A fachada

Por Julio Rudman.

(Português/Español).

É uma fachada*. No duplo sentido do termo.  O diz um “facho” e, ao mesmo tempo, mascara outro conceito. Esconde o ontológico, o essencial. As declarações de José Soria López, analista de mercado e ministro da Indústria da Espanha, qualificando como uma hostilidade a seu país a decisão do governo argentino de enfrentar a empresa Repsol, são uma fachada. Não é a Espanha a quem defende. É aos capitais e, como se sabe, eles não têm pátria. Isso explica a suspeita magnanimidade da mídia dominante de nossa terra, essas notícias ditas e escritas como com um sorriso socarrão, como dizendo: “Os donos da grana andam manhosos. Vejamos como a égua se amedronta”. Já aconteceu. Quando, por iniciativa de Amado Boudou, o governo nacional decidiu acabar com o roubo das aposentadorias privadas, vimos o neojornalista Santo Biasatti berrar por TN, com mais empolgação do normal, “Na Espanha estão p… da vida!”. E ficaram p… da vida sem motivo. Aqui estamos os aposentados, recebendo pontualmente e, por lei, com duas atualizações por ano.

Acontece, como vocês já sabem, que eles estão ótimo. Estão prósperos, crescem por todo lado, não tem desempregados, as freirinhas são tão caridosas que dão de presente crianças pobres às mulheres ricas, os orçamentos da saúde e educação aumentam a cada semana, se vê gente feliz nas praças, os jovens  terminam seus estudos e conseguem escolher o emprego, lá sim “a cultura é o sorriso”  (aliás, se suspeita que León vai doar as regalias à coroa por esse assunto), o genro do rei é um exemplo de caridade cristã e tudo reluz (até Sofia, que já é alguma coisa), ninguém emigra. E quando votam, premiam tanta bonança. Como no Obelisco de Macrilândia.

Imagino Rajoy e seus sequazes lançados ao mar, montados em carabelas e à caça destes desagradecidos sudacas que não comprendem o esforço que os empresários espanhóis têm feitos para que nossos trabalhadores tenham um melhor viver, consigam combustível a preços razoáveis e em versão delivery.

Nem sequer nos resta Blanca Oteiza, a belíssima atriz espanhola, em seu papel de empresária generosa e desinteressada, lá nos nefastos noventa, para que seduza Tato Bores. Nem nos resta Tato, mas seu filho, que não é o mesmo.

Isso sim, deveremos lhes reconhecer coerência histórica. O não vinham, no século XV e no XVI e no XVII a tirar nossos recursos com mão de obra escrava para pagar os créditos aos banqueiros alemães e holandeses e ficar com os mercados novos e a mais-valia? O não veio a Infanta Nãoseiquanto em 1910 para verificar que sua perla ficasse bela e ordenada?

Que La Nación se pareça com El País ou que Clarín a ABC não os faz mais modernos nem melhores. Os faz mais cúmplices. Lá e cá trabalham de gerentes e temem perder anunciantes, embora esses anúncios mintam e tentem nos vender mel e, na realidade sejam só fel.

É a gordura dos capitais (com sua permissão, mestre) os que os mantêm lubrificados. Até que a nossa Suprema Corte acorde da soneca e acabe com a liminar sobre o artigo da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual que os obriga a desmonopolizar o ar e a imagem.

N. do T.= fascista

Versão em português: Projeto América Latina Palavra Viva.

La fachada

Por Julio Rudman.

Es una fachada. En el doble sentido del término. Lo dice un facho y, a su vez, enmascara otro concepto. Esconde lo ontológico, lo esencial.

Las declaraciones de José Soria López, analista de mercado y ministro de Industria de España, calificando como una hostilidad a su país la decisión del gobierno argentino de plantarse frente a Repsol, son una fachada. No es a España a quien defiende. Es a los capitales y, como se sabe, éstos no tienen patria. Eso explica la sospechosa magnanimidad de los medios dominantes de nuestra tierra, esas noticias dichas y escritas como con una sonrisa socarrona, como diciendo: “Los dueños de la guita están cabreros. Veamos cómo arruga la yegua”. Ya sucedió. Cuando, por iniciativa de Amado Boudou, el gobierno nacional decidió terminar con el robo de las jubilaciones privadas, vimos al neoperiodista Santo Biasatti gritar por TN, con más entusiasmo del que suele, “¡En España están que trinan!”. Y trinaron al dope, diría mi sobrino porteño. Aquí estamos los jubilados, cobrando nuestros haberes puntualmente y, por ley, con dos actualizaciones anuales.

Es que, como ustedes saben, les va bárbaro. Están prósperos, crecen por todos lados, no hay desocupados, las monjitas son tan caritativas que regalan niños pobres a mujeres ricas, los presupuestos de salud y educación aumentan cada semana, se ve gente feliz en las plazas, los jóvenes terminan sus estudios y pueden elegir trabajo, allí sí “la cultura es la sonrisa” (es más, se sospecha que León va a donar las regalías a la corona por ese tema), el yerno del rey es un ejemplo de caridad cristiana y todo reluce (hasta Sofía, que ya es algo), nadie emigra. Y cuando votan, premian tanta bonanza. Como en el Obelisco de Macrilandia.

Imagino a Rajoy y sus secuaces lanzados a la mar, montados en carabelas y a la caza de estos desagradecidos sudacas que no comprenden el esfuerzo que han hecho los empresarios españoles para que nuestros trabajadores tengan un mejor vivir, consigan combustible a precios razonables y en versión delivery.

Ni siquiera nos queda Blanca Oteiza, la bellísima actriz española, en su rol de empresaria generosa y desinteresada, allá en los nefastos noventas, para que seduzca a Tato Bores. Ni nos queda Tato, sino su hijo, que no es lo mismo.

Eso sí, habrá que reconocerles coherencia histórica. ¿O no venían, en el siglo XV y en el XVI y en el XVII a sacar nuestros recursos con mano de obra esclava para pagar los créditos a los banqueros alemanes y holandeses y quedarse con los mercados nuevos y la plusvalía? ¿O no vino la Infanta Nosecuanto en 1910 para verificar que su perla luciera bella y prolija?

Que La Nación se parezca a El País o que Clarín a ABC no los hace más modernos ni mejores. Los cipayisa un poco más. Allá y acá trabajan de gerentes y temen perder anunciantes, aunque esos anuncios mientan y traten de vendernos mieles y, en realidad, sean hieles.

Es la grasa de los capitales (con su permiso, maestro) los que los mantiene lubricados. Hasta que nuestra Corte Suprema se despierte de la siesta y termine con la cautelar sobre el artículo de la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual que los obliga a desmonopolizar el aire y la imagen.

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