A Direita brasileira gosta de bananas e macacos, mas odeia o povo negro das favelas

Publicado em: 02/05/2014 às 10:49
A Direita brasileira gosta de bananas e macacos, mas odeia o povo negro das favelas

Banana3Por Leonardo Soares.

A mesma Direita coxinha que diz “somos todos macacos” cospe na cara de haitianos e vibra com a morte do povo das favelas. Ou seja, ela é de um cinismo incurável. Um prontuário vivo. Caso de polícia.

O mais novo triste espetáculo começou a ser oferecido quase que na calada da noite de um domingo (27/04/14).

Nem bem o Daniel Alves havia terminado de mastigar a enorme banana que um imbecil lhe arremessou lá na Espanha, e aqui nesses cafundós, imbecis do mesmo quilate (ou pior) do torcedor já se aprontavam para demonstrar a mesma falta de ética e decência.

Arregimentados por uma agência de publicidade, líderes dos Coxinhas reuniram a família (sempre ela), posaram para fotos, mostraram indignação, sem nenhuma espontaneidade, forçando na nota – nunca o cigano Igor inspirou tanta gente ao mesmo tempo.

Ao amanhecer, já havia uma mega campanha pelas redes sociais vendendo camisetas, com o líder-mor dos Coxinhas com aquela indefectível cara de revolta e luto, como principal garoto de programa, isto é, propaganda. Um troço de doido.

E tudo apoiado pela organização criminosa de contra-informação, instrumento global do fascimo tupiniquim, a rede mafiosa e asquerosa que apoiou e apóia golpes (aqui e acolá) e que nem preciso dizer o nome.

A Direita Coxinha é assim. É cara dos liberais brasileiros. Hipócrita até a medula. Uma fraude em forma de partido político. Só adere a supostas causas populares se isso lhe possibilitar vultosos lucros. A Direita em nada difere dos gigolôs. E olha que este é até capaz de se apaixonar – lembremos de Tim Maia. A Direita não. Ela é fascista entre quatro paredes, nas relações privadas, na esfera da mesa e da cama. Em público ele consegue ser pior. Ela é mais do que fascista. Ela chega a apelar para formas primitivas e psicóticas do nazismo. E mais grave ainda: salta no tamanco quando alguém lhe chama de fascista e nazista!

Com o racismo é a mesma coisa: a Direita é francamente racista, abomina a Universidade que se abre para negros (“eles estão a levando para o buraco”), não pode ouvir falar de alguém que denuncie racismo (“isso é coisa de imbecil”, “um absurdo”, “ditadura do politicamente correto(sic)”), tem a coragem de afirmar que não existe racismo porque “a biologia já mostrou que não existem raças”, pinta e borda, mas só não admite uma coisa: que alguém diga que ela é racista.

O caso da repercussão da banana comida pelo Daniel Alves é exemplar. Vejam que a questão do racismo em si, seja no futebol (nacional e internacional) ou na sociedade, passa em branco. Os pontos cruciais da questão são jogados no ralo do senso comum. O que importa é estetizar o problema que é eminentemente político e social. O racismo do torcedor é apresentado como um típico ato de “falta de educação”, traquinagem de um “imbecil”. O remédio: muito artista global, pagodeiro e socialite posando para foto com camiseta, fazendo biquinho, com olhar de revolta e com arzinho do tipo: “Racismo não, é coisa de gente boba e feia. Ai ai ai….!”.

Mas em outras situações, o comportamento da Direita é completamente diferente. Quando o assunto do racismo aparece no quintal dela ou lhe bate à porta, a falta de caráter passa a dar o tom.

A lamentável e desprezível bandeira #somostodosmacacos cai por terra quando se joga não bananas, mas sim bombas, granadas, tanques, pedras e tiros na população negra das favelas.

A Direita que engole banana é a mesma que não admite médicos negros cubanos trabalhando em nossos hospitais e tendo a audácia de vestirem jalecos brancos e serem tratados como “doutores”.

A Direita que diz ser igual a macaco, abomina a vinda de imigrantes haitianos, chamando-os de dejetos e figuras que “só enfeiam a cidade”.

A Direita que veste a camisa do Coxinha global não suporta as cotas raciais. Festeja a matança de negros e negras nas favelas. Apóia a tortura de favelados. Finge ignorar a política de limpeza étnica dos aparelhos repressivos. Dá de ombros para as Cláudias e Amarildos das periferias.

É a mesma Direita que se diz “representada” e “protegida” pelos esquadrões da morte. Que diz aos gritos que tem que subir a favela dando tiro mesmo, porque “com essa raça é assim!”.

É a mesma Direita que é a favor da pena de morte e repressão dura para “bandido do morro”, mas que acha um absurdo algemar colarinho-branco.

A Direita que chorou por Mandela e “abraçou” a causa do Daniel Alves é assim. Ela tem a mesma postura do Capitão do Mato que antes de começar a trucidar e matar escravos no tronco, a base de chibatadas, tinha o costume de rezar para Nossa Senhora pedindo a proteção contra os “homens perversos”…

 Foto: www.papeldeparede.etc.br

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