A controversa construção do novo Aeroporto Internacional da Cidade do México

Foto: Cuartoscuro / arquivo

Por Ana Rosa Moreno, México, para Desacato.info.

Tradução: Elissandro Santana. (Port./Esp.)

Não há nada de errado em querer ter um novo aeroporto. O problema é que, desde o início, existem elementos negativos que ameaçam o meio ambiente e a vida humana.

Vamos começar com quem projetou o Novo Aeroporto Internacional da Cidade do México (NAICM). O atual governo federal lançou uma chamada internacional na primavera de 2014 para projetar o NAICM e o desenho vencedor foi revelado em setembro daquele mesmo ano; sendo o arquiteto britânico Norman Foster e Fernando Romero que, por acaso, é o genro do empresário multimilionário Carlos Slim (aparentemente, houve tráfico de influência aqui), e, de fato, seu design foi criticado por ser similar a outros aeroportos de luxo localizados no Qatar e na Arábia Saudita.

Projeto do arquiteto britânico Norman Foster e Fernando Romero do Novo Aeroporto da Cidade do México. Foto: mundoportuario.com

Outro elemento não turvo, mas alarmante, é o custo para a construção do aeroporto, uma vez que se estima que terá um valor total de 169.000 milhões de pesos, dos quais 58% serão provenientes de recursos públicos (dos nossos impostos) e 42% do banco comercial. O incrível e obsceno é que também os Administradores de Fundos de Aposentadoria (Afores) entraram nesta construção milionária, ocupando as contribuições para a Vocaposentadoria dos trabalhadores. Antes disso, Inbursa, Pensionissste, Profuturo e XXI Banorte investirão 13 bilhões e 500 milhões de pesos e o trabalhador não ganhará um extra ou terá benefícios.

O crime organizado também está incluso no projeto de construção do NAICM. Os huachicoleros (pessoas que roubam a gasolina para vendê-la a um preço mais barato) são os que abastecem as gôndolas e caminhões lotados de materiais de pedra (tezontle e basalto, por exemplo) usados para o NAICM e estes são extraídos clandestinamente do Estado do México. Segundo os moradores de Teotihuacán essas operações ilegais ocorrem aos olhos das autoridades do NAICM.

Corrupção, tráfico de influência, crime organizado e o uso de fundos de pensão são as coisas obscuras que brilham mais intensamente que o sol na construção do NAICM. Mas há outra questão muito mais importante e vital que deve interessar a todos nós e parece que ninguém faz barulho. Nós falamos sobre a conservação do que ainda resta do Lago Texcoco e de todas as espécies que vivem ali.

A construção do NAICM será sobre o que restou do Lago Texcoco localizado a noroeste do Vale do México, anteriormente, um sistema de lagos, hoje, com grande parte enterrada pela Cidade do México. De acordo com um estudo realizado por membros da União dos Cientistas Comprometidos com a Sociedade (UCCS), a construção de um aeroporto trará várias consequências, como a redução do consumo de água potável em 70% em relação ao atual, afetando mais de 120.000 aves (250 tipos de aves) que habitam o lago durante o ano, também ameaça o plantio de mais de 264 mil plantas de cinco espécies que são regadas com a água do Lago Texcoco. A perda do Lago Texcoco também afetará a população, já que essa área úmida retém enormes quantidades de poeira, poeira que afeta os seres humanos com consequências para a saúde, que vão desde alergias, infecções oculares, respiratórias e de pele, incluindo câncer.

Localização do NAICM . Captura de tela do Google Maps

O lago Texcoco também atua como um regulador que evita inundações nas áreas urbanas do leste da cidade e ajuda a recarregar os aquíferos superexplorados da região.

Mas também a construção do NAICM está atacando as terras próximas ao lago. No município de Tepetlaoxtoc, os moradores denunciam que a passagem das gôndolas subiu de 200 para 300 por dia, que derramam óleo e diesel e contamina água porque são componentes que não se degradam. Há também detonações de minas com explosivos C-4 (que contêm elementos cancerígenos, como trinitrotolueno) e essas minas também afetam os axolotes da laguna de San Telmo, uma espécie em extinção.

Um último fato é que, em 2001, a construção do aeroporto na área de Texcoco, mas nas terras agrícolas de Atenco, já havia sido anunciada, com Vicente Fox como presidente do México. O que gerou nos municípios de San Salvador Atenco, Tocuila, Nexquipayac, Acuexcomac, San Felipe e Santa Cruz de Abajo manifestações e bloqueios e, como consequência, ocorreram vários confrontos entre moradores e policiais quando em 2002 o executivo federal cancelou o projeto do aeroporto.

Não é uma boa ideia construir o NAICM no Lago Texcoco, pois existem muitos estudos ambientais, organizações ambientais e cidadãos que têm mostrado todos os desastres ambientais que isso pode causar; existe até um projeto alternativo com o nome de “Tizayuca sim, Texcoco não”, no qual se propõe que o aeroporto seja construído em local onde não cause impacto ambiental dentro do município de Tizayuca, no estado de Hidalgo. No entanto, o governo não se importa e aqueles que se opõem são tachados de ignorantes e inimigos do progresso, mas o progresso não é um aeroporto moderno e luxuoso, o progresso é um país que garante a sustentabilidade dos recursos naturais e, com isso, a vida de todas as espécies.


La controversial construcción del Nuevo Aeropuerto Internacional de la Ciudad de México

Por Ana Rosa Moreno, México, para Desacato.info.

No tiene nada de malo querer tener un aeropuerto nuevo. El problema es cuando desde el principio tiene elementos turbios que atentan contra el medio ambiente y la vida humana.

Empecemos por quién diseño el Nuevo Aeropuerto Internacional de la Ciudad de México (NAICM). El actual gobierno federal lanzó una convocatoria internacional en la primavera del 2014 para hacer el diseño del NAICM. El diseño ganador se dio a conocer en septiembre de se mismo año: el arquitecto británico Norman Foster y Fernando Romero quien casualmente es yerno del empresario multimillonario Carlos Slim (al parecer aquí hubo tráfico de influencias), y de hecho, su diseño fue criticado por ser similar a otros aeropuertos lujosos localizados en  Qatar y Arabia Saudita.

Projeto do arquiteto britânico Norman Foster e Fernando Romero do Novo Aeroporto da Cidade do México. Foto: mundoportuario.com

Otro elemento no turbio, pero sí alarmante, es el costo para la construcción del aeropuerto, ya que se estima que tendrá un valor total de  169,000 millones de pesos, de los cuales 58% provendrán de recursos públicos (de nuestros impuestos) y 42% de la banca comercial. Lo increíble y descarado es que también las Administradoras de Fondos para el Retiro (Afores), le han entrado a esta millonaria construcción, ocupando el ahorro pensionario de los trabajadores. Afore Inbursa, Pensionissste, Profuturo y XXI Banorte invertirán 13 mil 500 millones de pesos. Pero el trabajador no ganará un extra ni tendrá beneficios.

El crimen organizado también figura en el proyecto de la construcción del NAICM. Los huachicoleros (personas que roban la gasolina para venderla a un precio más barato) son los que abastecen a las góndolas y camiones pesados de materiales pétreos (tezontle y basalto, por ejemplo) empleados para el NAICM  y estos son extraídos clandestinamente de minas del Estado de México. Según los vecinos de Teotihuacán, estas operaciones ilegales ocurren ante los ojos de las autoridades del NAICM.

Corrupción, tráfico de influencias, crimen organizado y uso de ahorros pensionarios son las cosas turbias que brillan más que el sol en la construcción del NAICM, pero hay otro tema mucho más importante y vital que a todos nos debe interesar y al parecer a nadie le hace ruido. Hablamos de la conservación de lo que queda del lago de Texcoco y de todas las especies que viven de este lago.

La construcción del NAICM será sobre lo que queda del lago de Texcoco ubicado al noroeste del valle de México. Anteriormente era un sistema de lagos, ahora gran parte del lago quedó sepultada por la Ciudad de México. De acuerdo a un estudio realizado por integrantes de la Unión de Científicos Comprometidos con la Sociedad (UCCS) construir un aeropuerto ahí traerá varias consecuencias como la reducción del consumo de agua potable en un 70% respecto al actual, afectará las más de 120 mil aves (250 tipos de aves) que habitan el lago durante el año, también amenazará a la siembra de más de 264 mil plantas de cinco especies que son regadas con el agua del lago de Texcoco. La pérdida del lago de Texcoco también afectara a la población ya que este humedal  retiene enormes cantidades de polvo, polvo que afecta a los humanos con consecuencias para la salud que van desde alergias, infecciones oculares, respiratorias y cutáneas, incluso cáncer.

Localização do NAICM . Captura de tela do Google Maps

El lago de Texcoco también actúa como vaso regulador que evita inundaciones en las zonas urbanas del oriente de la ciudad y ayuda a recargar los sobreexplotados mantos acuíferos de la región.

Pero también la construcción del NAICM está atentando en contra de los terrenos cercanos al lago. En el municipio de Tepetlaoxtoc, los habitantes denuncian que se ha incrementado el paso de góndolas que llegan a ser de 200 a 300 al día. Estas derraman aceite y diésel que contamina el agua porque son componentes que no se degradan. También hay detonaciones de minas con explosivos C-4 (que contienen elementos cancerígenos como el trinitrotolueno) y estas minas a la vez afectan a los ajolotes de la laguna de San Telmo, una especie en peligro de extinción.

Un último dato es que, ya se había anunciado en el 2001 la construcción del aeropuerto en la zona de Texcoco pero en los terrenos agrícolas de Atenco, siendo Vicente Fox presidente de México. Lo que generó que los municipios de San Salvador Atenco, Tocuila, Nexquipayac, Acuexcomac, San Felipe y Santa Cruz de Abajo se organizaran para hacer manifestaciones y bloqueos y, por consecuencia, ocasionó varios enfrentamientos entre los pobladores y la policía. En el 2002 el ejecutivo federal canceló el proyecto del aeropuerto.

No es una buena idea construir el NAICM en el lago de Texcoco. Hay muchos estudios ambientales, hay organizaciones ambientales y ciudadanos que han demostrado todos los desastres ambientales que provocará, incluso, hay un proyecto alternativo con el nombre de “Tizayuca sí, Texcoco no”, donde proponen que se construya en un terreno donde no habrá impacto ambiental dentro del municipio de Tizayuca, en el estado Hidalgo. Sin embargo, al gobierno no le interesa y a quienes se oponen los tachan de ignorantes y enemigos del progreso. Pero el progreso no es un aeropuerto lujoso y moderno, el progreso es un país que garantice la sustentabilidad de los recursos naturales y con ello la vida de todas las especies.

Revisão geral: Tali Feld Gleiser.

Ana Rosa Moreno é licenciada em Relações Internacionais e mora em Puebla, México.

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