A cloroquina e a ciência. Por Jean Carlos Carlesso.

Foto: Reprodução coletiva de imprensa.

Por Jean Carlos Carlesso, para Desacato. info.

O país está, agora, mais intensivamente embrulhado nessa discussão sobre a eficácia ou não da Cloroquina do que nunca. Após ver ou ouvir tantas coisas sobre este assunto, penso que seja prudente me manifestar sobre alguns pontos que, ao meu ver, são fundamentais e centrais para a tomada de decisões políticas, bem como para o cidadão comum saber como pensar e se posicionar sobre o tema que agora toma conta da “ágora” brasileira.

Vi inúmeras pessoas falando sobre este medicamente utilizando falácias, sendo a que mais me chamou a atenção foi a postagem feito no facebook pelo Senador da República Marcos do Val (Podemos) onde compartilhou um post com os seguintes dizeres:

“CLOROQUINA. Você está a bordo de um avião, e todos morrerão. De repente, uma caixa com a inscrição: PARAQUEDAS NÃO HOMOLOGADO PELO INMETRO. Você Grita: Vamos usar para escapar? Alguém responde lá no fundo: Melhor não, quem garante que vai funcionar?”

Esse tipo de discurso é perigoso, pois apesar de ser falacioso, ele é aparentemente verdadeiro, o que leva a pessoas incautas se posicionarem sobre um tema da maneira errada.

A falácia da falsa analogia torna um argumento falso aparentemente verdadeiro utilizando coisas que não são, nem de perto, comparáveis. No exemplo dado pelo senador eu pergunto, o que um paraquedas tem de similar a um remédio? o método utilizado pelo INMETRO é o mesmo da ANVISA?

Somente estas duas indagações já pões em cheque essa falácia! Um remédio utiliza drogas que podem gerar efeitos colaterais muito mais gravosos do que a própria doença que se combate. Por isso se começa fazendo testes em animais, depois em grupos pequenos de voluntários, até chegar a grupos maiores e, a partir dos dados, concluir-se sobre sua eficácia e sua segurança. Não fazer este passo-a-passo seria o mesmo que fazer as pessoas pular do avião com objetos diversos, sem saber se é um paraquedas, um lençol ou uma melancia.

Assim, o debate deve estar sobre a viabilidade técnica na recomendação de um medicamento em larga escala para o combate de uma doença que ainda não conhecemos bem! O que o governo está querendo fazer é fazer é mais grave do que fazer as pessoas pularem do avião sem saber se é um paraquedas, como já dito, mas fazer todos os que estão no avião “COVID” pular com um paraquedas que sequer sabemos se funciona de um avião que não sabemos se vai cair! Isto pois já se sabemos que não são todos que desenvolvem os sintomas e vão parar na UTI e morrer, enquanto já sabemos que o uso da Cloroquina aumenta significativamente o risco de arritmia e outros problemas cardíacos.
Antes de sair dando esse paraquedas pra todo mundo e fazendo pular do avião, precisamos saber se não vai morrer menos gente não pulando do avião com esse paraquedas!
Uma decisão política deve ser tomada com base na ciência, e esta tem todo um roteiro, um método, que não pode ser desdenhado.

Somente estamos aonde estamos graças ao método científico, e é por isto que a melhor resposta sobre a cloroquina até o momento é de que não há certeza sobre a eficácia dela, e este deve ser o norte utilizados pelos dirigente políticos na tomada das decisões sobre o uso massivo ou não deste medicamento, pois do contrário o Estado poderá estar matando pessoas que sem o medicamente talvez sobreviveriam.

Agora, saber porque o governo está querendo impor “goela abaixo” (como dizem os meus conterrâneos), é uma pergunta que merece muita reflexão, pois a resposta pode ser mais inquietante do que a eficácia da Cloroquina!

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Jean Carlos Carlesso é Advogado, de São Miguel do Oeste/SC. Formado em direito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC – e especialista em direito penal e processo penal pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus.

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.
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