A eterna menina Mafalda completou 53 anos

Exposição da Mafalda no Rio de Janeiro, em 2015 / Tânia Rêgo/Agência Brasil

Há exatos 53 anos, a personagem Mafalda, do cartunista argentino Quino, era publicada pela primeira vez. A menina que questiona as desigualdades do mundo, se preocupa com a humanidade, e não entende os padrões impostos pelos adultos, ganhou reconhecimento internacional, especialmente nos países da América Latina.

O primeiro lugar em que suas tirinhas foram publicadas foi no cartum “Papá Tomás” da revista argentina Primeira Plana, a mais importante da época, no dia 29 de setembro de 1964.

O que poucos sabem, no entanto, é que sua criação aconteceu um pouco antes. E sua origem não é tão revolucionária assim: Mafalda nasce quando uma agência de publicidade entrou em contato com o Quino para que ele fizesse algumas tirinhas de jornais para uma fábrica de eletrodomésticos.

O perfil de Mafalda é fazer perguntas sobre temas como democracia, desigualdades sociais e as relações de poder na sociedade. Filha de uma típica família de classe média, Mafalda tem 6 anos de idade. O pai trabalha em uma companhia de seguros e a mãe é dona de casa.

Algumas das personagens da história são verdadeiras alegorias das críticas que Quino queria propor aos leitores. É o caso de Manolito, amigo de Mafalda e filho de comerciantes, que representa alegoricamente o sistema capitalista.

A primeira tradução das tiras de Mafalda no Brasil aconteceu na década de 1970. Apesar das tirinhas se passarem no contexto argentino, elas tinham caráter universal. Isso foi reconhecido por muitas pessoas.

O escritor e filósofo Umberto Eco, por exemplo, dizia que Mafalda era “uma heroína zangada, que não aceita o mundo como ele é, que reivindica seu direito de continuar a ser uma menina e se recusa a assumir um universo corrompido pelos pais”.

Coincidência ou não, a personagem de resistência do cartunista Quino marcou presença nas páginas de jornais e revistas no mesmo período em que a ditadura militar assolou a Argentina. Em 1973, ano do término do período militar, é também o momento em que o cartunista decide não mais publicar tirinhas da pequena menina que questiona tudo ao se redor.

Mesmo deixando de ser publicada, Mafalda ainda é presença viva em exposições, livros didáticos e em campanhas com temas que continuam sendo atuais. Uma jovem que não se contentava com o mundo como ele é não ficaria parada na história.

 

Edição de Simone Freire
Fonte: Brasil de Fato

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