A iminência da privatização das universidades públicas: por onde passa a relutância?

Foto: Reprodução

Por Luiz Costa.

Não é de hoje que grandes organizações internacionais, como o Banco Mundial, indicam a privatização das universidades públicas como saída em direção a um Estado mais próspero. No entanto, se na virada do século esse parecia um discurso distante aqui no Brasil, atualmente ele mostra-se cada vez mais iminente.

No ano passado, a pedido do governo Temer (MDB), o Banco Mundial divulgou um relatório que examina a condição atual do Brasil e desenha uma “trajetória sustentável”. Nomeado “Um Ajuste Justo”, a análise volta a dar voz ao discurso iniciado há anos: privatizar a fim de reduzir os “gastos” do governo, como educação e saúde. As propostas apresentadas ganharam destaque nas grandes mídias tradicionais e o discurso contrário a gratuidade das universidades públicas toma corpo.

Se não bastasse o processo de estrangulamento dos recursos públicos que as universidades públicas já vem sofrendo, principalmente por conta da Emenda Constitucional 95, agora, em período eleitoral, é possível perceber a concretude que tomou a proposta de pôr fim à gratuidade destas instituições. Não há mais pudor para se propor a privatização das mesmas. No discurso dos dois candidatos à presidência da República que melhor representam as classes dominantes, Alckmin (PSDB) e Meirelles (MDB), a privatização das universidades aparece destacada como solução para o país.

Porém, o fim provável destas instituições está longe de criar uma comoção social generalizada. Pois, apesar de cumprir papel significante para a sociedade, o que se produz dentro destas instituições não representa, de forma imediata, um retorno aos sujeitos que a financiam. A defesa da universidade pública, entretanto, não será sustentada apenas pela própria comunidade universitária, mas sim, pelo apoio da sociedade. Para isso, é preciso restabelecer o laço entre estas instituições e a comunidade que a custeia. É preciso insistir e explicitar o valor que as universidades, enquanto públicas, podem conter para resolver as demandas sociais e, de fato, pensar numa alternativa para o que está dado.

A Universidade Pública é a única instituição a qual a sociedade pode recorrer para responder seus dilemas. É através destas que se produz a grande parte da pesquisa e inovação do país, ao contrário das instituições privadas, que praticamente não contribuem com a produção científica.

A defesa do caráter público das universidades não tem ecoado para muito além dos que fazem parte dessas instituições.. É preciso restabelecer o sentido social que essas instituições carregam. É preciso mostrar o que se produz dentro dessas instituições, as contribuições dos intelectuais que ali se formam e o que resulta do investimento social.

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