desarrollo que los pueblos sean los protagonistas, los actores directos, que sean ellos quienes puedan definir el modelo que se requiere para lograr el bien común. La integración no ha reflejado la participación de la sociedad civil organizada, incluso en los currículos educativos nacionales no se observa como una política educativa el que los estudiantes conozcan los procesos de integración latinoamericana de una manera profunda. Cuando no se hace participar a los ciudadanos podemos caer en el error de promover integraciones forzadas que muchas veces no benefician al pueblo, si no por el contrario a grandes corporaciones transnacionales. Ya lo decía Villagran, uno de los teóricos de la integración latinoamericana, consultor de varios organismos internacionales. Los frutos de la integración, o van para los oligopolios y las oligarquías que están frecuentemente unidas al capital internacional, o van para todos los subconjuntos sociales, es decir, para el pueblo, le podríamos llamar redistribución de los beneficios de la integración.

Una región caracterizada por profundas diferencias socioeconómicas necesita fortalecer su identidad para asegurar su subsistencia como región. Somos latinoamericanos y lo que nos asegura seguir siéndolo es nuestra cultura. Creemos que no es posible un reconocimiento externo de la propia identidad sin una previa valoración propia. Debemos seguir fortaleciendo esta integración clave para el desarrollo social, educativo de nuestros pueblos, ya que en la actualidad el pueblo no está integrado, no siente a la integración como algo que resuelva sus problemas cotidianos; somos testigos que la integración surge inicialmente como integración económica, ello debemos superar en los próximos años, con políticas de integración cultural, un ejemplo de ello es la Unila como proyecto para coadyuvar al desarrollo educativo de Latinoamérica.

Elissandro Santana: ¿Qué has hecho como ciudadano latinoamericano y como fundador de Socodela para la integración cultural del continente en la triple frontera y más allá de la frontera?

Jesús Ibáñez: Mi preocupación siempre radica en fortalecer los procesos de integración académica y cultural. Desde Unila he podido fundar la Sociedad para la Cooperación y Desarrollo Latinoamericano, (Socodela), institución con presencia en 8 países de América Latina. Desde su fundación se viene trabajando en diversas actividades como Congresos Latinoamericanos de Integración Juvenil, realizados en Perú, Bolivia y Colombia, eventos académicos para fortalecer las capacidades de los jóvenes. Por otro lado, aprovechando la diversidad cultural que posee Unila, estudiantes provenientes de diversos países de América Latina, es una oportunidad para que puedan dar a conocer el folklore de sus países y es por ello que desde el 2015 se vienen desarrollando los festivales culturales latinoamericanos. Hasta la fecha de esta entrevista se han realizado 4 festivales en la Triple Frontera Paraguay, Brasil y Argentina. La idea es hacer del festival una actividad cultural itinerante.

Elissandro Santana: ¿Cuándo termines la maestría en Unila, cuáles son tus planes para Perú y Brasil?

Jesús Ibáñez: Veo en la acción política una oportunidad de efectivo cambio social, por eso, luego de culminar la maestría, regresaré a Perú, y actuaré en la formación de un partido político que podrá tener en su plataforma elementos como integración y cooperación solidaria. “Ya lo he discutido junto a otros estudiantes de Unila, inclusive la creación de partidos similares en otros países también”.

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